IGP-M: Alta de 0,52% em março devido à pressão da agropecuária e dos preços do petróleo

IGP-M: Alta de 0,52% em março devido à pressão da agropecuária e dos preços do petróleo

by Fernanda Lima
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Avanço do IGP-M em Março

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) voltou a registrar um desempenho positivo em março, alcançando uma alta de 0,52%, revertendo a queda de 0,73% que foi observada em fevereiro. Com essa variação, o indicador acumula um avanço de 0,19% no ano, enquanto apresenta uma retração de 1,83% nos últimos 12 meses. Comparando ao mesmo mês do ano anterior, em março de 2025, o índice havia recuado 0,34%, porém, acumulava uma expressiva alta de 8,58% em 12 meses, evidenciando uma dinâmica inflacionária bastante distinta ao longo do período recente.

Influências Setoriais

Neste contexto do IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) permanece sob forte influência do setor agropecuário. Dentre os principais contribuintes para essa aceleração do índice, destacam-se os preços de bovinos, ovos, leite, feijão e milho. Simultaneamente, o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio começa a impactar os preços dos derivados de petróleo, indicando que essas pressões podem se disseminar por outros segmentos da economia. Apesar de a taxa acumulada em 12 meses permanecer em um patamar bastante baixo, com uma variação de -14,13%, o subgrupo de Produtos Derivados do Petróleo no IPA-M apresentou uma mudança significativa, passando de -4,63% em fevereiro para 1,16% em março de 2026. Essa inflexão sinaliza uma alteração no sinal da variação, sugerindo uma possível reversão da trajetória recente.

De acordo com Matheus Dias, economista do FGV IBRE, esse movimento está associado ao aumento da percepção de risco sobre a oferta global de petróleo, especialmente diante da intensificação do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, o que tem gerado pressão sobre as cotações.

Análise dos Componentes do IPA

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) apresentou uma alta de 0,61% em março, após uma queda de 1,18% em fevereiro, o que indica uma inflexão relevante nos preços no atacado. Dentro dos estágios de produção, os Bens Finais apresentaram um avanço de 0,80%, acelerando em relação ao mês anterior. Os Bens Intermediários tiveram uma alta de 0,32%, enquanto as Matérias-Primas Brutas registraram um aumento de 0,67%, revertendo a forte queda anterior e reforçando a pressão advinda do setor primário.

No segmento de varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) manteve-se estável, apresentando uma alta de 0,30% em março, mantendo o mesmo patamar do mês anterior. Observou-se uma aceleração em grupos como Alimentação, Despesas Diversas, Vestuário, Transportes e Comunicação. Em contrapartida, setores como Educação, Habitação e Saúde apresentaram uma desaceleração ou queda, demonstrando um comportamento mais heterogêneo da inflação ao consumidor.

Especificidades do INCC

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também avançou 0,36% durante o período, ligeiramente acima da alta de 0,34% registrada em fevereiro. Este movimento foi, em grande parte, impulsionado pelo aumento no custo da Mão de Obra, que acelerou para 0,47%. Ao mesmo tempo, os segmentos de Materiais e Equipamentos e Serviços mostraram uma desaceleração, o que indica uma pressão concentrada nos custos relacionados ao trabalho.

Impactos Macroeconômicos

Sob a perspectiva macroeconômica, a reversão do IGP-M tende a influenciar as expectativas inflacionárias no curto prazo, especialmente devido à forte correlação com contratos indexados e custos no atacado. A pressão gerada pela agropecuária e pelos derivados de petróleo pode ser transmitida progressivamente para o consumidor final, o que afeta a dinâmica de juros, câmbio e a percepção de risco do mercado. Esse cenário pode elevar a prudência dos investidores na bolsa de valores, além de impactar a curva de juros e o comportamento do real em relação ao dólar.

Essa série de fatores apresenta uma situação econômica que merece atenção, dado o potencial impacto nos mercados e na economia como um todo.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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