Movimento do Ibovespa
Na última sexta-feira, dia 5, o Ibovespa estava próximo de atingir novas máximas, mas foi impactado por uma notícia significativa: Jair Bolsonaro nomeou seu filho, Flávio Bolsonaro, como candidato à Presidência.
Cenário Político e Riscos no Mercado
Uma parte significativa do mercado acreditava que o governador Tarcísio de Freitas, mais alinhado com os interesses econômicos, seria o escolhido. Além disso, persiste a possibilidade de divisão dentro da direita, uma vez que o nome de Flávio não é consensual entre os políticos desse espectro ideológico.
Momentos de correções acentuadas, como este, costumam testam a paciência dos investidores. No entanto, tomar decisões precipitadas, impulsionadas pelo temor ou pela emoção, raramente se revela uma estratégia eficaz.
O que os analistas dizem?
Para o mês de dezembro, analistas continuam a identificar oportunidades em ações mais estáveis e em blue chips.
A Ágora afirma que os investidores deverão voltar sua atenção para o cenário macroeconômico. Um ponto de destaque é o projeto de lei 1087, que propõe a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, além de um aumento na tributação sobre rendas mais altas, gerando discussões dentro das empresas.
Esse cenário pode motivar as companhias a priorizarem a distribuição de dividendos até o dia 31 de dezembro, o que reforçaria o interesse em ações de empresas que possuem caixa líquido ou baixa alavancagem, na expectativa de antecipação dos dividendos.
O BTG já havia levantado a questão sobre a realização de lucros, fator que pode ter contribuído para a queda observada na sexta-feira. Nos últimos quatro meses, o Ibovespa apresentou uma alta de 20% em reais e 25% em dólares.
Em termos acumulados, desde o início do ano, a valorização é de 53% em dólares, superando significativamente o S&P 500 e a maioria dos principais índices da América Latina. Segundo o banco, há um aumento na quantidade de investidores buscando realizar lucros recentes e reduzir suas posições.
“Para nós, está claro: os investidores estão se sentindo menos confortáveis com a avaliação de mercado após a alta recente e buscam diminuir o risco até o final do ano”, afirmam analistas do BTG. Além disso, o banco destacou que a corrida eleitoral efetivamente começará no dia em que Bolsonaro anunciar oficialmente seu candidato.
Ainda está barata?
A análise da Empiricus aponta que, mesmo após a recente alta, a bolsa brasileira continua com preço acessível. Com 160 mil pontos, o múltiplo P/L estimado para o Ibovespa em 2026 é de 10,8x, ainda abaixo da média dos últimos dez anos e com potencial para valorização adicional.
Para esta instituição, um dos gatilhos para um novo crescimento seria a redução da Selic, cuja mera sinalização por parte do Banco Central pode atuar como um catalisador nos mercados, possivelmente ainda neste mês de dezembro. Além disso, a antecipação dos dividendos até o final do ano pode ser um impulso adicional, motivado pela nova tributação que será aplicada sobre rendas superiores a R$ 50 mil mensais a partir de 2026.
“Se o ciclo de cortes da Selic ultrapassar 3 pontos percentuais, isso poderá se tornar um propelente do crescimento dos lucros para as empresas, criando fundamentos sólidos para a valorização das ações brasileiras”, completam os analistas da Empiricus.
Quais ações comprar
Em uma pesquisa realizada pela Money Times, as recomendações para dezembro concentram-se nas grandes empresas da bolsa. Confira:
Vale muito
A Vale (VALE3) voltou a ganhar destaque entre os investidores, recebendo 11 indicações, um reflexo de seu bom momento na B3. Pela primeira vez desde 2023, a ação superou a marca de R$ 70, acumulando uma alta de 30% ao longo do ano, e analistas acreditam que ainda há espaço para novas elevações.
A Toro posiciona a mineradora como a principal escolha do setor, destacando que a empresa está sendo negociada com um valuation atrativo, apresentando um desconto de 33% em comparação às companhias australianas. Apesar de a Ágora notar que a margem de segurança menor nos níveis atuais pode ser um ponto de atenção, ainda assim crê que há espaço para novas valorizações.
Embora alguns investidores estejam questionando a capacidade da Vale de manter uma remuneração elevada aos acionistas no futuro, acredita-se que essa questão permanecerá uma prioridade para a administração. A Ágora estima que a Vale pode distribuir entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão em dividendos extraordinários, mantendo a dívida líquida abaixo de US$ 17 bilhões.
Para 2026, com um EBITDA estimado em US$ 16,9 bilhões, é projetado um espaço para distribuir US$ 3,5 bilhões em dividendos, o que representaria um yield de 6,7%.
Itaú cai, mas fica
Embora o Itaú (ITUB4) tenha perdido algumas posições em levantamentos anteriores, o banco continua sendo uma das principais escolhas para dezembro. Segundo a Ágora, os resultados do terceiro trimestre mostraram tendências favoráveis, embora a maioria se mantenha dentro das expectativas de mercado.
“Atualizamos nossa estimativa para o potencial dividendo extraordinário a ser pago pelo Itaú Unibanco, que pode chegar a aproximadamente R$ 31 bilhões, considerando um crescimento de 4,5% na carteira até 2025”, explicam os analistas. A Toro elevou o preço-alvo das ações de R$ 44 para R$ 49, mantendo o banco como seu favorito no setor.
Petrobras
Ainda que o cenário de maiores investimentos represente um desafio para a empresa, a Ágora sustenta que as expectativas de aumento na produção nos próximos anos, aliadas a um valuation e assimetria atraentes, justificam uma perspectiva favorável para a Petrobras (PETR4). O banco Safra acredita que os resultados devem continuar sólidos no curto e médio prazo, assegurando uma boa capacidade de distribuição de dividendos.
Além disso, a Petrobras apresenta um valuation favorável, com suas ações negociando com desconto em comparação a suas contrapartes internacionais e em relação à sua média histórica.
Levantamento
O levantamento realizado pelo Money Times considerou as informações das carteiras de ações divulgadas por 17 instituições. Para dezembro, foram indicadas 61 ações, totalizando 184 recomendações.
Participaram do levantamento instituições como Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Daycoval, Empiricus Research, Genial Investimentos, Itaú BBA, Monte Bravo, Planner, Rico, Santander, Terra Investimentos, Toro Investimentos e XP Investimentos.
Fonte: www.moneytimes.com.br

