JP Morgan aponta alternativas mais vantajosas para acionistas minoritários após desistência de Porto e Fleury

Encerramento das Negociações

O prazo de negociação para uma operação entre a Oncoclínicas (ONCO3), Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3) se encerrou no último domingo, dia 12, com as duas últimas empresas desistindo de uma possível capitalização na rede de oncologia. Apesar dessa desistência, o banco JP Morgan acredita que opções mais favoráveis para os acionistas minoritários ainda estão sendo discutidas.

Contexto das Negociações

Para contextualizar, durante esse período, ocorreu um intervalo de 30 dias dedicado a negociações exclusivas entre as mencionadas empresas. Neste lapso, a Oncoclínicas sofreu significativas mudanças em seu conselho, entrou com um pedido de medida cautelar contra seus credores e anunciou que os acionistas pré-IPO, Centaurus e Josephina III, estavam diminuindo suas respectivas participações.

Na perspectiva dos analistas do JP Morgan, a saída de Fleury e Porto Seguro das negociações não foi uma surpresa, considerando as incertezas que envolvem a Oncoclínicas. A destituição do conselho e a iminente eleição de novos membros criaram uma instabilidade significativa em relação a um potencial investimento estratégico dessas companhias.

Os analistas pontuam que “a transação proposta não deixaria muito valor em termos de patrimônio líquido, se é que deixaria algum, para os acionistas da ONCO3, que correriam o risco de se tornarem acionistas de uma holding insolvente com investimentos ilíquidos em uma subsidiária alavancada”.

Alternativas de Capitalização

Nesse cenário, o banco estrangeiro destaca que ainda existem outras alternativas em discussão que poderiam ser mais vantajosas para os acionistas minoritários, embora essas não resolvam integralmente o problema da alavancagem. A análise do banco sugere que uma possível capitalização deve ocorrer no nível da ONCO3 e que, após os eventos recentes, pode ser necessária uma reestruturação adicional da dívida.

A recomendação do JP Morgan para as ações da Oncoclínicas é de “venda”.

Propostas em Consideração

Apesar do encerramento da potencial operação que envolvia Porto Seguro e Fleury, a Oncoclínicas ainda possui alternativas a serem exploradas. Recentemente, foi divulgado ao mercado que o acionista MAK Capital Fund LP manifestou interesse em injetar aproximadamente R$ 500 milhões na companhia, mas com algumas condições específicas.

No dia 24 de março, a Oncoclínicas confirmou o recebimento de uma oferta não vinculante para financiamento, que inclui propostas do MAK Capital Fund LP, da Lumina Capital Management e da Lumina Fund III GP (conhecidas coletivamente como “Lumina”), no valor de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões.

A operacionalização dessa proposta se daria por meio da criação, pela companhia, de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) e da cessão de R$ 200 milhões de recebíveis ao referido FIDC.

O JP Morgan comenta que a Oncoclínicas realizará uma assembleia de acionistas no dia 30 de abril, onde se espera obter informações sobre a aprovação ou rejeição da oferta da MAK Capital, além de clareza sobre a formação do novo conselho.

Desempenho Financeiro da Oncoclínicas

Na última semana, a Oncoclínicas reportou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025, um aumento significativo em relação às perdas de R$ 759 milhões registradas no mesmo período de 2024.

A companhia também apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, o que representa um recuo de 24% em comparação com o quarto trimestre de 2024.

A receita líquida no quarto trimestre de 2025 também apresentou queda, sendo 12,6% inferior ao registrado no mesmo período de 2024, totalizando R$ 1,37 bilhão.

A Oncoclínicas surgiu no mercado com o foco em tratamentos oncológicos, que configuraram o cerne de seu negócio. Entretanto, após o processo de abertura de capital (IPO) em 2021, a companhia começou a expandir seu foco, incluindo clínicas que realizavam diagnósticos e tratamentos complexos, como radioterapia e quimioterapia.

Estratégia de Expansão

Para promover a continuidade dessa expansão, a estratégia da Oncoclínicas se voltou para a aquisição de hospitais. Contudo, esse movimento não apresentou os resultados esperados, em grande parte devido à falta de expertise em gerir áreas hospitalares além da oncológica.

Como consequência dessa trajetória, a empresa, que chegou a adquirir três hospitais gerais e estava em processo de construção de outros três, passou a enfrentar a deterioração de seus resultados financeiros, um aumento na alavancagem e um elevado consumo de caixa.

Durante esse processo, a companhia se envolveu em diversas capitalizações e sua operação foi apoiada pelo Banco Master, onde parte do caixa da companhia foi aplicada em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco, cuja gestão é feita por Daniel Vorcaro, com o intuito de injetar capital na empresa.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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