Análise do Mercado de Ações em 20 de Agosto
O mercado de ações na bolsa de valores apresentou um dia de calmaria e precaução na quinta-feira, 20 de agosto. O índice Ibovespa (BOV:IBOV) fechou o pregão com uma leve alta de 0,06%, alcançando a marca de 167.927 pontos, após uma sessão caracterizada por flutuações intensas. O volume financeiro negociado ao longo do dia foi de R$ 20,6 bilhões, um valor que superou a média móvel dos últimos 50 pregões, que era de R$ 16,8 bilhões.
Comportamento do Mercado
A euforia inicial observada no mercado, provocada pelas operações de recompra de títulos de longo prazo pelo Tesouro dos Estados Unidos, perdeu força ao longo da tarde. Isso aconteceu em virtude da postura mais conservadora dos investidores. No mercado futuro, o contrato do índice Ibovespa futuro (BMF:INDFUT) também refletiu esta dinâmica, ajustando-se conforme a perda de energia do mercado à vista.
O clima entre os investidores na bolsa de valores brasileira foi influenciado por um cenário internacional tenso e por importantes sinalizações econômicas. Nos Estados Unidos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tentou apaziguar a situação ao informar que as recompras de títulos públicos de longo prazo poderiam ultrapassar US$ 4 bilhões por operação e que um programa de consolidação fiscal seria implementado. Contudo, o mercado interpretou essa medida como temporária, mantendo a pressão sobre os rendimentos das Treasuries de dez anos e impactando negativamente os índices Dow Jones (DOWI:DJI), S&P 500 (SPI:SP500) e Nasdaq 100 (NASDAQI:NDX), que encerraram o dia com queda.
Impactos Corporativos e Geopolíticos
No setor corporativo norte-americano, os resultados abaixo das expectativas da Walmart (NYSE:WMT) levantaram preocupações sobre o consumo. Além disso, os pedidos semanais de seguro-desemprego caíram para 206 mil, um número que ficou abaixo da previsão que era de 210 mil. No âmbito geopolítico, as ameaças de sanções econômicas do presidente Donald Trump ao Irã contribuíram para uma alta de 2,16% no petróleo tipo Brent (CCOM:OILBRENT), que foi cotado a US$ 93,60 por barril. Ao mesmo tempo, o preço do minério de ferro apresentou uma queda de 1,19% na China. No mercado doméstico, a atenção foi voltada para notícias relacionadas ao governo brasileiro, que estuda a possibilidade de reduzir os juros do programa Minha Casa, Minha Vida para a Faixa 3. Além disso, a expectativa com relação a uma nova pesquisa eleitoral também influenciou a dinâmica do mercado local.
Desempenho do Pregão
O pregão do dia 20 de agosto foi dinâmico, marcado por revisões feitas por analistas e um forte desempenho das commodities. As principais contribuições para a alta do índice vieram da Vale (BOV:VALE3), empresa de mineração e produção de minério de ferro e pelotas, que registrou uma valorização de 2,62%. A Petrobras, atuante na exploração, refino e comercialização de petróleo e seus derivados, viu suas ações preferenciais (BOV:PETR4) e ordinárias (BOV:PETR3) subirem 2,81% e 2,64%, respectivamente.
Altas Percentuais do Dia
Entre as maiores altas percentuais do dia, destacaram-se a Minerva (BOV:BEEF3), líder na exportação de carne bovina in natura e processados, que avançou 7,00%; a Marcopolo (BOV:POMO4), fabricante de carrocerias de ônibus e soluções para o transporte, com uma alta de 6,46%; e a SLC Agrícola (BOV:SLCE3), produtora de grãos como soja e algodão, que viu suas ações subirem 5,72%. O Bank of America ainda provocou movimentação no mercado ao rebaixar a recomendação das ações da Gerdau (BOV:GGBR4) para neutra, devido ao aumento da concorrência no setor de aço proveniente do Canadá nos Estados Unidos. Paralelamente, elevou a recomendação da MBRF (BOV:MBRF3) para compra, prevendo uma forte recuperação das margens e desalavancagem.
Mercado de Juros e Câmbio
No mercado de juros futuros da bolsa de valores, a quinta-feira foi caracterizada por uma alta generalizada em toda a curva, acompanhando o avanço das taxas dos títulos do Tesouro americano. Os vértices da curva de juros encerraram o dia com elevações de até 9,5 pontos-base. O Tesouro Nacional se aproveitou da demanda e vendeu integralmente os lotes ampliados em seu leilão de títulos prefixados, oferecendo 18 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 3,65 milhões de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F).
Em relação ao mercado cambial e de derivativos, os contratos de DI futuro (BMF:DI1FUT) registraram um aumento de prêmio e uma alta liquidez nos contratos de médio e longo prazo. Por outro lado, o contrato de dólar futuro (BMF:DOLFUT) encerrou o dia com uma alta de 0,23%, cotado a R$ 5,204, alinhando-se à valorização do DXY (CCOM:DXY), que subiu 0,13% no mercado externo.
Fonte: br.advfn.com
