Desempenho da Balança Comercial Brasileira
O desempenho da balança comercial do Brasil apresentou uma trajetória positiva durante os cinco primeiros meses de 2026, sendo impulsionado pelo crescimento das exportações e pelo superávit comercial. Em maio, o saldo comercial atingiu um montante de US$ 7,8 bilhões, elevando o superávit acumulado do ano para US$ 32,7 bilhões. Esse resultado representa um acréscimo significativo de US$ 8,4 bilhões quando comparado ao mesmo período de 2025.
Principais Parceiros Comerciais
Entre os principais parceiros comerciais do Brasil, a China destacouse como líder na melhoria do saldo comercial, com um ganho de US$ 7,1 bilhões no acumulado anual. A União Europeia também teve uma contribuição relevante, apresentando um avanço de US$ 2,1 bilhões. Por outro lado, os Estados Unidos ampliaram o déficit comercial em relação ao Brasil, que subiu de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,5 bilhão. Além disso, o superávit com a Argentina foi reduzido, passando de US$ 2,4 bilhões para US$ 910 milhões.
Exportações Brasileiras
As exportações brasileiras foram sustentadas, em grande parte, pela demanda vinda da China. Quando se compara o período acumulado de janeiro a maio dos anos de 2025 e 2026, as vendas para a China cresceram 12,8%. As exportações destinadas aos países da América do Sul, excluindo a Argentina, também apresentaram um avanço de 9,8%. Entretanto, as exportações para a Argentina sofreram uma queda de 20,9%.
Expansão em Mercados Asiáticos
Nos mercados asiáticos, excluindo a China, o volume de exportações também apresentou uma expansão. A Índia se destacou, registrando um crescimento de 70,2% no valor das compras de produtos brasileiros, o que foi impulsionado, principalmente, pelas exportações de petróleo bruto e óleos vegetais. Os países da ASEAN também contribuíram para o aumento das vendas externas brasileiras, com um crescimento de 9,4% no valor exportado, favorecido tanto pelo aumento dos preços quanto pelo incremento do volume embarcado.
Situação nas Exportações para a União Europeia e os EUA
Na União Europeia, as exportações brasileiras cresceram 6,7% em valor. Nesse caso, o avanço dos preços internacionais conseguiu compensar a redução observada no volume exportado. Por outro lado, no que diz respeito aos Estados Unidos, ocorreu uma situação inversa: houve uma retração de 18,0% no volume embarcado de produtos e uma queda de 16,0% no valor exportado, mesmo com um aumento de 2,0% nos preços.
Importações
Do lado das importações, notou-se que os maiores avanços ocorreram nas compras provenientes da China, demais países asiáticos e da Argentina. Em contraste, os Estados Unidos e a União Europeia mostraram as maiores reduções nas importações brasileiras quando comparadas ao ano anterior.
Crescimento dos Preços no Comércio Exterior
Os dados também indicam uma aceleração dos preços no comércio exterior. Em maio, as exportações brasileiras cresceram 6,6% em valor em relação ao ano anterior, enquanto as importações avançaram 5,3%. No acumulado do ano, as exportações registraram um crescimento de 8,7%, enquanto as importações aumentaram 3,2%. Apesar desse avanço anual, o volume exportado caiu 4,4% em maio, enquanto os preços exibiram um aumento expressivo de 11,5%.
Impactos da Guerra entre EUA e Irã
Os efeitos do conflito entre os Estados Unidos e o Irã refletem-se nos índices da indústria extrativa, evidenciando uma queda no volume e um aumento nos preços. Esse comportamento é observado também no total agregado das exportações e importações. Na seção sobre Perspectivas, destacam-se as incertezas provocadas pelo anúncio de uma possível taxação das exportações brasileiras para os Estados Unidos, que pode chegar a até 37,5%.
(FGV)
Fonte: br.-.com