Queda do Ibovespa e Dados Econômicos
O Ibovespa (IBOV) saiu do nível recorde e registrou a segunda sessão consecutiva de perdas, influenciado por incertezas no cenário geopolítico e por dados econômicos recentes. Nesta quinta-feira (16), o principal índice da bolsa brasileira fechou as negociações com uma queda de 0,46%, atingindo 196.818,59 pontos.
Em relação ao dólar à vista (USDBRL), o fechamento das negociações aconteceu a R$ 4,9929, registrando uma leve alta de 0,01%.
Os investidores estavam atentos a novas informações, entre elas os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que é visto como uma prévia do PIB. O IBC-Br apresentou um crescimento de 0,6% em fevereiro, refletindo uma performance que se alinha às expectativas do mercado, que previa um aumento de 0,60%, conforme as estimativas recopiladas pelo Broadcast.
Além disso, durante o evento Itaú Latam Day em Washington, nos EUA, o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Picchetti, expressou preocupações sobre as projeções de inflação para 2028.
No Relatório Focus divulgado na última segunda-feira (13), economistas consultados pelo Banco Central aumentaram sua projeção para o IPCA de 3,85% para 3,91% em 2027, mantendo a expectativa de inflação em 3,60% para o ano seguinte. A meta estabelecida pelo Banco Central é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Altas e Quedas do Ibovespa
Em um cenário de fraqueza geral do Ibovespa, as ações da Petrobras, especificamente as da classe PETR3 e PETR4, se destacaram no índice. Este desempenho positivo foi impulsionado pela alta no preço do petróleo Brent. A ação PETR3 teve um aumento de 4,19%, alcançando R$ 53,66, evidenciando-se como a ação com melhor performance. Simultaneamente, a PETR4 subiu 3,60%, fechando a R$ 48,58 e se tornando o papel mais negociado da B3, com um total de 77,3 mil transações e um giro financeiro de R$ 2,481 bilhões.
Os acionistas da Petrobras também acompanharam a Assembleia Geral Ordinária (AGO), onde foram aprovadas as contas da companhia e a distribuição de dividendos referente ao exercício anterior, além do orçamento de capital para 2026. Para o ano em curso, a estatal planeja investimentos de R$ 114 bilhões, dos quais R$ 83,6 bilhões serão alocados para a área de Exploração e Produção, enquanto outros R$ 19,9 bilhões se destinarão a Refino, Transporte e Comercialização.
Adicionalmente, os acionistas elegeram um novo conselho de administração (CA), composto por seis membros indicados pela União e dois representantes minoritários. O novo presidente do CA é Guilherme Mello, que atualmente ocupa o cargo de Secretário-Executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento.
Por outro lado, o índice também registrou quedas, sendo Assaí (ASAI3) a ação com a maior desvalorização, apresentando uma queda de 8,86%, com preço de R$ 9,26. Conforme um relatório do JP Morgan, as notificações da Receita Federal sobre possíveis inconsistências no cálculo de créditos de PIS/Cofins para cerca de 3 mil empresas, incluindo varejistas de alimentos, sinalizam um panorama desafiador para o setor, afetando especialmente o Assaí e o Grupo Mateus (GMAT3).
As duas cadeias varejistas possuem exposição ao crédito de PIS/Cofins relacionado a bebidas. A análise do JP Morgan sugere que para a Assaí, esses créditos devem ser considerados como contingentes devido à falta de jurisprudência consolidada. O banco estima que o valor presente líquido desse potencial benefício gira entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão, representando aproximadamente 8% a 9% do valor de mercado da empresa.
Cenário Exterior
Nos Estados Unidos, os índices de Wall Street fecharam em alta, impulsionados por sinais de progresso nas negociações de paz no Oriente Médio. Durante a tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os líderes do Líbano e de Israel haviam concordado em um cessar-fogo de 10 dias, que pode ser prorrogado por “acordo mútuo”, segundo o Departamento de Estado dos EUA.
O presidente também mencionou que a próxima reunião, que dará início a uma segunda rodada de negociações entre Washington e Teerã, ocorrerá no fim de semana. Ele acrescentou que o cessar-fogo de 15 dias “não precisa ser estendido”. De acordo com a Bloomberg, diversos líderes do Golfo Pérsico e da Europa acreditam que a formalização de um acordo de paz definitivo entre os EUA e o Irã pode levar até seis meses.
Confira o fechamento dos principais índices:
- Dow Jones: +0,24%, aos 48.578,72 pontos;
- S&P 500: +0,26%, aos 7.041,28 pontos – no maior nível nominal da história;
- Nasdaq: +0,36%, aos 24.102,70 pontos – também no maior nível nominal da história.
Na Europa, os principais índices não apresentaram uma direção única. O índice pan-europeu Stoxx 600 finalizou as negociações com uma leve queda de 0,05%, aos 616,95 pontos.
No continente asiático, a maioria dos índices encerrou as negociações em alta. O índice Nikkei, do Japão, teve uma valorização de 2,38%, atingindo 59.518,34 pontos. O índice Hang Seng, de Hong Kong, também teve um desempenho positivo, subindo 1,72% e fechando a 26.394,26 pontos.
Fonte: www.moneytimes.com.br