Seis meses atrás, em uma publicação na rede social Truth Social, o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos implementariam cortes nas exportações essenciais para a China e aumentariam as tarifas sobre produtos chineses a 100%.
Atualmente, os Estados Unidos enfrentam uma ameaça econômica proveniente do Irã, semelhante à que lidaram no ano passado com a China.
Trump manifestou que tomaria medidas de forte retaliação contra o Irã, caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz, uma passagem fundamental onde, em condições normais, transita cerca de 20% do petróleo bruto mundial. Em um comunicado feito no domingo, 12, Trump intensificou suas afirmações, afirmando que a Marinha dos Estados Unidos bloquearia o Estreito.
Além do trágico número de vidas perdidas até agora, a guerra no Oriente Médio está impactando também a economia global.
Ameaças Tarifárias
No decorrer do último ano, Donald Trump fez diversas ameaças a vários parceiros comerciais, com níveis variados de eficácia.
Após aumentar as tarifas sobre a China no ano passado, o governo chinês respondeu ao restringir as exportações de minerais de terras raras, que são fundamentais para uma ampla gama de eletrônicos. Essa retaliação afetou empresas, consumidores e até mesmo as Forças Armadas americanas.
Como resultado, Trump acabou cedendo e diminuiu as tarifas, em troca de um compromisso da China para reabrir o comércio de terras raras.
De maneira similar, o Irã utiliza seu controle sobre o Estreito de Ormuz como a única ferramenta de pressão que possui contra os Estados Unidos, buscando evitar uma guerra prolongada e forçar o país a sentar-se à mesa de negociações.
Contraponto Econômico do Irã
O controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz lhe confere uma vantagem significativa na atual guerra; embora suas forças armadas e lideranças tenham sofrido grandes perdas, o país ainda mantém uma influência econômica significativa sobre os Estados Unidos e o mundo.
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, comentou em uma postagem no X, alertando sobre a atual situação dos preços da gasolina: “Aproveitem o preço atual da gasolina. Com o que está sendo chamado de ‘bloqueio’, vocês logo sentirão falta da gasolina a US$ 4 ou US$ 5”, declarou.
Na segunda-feira, 13, teve início o bloqueio das forças americanas contra os navios que entram e saem dos portos iranianos, incluindo o Estreito de Ormuz. Essa ação pode afetar as vendas de petróleo do Irã e os pedágios que financiam sua guerra contra os Estados Unidos.
Entretanto, as vendas de petróleo bruto iraniano, que giram em torno de 2 milhões de barris por dia, têm um papel importante em manter os preços do petróleo relativamente estáveis.
Caso o mercado acredite que a guerra se prolongará por semanas ou meses, os preços do petróleo podem rapidamente ultrapassar US$ 120, aproximando-se de máximas dos últimos quatro anos, segundo Homayoun Falakshahi, analista-chefe de pesquisa de petróleo bruto da Kpler.
Além disso, os consumidores americanos podem enfrentar custos mais altos. De acordo com a Moody’s Analytics, uma típica família americana está gastando atualmente US$ 233 a mais por mês com os mesmos bens e serviços em comparação ao ano anterior, devido ao aumento dos preços dos combustíveis.
Embora os preços da gasolina tenham mostrado uma tendência de queda nos Estados Unidos, uma nova alta é esperada em decorrência do bloqueio. Joe Brusuelas, economista-chefe para os EUA da RSM, observou que uma situação semelhante pode ocorrer com os preços do diesel e do querosene de aviação.
Por fim, os riscos de inflação continuam apresentando uma trajetória de elevação.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br