Desempenho do Ibovespa e Dólar
O Ibovespa (IBOV) fechou o pregão desta sexta-feira (27) em queda, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), que superou as expectativas do mercado. O principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações em baixa de 1,16%, alcançando 188.786,98 pontos. Na semana, o índice apresentou um recuo acumulado de 0,92%.
No entanto, ao longo do mês, o Ibovespa registrou uma alta de 4,09%, embora essa movimentação tenha sido mais moderada em comparação ao aumento de 12,56% observado em janeiro, mês em que foi registrado o melhor desempenho mensal desde novembro de 2020.
O dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações cotado a R$ 5,1340, mostrando um recuo de 0,10%. Na semana, a moeda norte-americana desvalorizou-se 0,81% em relação ao real, enquanto no mês a diminuição atingiu 2,16%.
Análise da Inflação Doméstica
No cenário interno, investidores acompanhavam a prévia da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), que avançou 0,84% em fevereiro, conforme dados divulgados pelo IBGE. No acumulado de 12 meses, a alta atingiu 4,10%.
O resultado apresentou um aumento em relação à variação de +0,20% reportada em janeiro, mas ainda permanece dentro do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais tanto para cima quanto para baixo.
A expectativa para o índice era de um avanço de 0,56% neste mês, conforme a mediana da pesquisa Projeções Broadcast.
Contexto Externo e Geopolítica
No exterior, o foco se voltou para os preços ao produtor nos Estados Unidos, que subiram mais do que o esperado em janeiro, com uma alta de 0,5%. Esse aumento pode ser atribuído ao repasse dos custos elevados das tarifas de importação pelas empresas, sugerindo a possibilidade de uma aceleração da inflação nos meses subsequentes.
As bolsas de Wall Street fecharam em queda, influenciadas pelos dados de inflação mais robustos. No front geopolítico, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou estar insatisfeito com o Irã e expressou o desejo de chegar a um acordo com Teerã, enquanto alertou que “às vezes é necessário” usar força militar. Trump fez estas declarações a repórteres enquanto se dirigia a uma viagem ao Texas, afirmando que o Irã ainda não demonstra disposição para renunciar às armas nucleares, conforme exigido pelos Estados Unidos.
Influências do Mês no Mercado
Embora tenha ocorrido um recuo na semana, o fluxo de investidores estrangeiros em ações brasileiras garantiu mais um desempenho mensal positivo, sendo o sétimo consecutivo, marcado por novas máximas históricas.
Os mercados emergentes se mostraram mais atrativos em função das decisões tomadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que ampliaram as tensões geopolíticas, especialmente após o ataque à Venezuela no início de 2026 e as ameaças ao Irã, combinadas com o aumento da presença militar norte-americana no Oriente Médio.
Nesta semana, o mercado observe os desdobramentos da terceira rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano. Embora não tenha havido uma decisão aparente, uma nova rodada de tratativas entre os dois países está agendada para a próxima semana em Viena.
No Brasil, o Banco Central (BC) sinalizou em recente comunicação que o início do ciclo de corte de juros se aproxima, devendo iniciar na reunião de março. A taxa Selic permanece em 15% ao ano, mas o diferencial de juros continua atrativo para os investidores estrangeiros.
Adicionalmente, no campo político, pesquisas eleitorais indicam uma redução na vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação aos seus adversários, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Desempenho do Ibovespa em Fevereiro
O desempenho do Ibovespa em fevereiro teve como destaque a MRV&Co (MRVE3), que liderou a ponta positiva, apresentando uma valorização superior a 27%. O mercado espera que o Banco Central (BC) inicie em breve um ciclo de afrouxamento monetário, o que deverá impactar positivamente o setor de construção, que teve um desempenho geral favorável em fevereiro.
Fevereiro também foi marcado pela divulgação dos resultados do quarto trimestre, onde a MRV reportou uma geração de caixa de R$ 145 milhões nas operações brasileiras, superando as previsões, após ter registrado consumo de caixa nos três trimestres anteriores. Este resultado era uma das principais preocupações dos investidores.
A Suzano (SUZB3) obteve a segunda maior alta do índice no mês, com um lucro líquido de R$ 116 milhões no quarto trimestre de 2025, em contraste com um prejuízo de R$ 6,737 bilhões no mesmo trimestre de 2024. Os números foram considerados positivos pelos analistas do BTG Pactual, XP Investimentos, Itaú BBA e Genial Investimentos.
| Código | Nome | Variação mensal |
|---|---|---|
| MRVE3 | MRV ON | 26,89% |
| SUZB3 | Suzano ON | 17,58% |
| DIRR3 | Direcional ON | 16,99% |
| VIVT3 | Telefônica Brasil ON | 15,73% |
| AXIA6 | Axia Energia PNB | 15,65% |
| TIMS3 | Tim ON | 13,78% |
| AXIA3 | Axia Energia ON | 12,69% |
| USIM5 | Usiminas PNA | 12,22% |
| AXIA7 | Axia Energia PNC | 11,82% |
| CPLE3 | Copel ON | 11,23% |
Por outro lado, as maiores perdas do Ibovespa foram registradas pela Raízen (RAIZ4), que viu suas ações despencar quase 39% em fevereiro, após a divulgação de resultados recentes e o aumento da incerteza em relação ao futuro da companhia.
A Raízen encerrou o último trimestre com uma dívida total de R$ 55,3 bilhões, apresentando resultados negativos após um agressivo ciclo de aquisições de ativos.
Em seguida, a Cogna (COGN3) foi rebaixada de compra para neutra em fevereiro pelo Bradesco BBI. A mudança na recomendação foi influenciada por uma nova projeção de preço-alvo, que caiu de R$ 4,80 para R$ 4,20, junto à expectativa de resultados mais fracos no quarto trimestre de 2025.
| Código | Nome | Variação mensal |
|---|---|---|
| RAIZ4 | Raízen ON | -38,83% |
| COGN3 | Cogna ON | -23,08% |
| PCAR3 | GPA ON | -19,79% |
| HAPV3 | Hapvida ON | -19,31% |
| BEEF3 | Minerva ON | -15,67% |
| TOTS3 | Totvs ON | -15,10% |
| CSNA3 | CSN ON | -14,40% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | -9,54% |
| SMFT3 | Smart Fit ON | -8,76% |
| SANB11 | Santander Brasil units | -7,76% |
Fechamento dos Mercados Externos
Os índices de Wall Street fecharam predominantemente em queda nesta sexta-feira, influenciados pelos dados de inflação mais robustos e pela queda nas ações do setor tecnológico.
O fechamento dos índices foi o seguinte:
- Dow Jones: -1,05%, aos 48.977,2 pontos;
- S&P 500: -0,43%, aos 6.878,88 pontos;
- Nasdaq: -0,92%, aos 22.668,21 pontos.
Na Europa, os principais índices fecharam em sua maioria em queda. O índice pan-europeu Stoxx 600, entretanto, apresentou uma leve alta de 0,11%, alcançando 633,85 pontos.
Na região da Ásia, os índices mostraram um fechamento sem direção definida. O índice Nikkei, do Japão, subiu 0,16%, atingindo 58.850,27 pontos, enquanto o índice Hang Seng, em Hong Kong, avançou 0,95%, registrando 26.630,54 pontos.
Fonte: www.moneytimes.com.br

