Intel e a Inteligência Artificial
Intel se consolidou como uma importante referência no setor de inteligência artificial, e Jim Cramer afirmou que os investidores devem possuir ações da empresa. Durante a reunião matinal de quinta-feira, Cramer aconselhou: “Se você não possui Intel, por favor, compre”. Ele elogiou a fabricante de chips, que está se tornando cada vez mais essencial para a construção de data centers voltados para IA. Cramer destacou que a Intel é agora seu nome favorito no setor de chips, afirmando: “Intel é meu número um, não é a Nvidia”.
A Situação de Nvidia e Intel
Cramer argumentou que a Nvidia, líder na fabricação de chips para IA, se tornou uma fonte de recursos para investidores que buscam levantar capital antes da oferta pública inicial da SpaceX, prevista para a próxima sexta-feira. Já em relação à Intel, essa não é a situação. As ações da Intel tiveram uma valorização de quase 8% na quinta-feira, após uma elevação significativa na classificação por parte do Bank of America. O banco classificou a ação de "venda" para "compra", além de aumentar seu preço-alvo de R$ 96 para R$ 135.
Fatores que Contribuíram para a Valorização
Os analistas justificaram essa mudança de posição com base em uma confiança crescente nas oportunidades da Intel de capitalizar sobre os gastos em IA. Isso ocorre por meio de duas frentes: sua atuação com unidades centrais de processamento (CPUs) e sua operação de fabricação de chips sob contrato, conhecida como Intel Foundry. Essas duas razões levaram o clube de investimentos a iniciar uma posição na empresa na semana passada, estabelecendo um preço-alvo de R$ 140 por ação.
As ações da Intel, assim como as de outros fabricantes de chips para IA, enfrentaram uma onda de vendas nos dias anteriores. Com os ganhos de quinta-feira, a Intel retornou ao patamar próximo de R$ 115, ligeiramente acima do preço de compra inicial em 3 de junho. O clube também ampliou sua posição comprando a R$ 101,80 em 5 de junho.
Projeções para o Futuro
O Bank of America agora prevê que as vendas dos CPUs de servidores da Intel alcancem R$ 40 bilhões até o ano-calendário de 2030 — uma Meta bastante otimista em comparação com a expectativa de consenso. Wall Street atualmente calcula que o segmento de data centers e IA da Intel gerará R$ 32,5 bilhões em 2030, com a grande maioria dessa receita vinda de CPUs, de acordo com dados do FactSet. Os analistas estimam que a Intel conseguirá capturar aproximadamente 25% de um mercado total endereçado para CPUs de servidores, avaliado em R$ 170 bilhões, o que representa um aumento em relação à estimativa anterior de R$ 135 bilhões.
O desempenho excepcional da empresa no último trimestre, reportado em abril, serviu como um importante alerta para os investidores, revelando uma demanda crescente por CPUs. Embora as unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia tenham dominado o setor de computação em inteligência artificial durante um longo período, e continuem sendo fundamentais para o treinamento de modelos de IA, a mudança para a fase de inferência diurna — momento em que os modelos de IA respondem a consultas e reagem às demandas dos usuários — faz com que as CPUs se tornem itens cobiçados para data centers. O crescimento dos sistemas de IA autônomos, que são capazes de completar tarefas por conta própria, demanda uma quantidade significativa de CPUs. No mesmo sentido, o clube de investimentos adquiriu ações da Arm Holdings, a qual também se configura como beneficiária dessa mudança.
Concorrência e Parcerias no Setor
O Bank of America elevou ainda mais suas expectativas para a Arm, aumentando o preço-alvo de R$ 245 para R$ 335. A divisão de fabricação de chips da Intel está se posicionando cada vez mais como uma alternativa para aliviar os gargalos na cadeia de suprimentos. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., a maior fabricante contratada de chips, opera atualmente em plena capacidade, e expandir sua presença no mercado requer tempo. O Bank of America vê oportunidades em crescimento para a Intel Foundry se firmar como uma alternativa à TSMC.
A parceria recente entre a Intel e a Cadence Design Systems, focada no próximo processo de fabricação 14A da empresa, também melhora a confiança do Bank of America na viabilidade de longo prazo desse negócio. A Cadence desenvolve ferramentas de software complexas utilizadas por engenheiros no design de chips. Lip-Bu Tan, atual CEO da Intel, atuou como CEO da Cadence de 2009 a 2021. Desde que Tan assumiu a função em março de 2025, a Intel Foundry estava em uma situação desafiadora e afetava negativamente a lucratividade da empresa. Tan priorizou a melhoria da qualidade de fabricação e informou a Jim na última mês que o negócio está ganhando impulso real na busca por clientes externos.
Conquistas e Desafios da Intel
Algumas conquistas da Intel Foundry podem incluir serviços de fabricação e embalagem para empresas como Apple, MediaTek, e o projeto Terafab de Elon Musk, entre outros. O Wall Street Journal noticiou no mês passado que a Intel e a Apple chegaram a um acordo preliminar. Em abril, a Intel anunciou sua adesão à iniciativa Terafab. Desde que Tan assumiu a liderança na Intel, "acredito que houve uma crescente confiança na capacidade da Intel de executar, e isso vem em um momento em que a indústria de semicondutores enfrenta muitas restrições de suprimentos”, afirmou o analista Vivek Arya, do Bank of America, em entrevista ao CNBC na quinta-feira.
O grande risco, de acordo com Arya, é se a Intel consegue manter um nível de entrega comparável ao da TSMC, que “não é tarefa fácil”. Em última instância, a Intel é uma resposta importante para a resolução das restrições de fabricação e pode se tornar um jogador muito relevante no mercado de CPUs para servidores autônomos. Jim expressou confiança em Tan, mencionando: “Lip-Bu Tan é um trabalhador milagroso, e eu o apoio totalmente”. Ele acrescentou: “As ações devem subir dramaticamente”.
Jim Cramer possui ações da Intel (INTC) e Arm. Para os assinantes do CNBC Investing Club com Jim Cramer, são enviadas notificações de operações antes de Jim realizar qualquer negociação. Jim aguarda 45 minutos após enviar o alerta de negociação antes de comprar ou vender ações de sua carteira. Quando Jim discute uma ação na CNBC TV, ele espera 72 horas após emitir o alerta de negociação antes de executar a transação.
Fonte: www.cnbc.com