Declarações de Romeu Zema sobre o cenário eleitoral
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo, Romeu Zema, comentou que o escândalo do Banco Master torna o ambiente eleitoral mais desafiador para a direita. Zema afirmou que eleger Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência provavelmente resultará em mais quatro anos de mandato para Lula (PT).
“Se em 2022 já foi difícil para a direita, esse escândalo (do Banco Master) torna tudo ainda mais complicado. Em 2022, não enfrentamos situação semelhante. Estou preocupado que possamos entregar, novamente, essa eleição à esquerda. As pesquisas recentes mostraram que os eleitores de Flávio (Bolsonaro) estão propensos a entregar a eleição a Lula”, declarou Zema. Ele participou, nesta segunda-feira, 25, de um encontro promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), realizado em São Paulo.
Resultados de pesquisa e expectativas de Zema
Na última pesquisa realizada pelo Datafolha e divulgada na sexta-feira, Lula registra 47% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 43%. Na rodada anterior, realizada uma semana antes, ambos estavam empatados com 45% dos votos. Com as recentes revelações relacionadas à produção do filme Dark Horse, Lula viu suas intenções de voto aumentarem, enquanto Flávio viu uma diminuição.
O círculo próximo a Zema avalia que um candidato da direita, que não tenha uma elevada taxa de rejeição e que não esteja associado ao escândalo do Banco Master, teria melhores probabilidades de vencer Lula no segundo turno. No Datafolha, Flávio Bolsonaro apresenta 46% de rejeição, enquanto Lula tem 45%.
Críticas de Zema a Flávio Bolsonaro
No evento da Amcham, Zema continuou a adotar uma postura crítica em relação a Flávio Bolsonaro, com quem era aliado antes das revelações dos áudios. O pré-candidato do Partido Novo reiterou que, apesar de residir na mesma cidade que Daniel Vocaro, a quem chamou repetidamente de “banqueiro bandido”, nunca se reuniu com ele nem recebeu solicitações para tal.
“Assombração sabe para quem ela vai aparecer e bater na porta”, comentou o pré-candidato, fazendo alusão ao seu adversário. “Para mim, quem se aproxima do banqueiro bandido é um mau sinal. Gambá cheira gambá, ouvi isso no interior. Não acredito que parentes sejam a solução para os problemas. Prefiro contar com pessoas competentes e não com a ideia de que ‘parente é quem resolve’. Quando a situação envolve companheirada ou parentada, as coisas se complicam”, disse Zema.
Posição de Zema em relação ao apoio a Flávio Bolsonaro
Embora tenha feito duras críticas à aproximação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, Zema afirmou que manterá seu apoio ao senador em um eventual segundo turno contra o PT. Ele também se disse aberto ao diálogo com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Zema relatou que Flávio tentou contatá-lo após as revelações do site Intercept Brasil, mas houve um desencontro e a conversa não ocorreu. “Sempre haverá abertura ao diálogo. O que não concordo é com quem se aproxima de criminosos. Isso é algo que sempre abominarei; nunca aceitarei. Pessoas que se cercam de criminosos são, para mim, motivo de grande desconfiança”, afirmou.
O pré-candidato de Minas minimizou a doação do pai de Vorcaro ao Partido Novo em 2022, questionando se, quatro anos atrás, alguém tinha ouvido falar do escândalo do Banco Master, que veio à tona apenas no ano passado. “Ele doou, assim como outras milhares de pessoas que contribuíram com o Partido Novo”, respondeu Zema.
Comentários de Caiado sobre a união da centro-direita
Enquanto Zema condenou a relação de Flávio com Vorcaro, o governador de Goiás, Caiado, decidiu não adotar um tom hostil em relação ao senador. Ele se definiu como alguém que não é “oportunista” e defendeu a união da centro-direita para enfrentar o PT. Caiado também estava presente no evento promovido pela Amcham.
“Não sou oportunista. Não realizarei pré-julgamentos. O que é mais relevante no Brasil, neste momento, é não jogarmos o jogo que o PT deseja. Precisamos manter a união e a consolidação da centro-direita para derrotar o PT no segundo turno. Esse é o nosso objetivo”, afirmou Caiado em entrevista a jornalistas. Ele acrescentou que o candidato que conseguir avançar para o segundo turno deverá receber o apoio dos demais para enfrentar o PT.
Avisos sobre a governabilidade e a estatura moral do próximo presidente
Caiado reiterou, em várias ocasiões, que o Brasil enfrenta uma “desordem institucional”. Para ele, a governabilidade do Executivo “dependerá da estatura moral do próximo presidente da República”.
Quando questionado sobre se Flávio possui a estatura moral para assumir a função, Caiado respondeu que “essa decisão caberá ao eleitor” e destacou que, até o momento, os argumentos apresentados por Flávio para justificar suas conversas com Vorcaro “não foram convincentes”.
Críticas ao STF
Tanto Caiado quanto Zema dedicaram parte de seus discursos a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF). O governador de Goiás defendeu que a Corte deva tomar uma decisão interna para afastar ministros que estejam envolvidos em denúncias sobre suas próprias trajetórias.
Zema sugeriu a adoção de uma idade mínima de 60 anos para os ministros, além de acabar com decisões monocráticas em assuntos relevantes e alterar o critério de indicação dos integrantes da Corte, utilizando uma lista tríplice com nomes apresentados por instituições.
“Para que possamos avançar e desenvolver, o Supremo deveria ter a condição de fazer mudanças internas. Isso pouparia o país de um processo de crise”, afirmou Caiado.
Zema, por sua vez, declarou: “O Supremo sempre foi um porto seguro, um poder moderador no Brasil, mas, nos últimos 15 anos, tornou-se um incendiário”.
Fonte: www.moneytimes.com.br