Stellantis e sua Reestruturação Estratégica
Declarações do CEO
O CEO da Stellantis, Antonio Filosa, anunciou na última sexta-feira que a montadora pretende seguir em frente como uma única empresa, em meio a especulações sobre a possibilidade de vender marcas ou dividir a companhia após resultados decepcionantes. Durante uma coletiva de imprensa, Filosa, originário da Itália, afirmou: "A Stellantis é uma empresa global muito forte, que se orgulha de ter grupos regionais muito profundos. Faz todo o sentido permanecer unida. Queremos permanecer juntos por muitos anos."
Reestruturação Financeira
As declarações de Filosa foram feitas poucas horas depois que a empresa anunciou 22 bilhões de euros (equivalentes a 26 bilhões de dólares) em encargos relacionados a uma reestruturação de negócios. Essa reestruturação inclui uma redução nos planos de eletrificação e a reintrodução de motores V8 em modelos nos Estados Unidos. Filosa descreveu essas ações como um "importante reinício estratégico de nosso modelo de negócios, com a única intenção de colocar as preferências de nossos clientes de volta no centro de nossas operações globais e em cada uma de nossas regiões." Ele acrescentou que a "missão é crescer" após quedas notáveis na participação de mercado nos últimos anos.
Desempenho das Ações
Às 8h30 (horário do leste), as ações da Stellantis apresentavam uma queda superior a 20% no mercado de Milão e também no pregão pré-mercado de Nova York. Filosa afirmou que não descartou a possibilidade de um enfraquecimento regional ou uma redução no vasto portfólio da companhia, que inclui 14 marcas automotivas. Esse portfólio conta com marcas dos Estados Unidos, como Jeep, Ram e Chrysler, além de nomes italianos como Fiat e Alfa Romeo, que enfrentaram dificuldades em seus desempenhos no mercado local.
Foco em Produtos e Tecnologia
"Queremos realmente gerenciar nossas marcas no sentido de oferecer a elas os produtos e a tecnologia que nossos clientes, que agora estão no centro de nosso reinício estratégico, nos dirão que desejam e necessitam," destacou Filosa. Ele também informou que mais informações sobre os planos da empresa serão divulgadas durante o dia de investidores programado para 21 de maio.
Encontro com Revendedores
O anúncio da última sexta-feira ocorreu dias após executivos da Stellantis terem se reunido com revendedores franquia dos Estados Unidos na conferência anual da Associação Nacional de Revendedores de Automóveis. Durante esse encontro, a mensagem transmitida foi de que a montadora planejava aumentar as vendas em sua gama de marcas nos Estados Unidos, segundo relatos de dois revendedores presentes.
Encargos de 26 Bilhões de Euros
Relação com Mudanças Estratégicas
A maior parte dos encargos anunciados na última sexta-feira, somando 14,7 bilhões de euros (equivalentes a 17,3 bilhões de dólares), está relacionada ao realinhamento dos planos de produtos com as preferências dos consumidores e novas regulamentações de emissões nos Estados Unidos. Outros encargos abrangem 2,1 bilhões de euros (2,5 bilhões de dólares) na reestruturação da cadeia de suprimentos de veículos elétricos, 4,1 bilhões de euros (4,8 bilhões de dólares) em custos de garantia e 1,3 bilhão de euros (1,5 bilhão de dólares) na reestruturação das operações na Europa.
Cancelamento de Dividendos
A montadora também anunciou o cancelamento de sua distribuição de dividendos para 2026 e a emissão de um título híbrido não conversível no valor de 5 bilhões de euros (5,9 bilhões de dólares).
Comparação com Concorrentes
Os encargos relacionados aos veículos elétricos da Stellantis seguem os exemplos da General Motors e da Ford, que também anunciaram gastos bilionários semelhantes devido a uma redução em seus planos para veículos totalmente elétricos. Em contrapartida, as ações da Ford e da GM não sofreram quedas tão acentuadas quanto as da Stellantis, que divulgou uma orientação abaixo do esperado após anos de problemas estratégicos.
Expectativas Futuras
A Stellantis antecipou uma perda líquida para 2025. Para 2026, o gigante automobilístico almeja um aumento pertinho de um dígito na porcentagem de receita líquida, além de um incremento de baixa de um dígito em sua margem de lucro operacional ajustada. O analista Tom Narayan, da RBC Capital Markets, comentou que, embora os encargos fossem esperados, o valor ficou acima das estimativas para a Ford (19,5 bilhões de dólares) e para a GM (7,6 bilhões de dólares). Narayan prevê que as ações da Stellantis devem continuar a sofrer um impacto significativo.
Erros do Passado
Na última sexta-feira, Filosa apontou erros cometidos por líderes anteriores da empresa, algo que não havia feito com frequência desde que assumiu o cargo de CEO em junho. Carlos Tavares, seu predecessor, foi demitido em dezembro de 2024 após desavenças com o conselho da Stellantis. Em um livro publicado no passado, Tavares mencionou que as operações na França, Itália e Estados Unidos poderia precisar ser divididas, diante da pressão dos principais acionistas.
Contexto da Formação da Empresa
A Stellantis foi formada há pouco mais de cinco anos por meio de uma fusão de 52 bilhões de dólares entre a montadora italo-americana Fiat Chrysler e o grupo francês PSA, no dia 16 de janeiro de 2021. A fusão criou a quarta maior montadora do mundo em termos de volume, mas a empresa tem enfrentado problemas significativos em anos recentes, ligados a investimentos em veículos elétricos, à ênfase em lucros em detrimento da participação no mercado e a cortes de custos que afetaram o desenvolvimento de produtos.
Queda nas Vendas Globais
As vendas globais da Stellantis sob a gestão de Tavares caíram em 12,3%, passando de 6,5 milhões em 2021 — ano da formação da empresa — para 5,7 milhões em 2024. Isso incluiu uma queda de aproximadamente 27% nos Estados Unidos nesse mesmo período, totalizando 1,3 milhão de veículos vendidos. A montadora passou da quarta posição nas vendas nos Estados Unidos para a sexta, reduzindo sua participação no mercado de 11,6% para 8% durante esse intervalo. A participação de mercado global da Stellantis diminuiu de 8,1% em 2020 para uma estimativa de 6,1% no ano passado, de acordo com a S&P Global Mobility.
Fonte: www.cnbc.com


