Impacto do Acordo entre Mercosul e União Europeia
O acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia está previsto para gerar efeitos comerciais significativos para o Brasil, embora esses impactos sejam esperados para o médio prazo. Inicialmente, o efeito do acordo deve ser limitado devido à estipulação de cotas que restrigem a entrada de produtos agrícolas isentos de impostos no mercado europeu.
Análise do Bradesco
Esta avaliação é apresentada em um relatório elaborado pelo departamento de pesquisa econômica do Bradesco. O estudo examina as condições de compra e venda de variados produtos para o mercado europeu, considerando o tratado de livre comércio assinado entre os dois blocos econômicos no último sábado. A expectativa é que haja um aumento na corrente de comércio como resultado do acordo, mas os efeitos não devem ser sentidos em curto prazo.
Os analistas do Bradesco apontam que o acordo estabelece longas transições para a redução de tarifas entre os blocos. Além disso, é importante destacar que os parlamentares europeus enviaram o tratado do Mercosul para revisão jurídica, o que poderá influenciar o andamento do processo.
Produtos Exportados pelo Brasil
De acordo com o relatório do Bradesco, os principais itens que o Brasil exporta para o bloco europeu incluem petróleo e café em grãos. Esses produtos, resalta o estudo, já apresentam tarifas zeradas quando acessam o mercado europeu. Outros produtos agrícolas, que desempenham um papel importante nas exportações brasileiras, também terão tarifas zeradas, porém dentro de determinadas cotas estabelecidas pelo acordo.
A soja, uma das principais commodities exportadas pelo Brasil, já se beneficia de isenção de tarifas e cotas para entrar na Europa. Os analistas do Bradesco ressaltam que, portanto, o novo acordo não traz mudanças estruturais significativas em termos de competitividade e volume de exportações relativas a esse produto.
Análise do Setor Sucroalcooleiro
No que diz respeito ao açúcar, o acordo prevê uma cota anual isenta de tarifas que totaliza 180 mil toneladas. Porém, a partir desse limite, o açúcar brasileiro enfrentará tarifas que são consideravelmente mais elevadas do que as atualmente vigentes, refletindo o fortalecimento do protecionismo europeu em favor de produtores de beterraba sacarina.
Caso a União Europeia ative o mecanismo de salvaguarda, que permite a suspensão de benefícios tarifários em circunstâncias que possam representar um risco para os produtores locais, os analistas do Bradesco acreditam que o impacto sobre os produtores de açúcar no Brasil será de baixa monta. Isso se deve ao fato de que o volume atualmente exportado para a Europa é relativamente pequeno e poderia ser redirecionado sem grandes dificuldades para outros mercados, como o asiático.
Fonte: www.moneytimes.com.br


