Recomendação do JP Morgan para o Assaí
Diante de um mercado desafiador, que apresentou resultados melhores do que o esperado, o JP Morgan decidiu elevar a recomendação para o Assaí (ASAI3), mudando-a de venda para neutra. Além disso, o preço-alvo foi reajustado, passando de R$ 9,50 para R$ 11, o que representa um potencial de 16% em relação ao último fechamento.
Desempenho das Ações
Após o anúncio da nova recomendação, as ações da companhia se destacaram positivamente no Ibovespa (IBOV) durante o pregão de segunda-feira (27). Por volta das 15h30 (horário de Brasília), as ações ASAI3 apresentavam um aumento de 2,76%, sendo cotadas a R$ 9,68.
Contexto do Varejo Alimentar Brasileiro
A equipe de analistas do JP Morgan, sob a liderança de Joseph Giordano, observa que o setor de varejo alimentar no Brasil enfrenta desafios devido à inflação dos alimentos e às altas taxas de juros. Esses fatores têm gerado tendências fracas nas receitas, um ambiente altamente competitivo e, em geral, balanços financeiros alavancados.
Os analistas mencionam que se espera que a inflação dos alimentos continue a acelerar a partir de fevereiro, em contrariedade à previsão anterior, que era para maio. Atingindo um piso em um nível mais alto, essa situação deverá resultar em uma diferença menor em relação à inflação geral no curto prazo.
Expectativas para Juros e Operações
Apesar dos desafios, o ritmo de queda nas taxas de juros deve ser mais lento do que o previamente antecipado. A visibilidade em relação ao cenário de 2027 apresenta riscos, especialmente devido ao ciclo eleitoral que se aproxima. Nas estimativas do JP Morgan, uma inflação de alimentos mais favorável tem o potencial de compensar os riscos associados aos juros no curto prazo, contribuindo para um desempenho operacional mais saudável.
Comparação com Concorrentes
Essas perspectivas são consideradas particularmente positivas para o Assaí. Em contrapartida, o Grupo Mateus (GMAT3) ainda enfrenta dificuldades relacionadas à fraqueza da demanda nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Pão de Açúcar (PCAR3) continua em um processo de recuperação, conforme a análise realizada pelos especialistas do banco.
Revisão de Lucro por Ação
No contexto da nova recomendação dada pelo JP Morgan, o preço-alvo de R$ 11 reflete uma revisão no lucro por ação ajustado, com aumento estimado de +20% e +12% para 2026 e 2027, respectivamente. No entanto, os analistas salientam que essa projeção permanece cerca de 15% e 6% abaixo do consenso do mercado, o que limita uma visão mais otimista em função dos riscos associados às taxas de juros.
Redução nas Estimativas do Grupo Mateus
Em contrapartida, o banco cortou as estimativas para o Grupo Mateus, levando em consideração a pressão contínua sobre suas receitas e a expectativa de uma desalavancagem operacional. O JP Morgan aponta que suas projeções permanecem cerca de 5% inferiores ao consenso do mercado para o lucro líquido nos anos de 2026 e 2027, sustentando, portanto, a recomendação de venda para essa empresa.
Os analistas do JP Morgan ressaltam que o cenário relacionado à inflação de alimentos está em processo de melhora, indicando um potencial para um desempenho operacional superior no curto prazo. Nos últimos dois meses, a inflação dos alimentos superou as expectativas, com os analistas considerando improvável que haja um retrocesso significativo para um cenário negativo no segundo trimestre de 2026.
Expectativas para o Desempenho Operacional
Além disso, a pressão antecipada sobre as vendas e a alavancagem operacional deverá ser menos severa do que se pensava anteriormente. Esse cenário sugere um espaço propício para a melhora do desempenho operacional após o primeiro trimestre de 2026, especialmente no caso do Assaí. Por outro lado, o Grupo Mateus e o Pão de Açúcar ainda enfrentam um momento operacional desafiador.
Desafios para o Varejo Alimentar
De forma geral, os varejistas do segmento alimentar ainda estão lidando com um ambiente operacional complicado. Mesmo com as recentes revisões de previsões, o JP Morgan não espera que a inflação dos alimentos traga resultados favoráveis para vendas e margens, considerando o consumo ainda fraco que é observado no setor neste momento.
Fonte: www.moneytimes.com.br


