Impacto das Tarifas de Trump sobre Empresas Americanas no Brasil, Afirmou Especialista

Brasil em Negociações Tarifárias com os Estados Unidos

O Brasil se prepara para uma semana decisiva em relação às negociações de tarifas com os Estados Unidos. Até esta quarta-feira, dia 15, o governo norte-americano deverá decidir se aplicará uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação conduzida pela Seção 301.

Avaliação do Professor Arnóbio Durães

Em entrevista ao CNN Money, o professor Arnóbio Durães, da FIA Business School, avaliou que essa medida poderá também ter repercussões para empresas dos próprios Estados Unidos. De acordo com Durães, a investigação foi iniciada há cerca de um ano pelos Estados Unidos e abrangeu temas como comércio digital, tarifas preferenciais concedidas a outros países, combate à corrupção e proteção à propriedade intelectual. A conclusão a que Washington chegou foi de que o Brasil adota práticas consideradas "não razoáveis" em relação a esses tópicos.

Proposta de Tarifa Adicional

Com base nessa avaliação, foi sugerida uma tarifa adicional de 25%, que poderia ser incrementada por uma sobretaxa complementar de 12,5%, resultando em um impacto total que poderia alcançar 37,5%.

Impacto sobre Produtos Brasileiros

Para ilustrar os possíveis efeitos dessa tarifa, Durães apresentou o exemplo de um contêiner de calçados brasileiros, cujo valor é estimado em US$ 100 mil. Com a nova tarifa aplicada, o custo do produto ao importador americano poderia variar entre US$ 125 mil e US$ 137,5 mil.

"Para o importador americano, essa diferença no preço seria muito pesada. É o suficiente para retirar o produto brasileiro das prateleiras, sem dúvida alguma", afirmou Durães.

Os setores que mais enfrentam riscos são os de calçados, especialmente a indústria localizada em Franca, São Paulo, e a indústria pesqueira na região Nordeste do país. Em contrapartida, produtos como carne bovina, café, terras raras, metais e peças de aeronaves foram excluídos da proposta. Segundo o professor, a seleção desses itens está relacionada ao interesse estratégico dos Estados Unidos nesses mercados.

Influência Política na Decisão

Ao ser questionado sobre a relevância das evidências econômicas apresentadas pelo USTR (Representante de Comércio dos Estados Unidos) em comparação aos interesses estratégicos da administração americana, Durães enfatizou que o componente político é frequentemente mais influente.

"Sem dúvida, o peso político é muito mais forte", declarou.

O professor também destacou que essa decisão ocorre em um contexto após a Suprema Corte americana ter derrubado tarifas que haviam sido aplicadas anteriormente via decreto presidencial. Com isso, o governo dos Estados Unidos busca alternativas que possuam uma base jurídica mais sólida, como a Seção 301, que é considerada mais difícil de ser contestada judicialmente.

Cenários Possíveis

Na perspectiva de Durães, existem quatro possíveis desdobramentos para a decisão americana: a aplicação integral da tarifa de 25% ou 37,5%; a implementação parcial da tarifa, com uma alíquota reduzida ou uma lista restrita de produtos afetados; o adiamento da medida como uma estratégia de negociação; ou a suspensão da tarifa condicionada a compromissos assumidos pelo Brasil.

"Na minha visão, o que deverá acontecer é o adiamento ou uma aplicação parcial", afirmou Durães.

Para os exportadores brasileiros, o professor recomendou que tratem essa situação como um risco tributário e aduaneiro. Isso incluiria a revisão da classificação dos produtos, análise da exposição ao mercado americano e simulação de diferentes cenários de custos. Além disso, Durães defendeu a necessidade de diversificação dos mercados brasileiros como uma estratégia para diminuir a dependência das exportações para os Estados Unidos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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