Desempenho do Ibovespa
O Ibovespa (IBOV) registrou uma queda significativa de 4 mil pontos durante a sessão, eliminando os ganhos da semana, devido ao aumento da aversão ao risco global, exacerbada por novos desdobramentos no conflito no Oriente Médio.
Na última sexta-feira, dia 20, o principal índice da bolsa brasileira finalizou as negociações com uma desvalorização de 2,25%, fechando a 176.219,40 pontos. Ao longo da semana, o Ibovespa acumulou um recuo de 0,81%.
Enquanto isso, o dólar à vista (USDBRL) encerrou as operações a R$ 5,3092, apresentando uma valorização de 1,79%. Apesar da forte alta no dia, o dólar acumulou uma queda de 0,13% em relação ao real durante a semana.
No mercado interno, a cautela external continuou a impactar as negociações em um dia marcado pelo vencimento de opções. A possibilidade de interferência do governo na Petrobras (PETR4) em resposta às medidas para mitigar os efeitos do aumento do petróleo nos preços de energia também atraiu a atenção dos investidores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou a possibilidade de a estatal recomprar a Refinaria de Mataripe (antiga Refinaria Landulpho Alves – Rlam), localizada na Bahia. “Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos”, declarou Lula durante um evento na refinaria da Petrobras em Minas Gerais (Regap).
Altas e Quedas do Ibovespa
Apenas cinco ações conseguiram fechar em alta no Ibovespa durante a sessão: Prio (PRIO3), Yduqs (YDUQ3), Rede D’Or (RDOR3), Vivara (VIVA3) e Cemig (CMIG4).
Entre as ações em destaque, as da Cemig (CMIG4) se destacaram como a única a conseguir uma valorização nas primeiras duas horas do pregão. Na máxima do dia, as ações da Cemig chegaram a subir 3,53% (R$ 12,62), em resposta aos resultados do balanço do quarto trimestre (4T25) e ao anúncio da distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 658 milhões, com data “ex-direito” marcada para 25 de março.
As ações da elétrica terminaram com alta de 0,41%, fechando a R$ 12,24.
A maior queda foi liderada por Braskem (BRKM5), que encerrou o dia com uma desvalorização de 14,21%, a R$ 10,20. Este movimento foi interpretado como uma realização de lucros recentes, uma vez que as mudanças no Regime Especial da Indústria Química (Reiq) já estavam precificadas anteriormente.
O benefício referente aos créditos de PIS/Cofins, aplicáveis às matérias-primas das indústrias químicas e petroquímicas, pode ser compensado com tributos federais.
Entre os principais players do mercado, as ações da Petrobras (PETR4;PETR3) apresentaram uma queda superior a 2%, mesmo em um dia de alta nos preços do petróleo Brent no mercado internacional. Essa tendência de baixa foi acentuada após a divulgação de uma Medida Provisória (MP) pelo governo federal, que estabelece um subsídio para o diesel, visando mitigar os impactos da alta das commodities no mercado global.
As ações PETR4 fecharam com uma queda de 2,37%, a R$ 45,67, tornando-se as mais negociadas da B3, com um total de 95,7 mil operações, movimentando R$ 2,25 bilhões. As ações PETR3 finalizaram o dia com uma desvalorização de 2,62%, a R$ 50,22.
Contexto Internacional
No exterior, os índices de Wall Street fecharam em forte queda, influenciados por novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito no Irã.
Durante um pronunciamento no final da tarde, Trump afirmou que seu governo está em processo de resolver a situação no Irã, mas não mencionou uma perspectiva de cessar-fogo. “Não fazemos cessar-fogo quando estamos vencendo e o outro lado está destruído. […] Estamos muito adiantados no cronograma”, disse o presidente norte-americano.
No início do dia, a CBS News informou que autoridades do Pentágono realizaram preparativos detalhados para a possível mobilização de forças terrestres dos Estados Unidos no Irã.
A expectativa em relação à manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) até dezembro deste ano também permaneceu influente no mercado.
O fechamento dos índices dos EUA foi o seguinte:
- Dow Jones: -0,96%, aos 45.577,47 pontos;
- S&P 500: -1,51%, aos 6.506,48 pontos;
- Nasdaq: -2,01%, aos 21.647,61 pontos.
Na Europa, os principais índices também encerraram a sessão em território negativo, com o receio de um choque inflacionário devido ao aumento dos preços do petróleo. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou com uma queda de 1,78%, a 573,28 pontos.
Na Ásia, as bolsas também registraram desvalorizações. O índice Nikkei, do Japão, não operou em razão de feriado local, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,88%, fechando a 25.277,32 pontos.
O Banco da China (BPoC, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros inalteradas pela décima vez consecutiva. A taxa primária de empréstimo para um ano (LPR) foi fixada em 3,0%, enquanto a LPR de cinco anos permaneceu em 3,5%.
Fonte: www.moneytimes.com.br

