Proposta da IG4 para a Raízen
A gestora IG4, que assumiu o controle da Braskem recentemente, apresentou uma proposta de compra não vinculante pelos créditos da Raízen. Esta iniciativa pode ser uma estratégia da empresa para reestruturar suas dívidas, que somam o total de R$ 64,7 bilhões.
Controle da Braskem e Reestruturação de Dívidas
A IG4 tornou-se controladora da Braskem no final de 2025, após a saída da Novonor, que se desassociou da joint venture com a Petrobras. A intenção de adquirir os créditos da Raízen é centralizar os passivos em uma única entidade, visto que os credores da empresa estão dispersos.
Fontes do mercado informaram ao veículo Valor que a proposta da IG4 se refere à aquisição de 50% mais um dos créditos da Raízen, possibilitando que a gestora se torne a controladora da companhia após a reestruturação financeira. Se essa fatia mínima não for atingida, a oferta não será considerada.
Após a conclusão do processo, a IG4 passaria a gerir o segmento de etanol e açúcar da Raízen. A Shell, por outro lado, não possui interesse em manter essa estrutura, optando por focar somente na distribuição de combustíveis.
Desafios da Recuperação Extrajudicial
A Raízen enfrenta um grande desafio, dado que seu processo de recuperação extrajudicial é o maior da história do Brasil, com uma dívida de R$ 64,7 bilhões. No início do mês, 74,5% dos credores da companhia aprovaram o processo de recuperação.
A proposta inclui um aporte financeiro direto de R$ 3,5 bilhões, com a liderança sendo atribuída à Shell. Além disso, a Aguassanta Participações S/A, da família de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan, pode contribuir com um aporte adicional de R$ 500 milhões, caso decida aderir ao plano.
O modelo de proposta também prevê a conversão de 45% da dívida sujeita a cortes em ações da empresa, enquanto os 55% restantes seriam reperfilados em novos instrumentos financeiros, adequados ao fluxo de caixa previsto.
Venda das Operações na Argentina
Como parte da reestruturação de seus ativos, a Raízen optou pela venda de suas operações de downstream na Argentina para empresas controladas pelo Mercuria Energy Group, em uma transação avaliada em US$ 1,42 bilhão.
Essa transação abrange todos os ativos e participações societárias vinculadas a atividades de refino, distribuição, comercialização de combustíveis, lubrificantes e demais operações correlatas no território argentino.
Mudanças na Braskem
Em dezembro de 2025, a IG4 assumiu o controle da Novonor, antiga Odebrecht, na gestão da Braskem. A troca foi finalizada em abril, e a companhia petroquímica atualmente possui uma dívida estimada em US$ 9,8 bilhões. Além disso, a Braskem está considerando a possibilidade de propor um processo de recuperação extrajudicial para seus credores e acionistas.
A operação de transferência de controle foi realizada com a cedência de ações que pertenciam à Novonor e à NSP Investimentos para o Shine I, um fundo relacionado à gestora Vórtx e assessorado pela IG4. Em contrapartida, o fundo entregou debêntures emitidas pela própria NSP, e o negócio foi formalizado em abril.
Fonte: timesbrasil.com.br