Desenvolvimentos no Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou, no sábado (23), que a paz com o Irã está próxima e que o Estreito de Ormuz será reaberto. Contudo, a postura do Irã em relação à reabertura total do Estreito se mantém rígida, considerando-o uma de suas principais armas de pressão durante a guerra.
Com a possibilidade do fim do conflito e a iminente reabertura do Estreito, surgem questionamentos sobre o que ocorrerá em seguida, e quando os preços do petróleo poderão retornar aos níveis anteriores ao início da guerra. Entretanto, a verdade é que não há uma resposta clara para essas indagações.
Desafios para a Reabertura do Estreito
Primeiramente, cerca de 166 petroleiros que estão presos no Golfo Pérsico precisam sair com uma carga aproximada de 170 milhões de barris de petróleo, conforme informações de Matt Smith, analista-chefe de petróleo da Kpler. Essa movimentação abrirá espaço para que novos petroleiros entrem no Estreito, carreguem e saiam.
Victoria Grabenwöger, analista sênior de petróleo da Kpler, aponta que o retorno à capacidade total de transporte de petroleiros poderá levar até três meses. O segundo fator a ser considerado é a necessidade de redução dos estoques de petróleo.
A boa notícia nesse contexto é que as refinarias demonstraram ser pragmáticas em relação ao armazenamento dos barris de petróleo e evitaram encher completamente seus estoques. Isso, por sua vez, deve diminuir o tempo necessário para reiniciar as operações de bombeamento. No entanto, estoques que estão acima do normal ainda representarão um atraso na retomada da produção de petróleo a sua capacidade total.
Produção e Infraestrutura
O terceiro aspecto a ser considerado é o recomeço da produção. Grande parte dos poços de petróleo no Oriente Médio foram amplamente fechados durante a guerra. Reiniciar essa produção não é uma tarefa simples. Trata-se de um desafio técnico complexo que abrange questões de física e mão de obra, podendo levar várias semanas para ser realizado.
Além disso, a produção precisará ser reiniciada de forma gradual, a fim de garantir que os reservatórios de petróleo bruto não sofram colapsos, o que exigiria perfuração adicional e reparos significativos. A injeção de água e gás nos poços também necessitará de um reequilíbrio delicado.
Dada a proximidade dos poços na região, a coordenação entre as diferentes empresas e países se tornará vital para manter a pressão da água e gás injetados de forma uniforme nos diversos poços.
Por fim, o quarto ponto essencial refere-se aos reparos. Diversas refinarias, instalações de produção de gás natural e algumas plataformas de petróleo foram danificadas durante o conflito no Oriente Médio. De acordo com reportagens, algumas empresas petrolíferas indicaram que os reparos na infraestrutura crítica que foi danificada podem levar anos para serem completados.
Persistência das Complexidades
Todo esse cenário parte do pressuposto de que a guerra tenha, de fato, chegado ao fim e de que não ocorram mais interrupções no Estreito. No entanto, os últimos meses foram marcados por promessas de paz que se mostraram incertas, o que levou os negociadores a manter os preços do petróleo em patamares elevados. Por exemplo, em 18 de abril, o Irã concordou em reabrir o Estreito, mas poucas horas depois alegou que os Estados Unidos e Israel haviam violado o acordo, resultando em novos ataques a navios que tentavam atravessar a região.
Adicionalmente, as empresas de navegação precisarão confiar na segurança das rotas de transporte pelo Estreito. As seguradoras, por sua vez, aumentaram significativamente os preços dos seguros marítimos, chegando a milhares de pontos percentuais, podendo não estar dispostas a oferecer coberturas acessíveis enquanto a situação continuar instável.
Expectativa em Relação aos Preços do Petróleo e Gasolina
Os contratos futuros do petróleo Brent encerraram o dia em pouco mais de US$ 100 por barril na sexta-feira (22). De acordo com analistas do JPMorgan, que projetam que o Estreito seja reaberto no início de junho, a expectativa é de que o petróleo mantenha uma média de US$ 97 por barril pelo restante do ano. Historicamente, para que o preço da gasolina chegue a US$ 3 por galão, o Brent precisa estar na faixa de US$ 60, conforme apontado por Michael Green, estrategista-chefe da Simplify Asset Management.
Atualmente, o mercado futuro não prevê que isso ocorra antes de 2032. Além disso, o Irã já contestou a declaração de Trump sobre a possibilidade de que os navios voltem a transitar livremente pelo Estreito.
A agência de notícias estatal iraniana Fars relatou que, embora o Irã tenha concordado em permitir o aumento do número de embarcações que passam pela região até níveis anteriores à guerra, isso não deve ser interpretado como um retorno à “livre passagem” que existia antes do conflito.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br