Ibovespa encerra em alta após Trump suavizar tom sobre a China; dólar recua para R$ 5,46.

Mercado Financeiro

O Ibovespa registrou uma alta de 0,78%, alcançando 141.783,36 pontos. Esse resultado ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suavizar seu discurso em relação à China. A sessão também foi marcada por um aumento superior a 1% no preço do petróleo. O dólar, por sua vez, fechou com desvalorização de 0,75%, cotado a R$ 5,4623.

Desempenho das Bolsas

De acordo com dados preliminares, o índice S&P 500 apresentou um ganho de 1,55%, encerrando em 6.654,67 pontos. O índice tecnológico Nasdaq avançou 2,20%, alcançando 22.692,57 pontos. O índice Dow Jones teve um aumento de 1,29%, situando-se em 46.070,73 pontos.

Na sexta-feira anterior, Trump havia anunciado a imposição de uma tarifa de 100% sobre produtos importados da China e controles de exportação sobre softwares críticos direcionados ao país asiático, intensificando as tensões na guerra comercial entre as duas nações. Um dia antes, a China já havia aumentado o controle sobre a exportação de terras raras, elementos essenciais para diversas indústrias norte-americanas.

No entanto, no domingo subsequente, Trump adotou um tom mais conciliador, afirmando que os Estados Unidos não pretendem prejudicar a China. Essa mudança de perspectiva possibilitou uma busca maior por ativos de risco, como ações e moedas de países emergentes, na sessão de segunda-feira.

Cenário Fiscal no Brasil

No mercado brasileiro, o real sofreu uma leve desvalorização, chegando a ceder mais de 1% em relação ao dólar. Em paralelo, as taxas dos contratos de depósito interbancário (DIs) caíram, embora de forma menos acentuada. A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 13,415%, comparada ao ajuste anterior de 13,422%. Para janeiro de 2029, a taxa registrada foi de 13,39%, apresentando uma redução de 2,3 pontos-base. Nos contratos de vencimento mais longo, a taxa para janeiro de 2035 estava em 13,815%, uma queda de 1 ponto-base em relação aos 13,826% da sessão anterior.

Gustavo Danilo Guimarães, especialista em Renda Fixa da Manchester, comentou: “Na sexta-feira, o tarifaço de Trump causou bastante tensão no mercado, levando o dólar a R$ 5,50, enquanto a curva de juros subia.” O especialista acrescentou que os comentários de Trump no domingo levaram o mercado a ajustar seus movimentos realizados na semana anterior.

Perto do encerramento da sessão, a curva de juros brasileira indicava uma probabilidade de 98% de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para o início de novembro.

Projeções Econômicas

O boletim Focus do Banco Central, divulgado pela manhã, trouxe novas projeções relacionadas à inflação. A mediana das expectativas dos economistas para a inflação ao fim de 2025 foi reduzida de 4,80% para 4,72%. Para 2026, a expectativa se manteve em 4,28%. A taxa Selic esperada para o final deste ano permanece em 15%, enquanto a projeção para o final de 2026 está estipulada em 12,25%.

Destaques do Ibovespa

Dentre os destaques do Ibovespa, as ações da Vale (VALE3) apresentaram uma alta de 1,49%, acompanhando a movimentação dos contratos futuros de minério de ferro na China. Isso ocorreu após a divulgação de dados que mostraram que as importações de minério de ferro pela China, segunda maior economia do mundo, aumentaram 10,6% em setembro, estabelecendo um recorde para um único mês.

No setor de mineração e siderurgia, a CSN (CSNA3) teve um aumento de 6,32%, liderando as altas da bolsa, sendo recuperada após perdas significativas na sexta-feira. A Usiminas (USIM5) também teve um desempenho positivo, com um avanço de 6,35%, enquanto a Gerdau (GGBR4) cresceu 2,13%.

As ações da Petrobras, tanto PETR4 quanto PETR3, subiram 0,97% e 0,94%, respectivamente, impulsionadas pela recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional. O barril de petróleo Brent fechou em alta de 0,94%, cotado a US$ 63,32, após ter registrado os menores preços em cinco meses na sessão anterior. A Brava Energia (BRAV3) também teve uma recuperação, subindo 3,58%, em um dia após sete quedas consecutivas, período no qual acumulara uma perda de 13,5%. A PetroReconcavo (RECV3) avançou 2,96%, após anunciar a conclusão de uma transação de farm-out com a Mandacaru Energia, envolvendo a venda de 50% de sua participação e o transferindo da operação em sete concessões no Rio Grande do Norte.

Por outro lado, as ações da Marfrig (MRFG3) caíram 4,16%, renovando mínimas desde o final de março. No início de outubro, analistas da XP observaram um quadro desafiador para esse segmento, apontando as margens da carne bovina nos Estados Unidos, pressionadas pelo atual ciclo do gado, e a inevitável normalização das margens de frango no Brasil. No mesmo setor, a Minerva (BEEF3) sofreu uma queda de 1,07%, enquanto a JBS (JBSS3), listada nos Estados Unidos, recuou 0,87%.

O GPA (PCAR3) teve uma desvalorização de 3,03%, após o conselho de administração aprovar por unanimidade a nomeação do empresário André Coelho Diniz como novo presidente. A família Coelho Diniz consolidou uma participação de 24,6% no GPA ao longo deste ano. No setor, o Assaí (ASAI3) registrou uma queda de 2,07%. A Raízen (RAIZ4) também caiu 2,03%, atingindo uma mínima histórica de fechamento, com ações cotadas a R$ 0,85.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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