Irã ameaça romper cessar-fogo e mantém Estreito de Ormuz fechado para petroleiros amid os ataques ao Líbano – Times Brasil

Cessar-fogo entre EUA e Irã

O cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã completou mais de 12 horas nesta quarta-feira, dia 8, sem que o tráfego no Estreito de Ormuz tivesse sido restabelecido. O Irã impõe condições unilaterais para a passagem de navios, cobrando pedágio em criptomoeda e realizando inspeções em cada embarcação, o que, na prática, limita o acordo que deveria reabrir a passagem por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

Reações do Irã e EUA

O Irã declarou que poderá abandonar o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos caso Israel continue a violá-lo por meio de ataques ao Líbano. Uma fonte informada revelou à agência de notícias semioficial iraniana Tasnim que “o Irã se retirará do acordo se as violações do cessar-fogo pelo regime sionista continuarem”.

Conforme reportado pela Al Jazeera, a fonte ainda disse que Teerã está reavaliando a situação em meio às chamadas “contínuas violações israelenses” relacionadas a ataques no Líbano. Os Estados Unidos, por sua vez, aceitaram uma suspensão dos combates em todas as frentes, incluindo contra a “resistência islâmica” no Líbano, em decorrência de um plano para um cessar-fogo com duração prevista de duas semanas.

Divergências entre as partes

A postura do Irã contrasta com a posição de Washington. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira que “o estreito está aberto”. O presidente Donald Trump também se manifestou nas redes sociais, destacando que os EUA vão contribuir para aumentar o tráfego no Estreito de Ormuz, enquanto no campo prático, o fluxo de navios apresenta uma realidade diferente.

Navegação após o cessar-fogo

Na manhã de hoje, embarcações começaram a cruzar a via marítima após o acordo de cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, de acordo com informações do monitor marítimo MarineTraffic. O cargueiro de bandeira grega NJ Earth atravessou o Estreito às 8h44 (UTC), enquanto o Daytona Beach, de bandeira liberiana, fez o percurso mais cedo, às 6h59 (UTC), após sair do porto iraniano de Bandar Abbas às 5h28.

Regras de passagem

O Irã pretende exigir que empresas de navegação paguem pedágios em criptomoeda como condição para permitir a passagem de petroleiros. Segundo reportagem publicada pelo Financial Times nesta quarta-feira, essa exigência foi anunciada por um porta-voz da união de exportadores de produtos petrolíferos iranianos. Cada embarcação que passar pela região também será submetida a inspeções minuciosas para verificar a presença de armamentos.

Um executivo do setor de seguros marítimos, que optou por não se identificar, apontou que a possibilidade de cobrança elevada de pedágios é um dos principais obstáculos para a normalização do tráfego na região.

Condições que restringem o acordo

O governo iraniano condicionou a passagem ao que ele chamou de “coordenação com as Forças Armadas iranianas e à observância de limitações técnicas”. Essa ressalva, apresentada logo após o anúncio do cessar-fogo, gerou incertezas no setor marítimo e levantou dúvidas sobre a real efetividade do acordo como uma reabertura do tráfego ou se trata-se apenas de uma formalidade.

O serviço de rastreamento MarineTraffic confirmou que, desde o início do cessar-fogo, apenas dois navios atravessaram o estreito: o NJ Earth e o Daytona Beach. Ambos são graneleiros de carga seca e não petroleiros, o que limita o impacto dessas movimentações no mercado de energia.

Tráfego em Ormuz

Antes do início do conflito, entre 100 e 120 embarcações comerciais, na sua maioria petroleiros, atravessavam diariamente o Estreito de Ormuz, de acordo com dados fornecidos pela Kpler. Contudo, com os ataques iranianos a navios comerciais, o número de transferências caiu drasticamente, com poucos barcos cruzando a região.

Na semana de 30 de março a 5 de abril, 72 embarcações realizaram o percurso, sendo essa a semana mais movimentada desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. No entanto, esse número ainda representa uma queda de 90% em relação ao volume normal, conforme informações da Lloyd’s List. Aproximadamente 80% das embarcações que cruzaram a região possuíam vínculos com o Irã, enquanto 13% eram de propriedade chinesa.

Expectativas para o futuro

O analista de petróleo da Kpler, Matt Smith, sugere que o número de travessias deve seguir restrito. “Podemos esperar apenas de 10 a 15 navios, uma vez que o Irã ainda está verificando quem pode passar. Esse ritmo deverá ser semelhante ao observado nos últimos dias”, declarou à CNBC.

Cautela da Maersk

A gigante do transporte marítimo Maersk comemorou o cessar-fogo, mas indicou que não realizará mudanças operacionais, por enquanto. “As informações disponíveis ainda são muito limitadas e estamos trabalhando com urgência para obter mais clareza”, afirmou a empresa em um comunicado.

Como complementação, a Maersk ressaltou que, embora o cessar-fogo possa criar novas oportunidades de trânsito, ainda não há plena certeza em termos de segurança marítima, além de ser necessário compreender todas as condições que possam estar eventualmente ligadas ao acordo. Neste cenário, centenas de embarcações continuam paradas na região, efetivamente retidas desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.

Fonte: timesbrasil.com.br

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