Junho marca o segundo mês consecutivo de saída de estrangeiros da Bolsa, mas o ano continua em alta.

Junho marca o segundo mês consecutivo de saída de estrangeiros da Bolsa, mas o ano continua em alta.

by Fernanda Lima
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B3 Registra Saída Líquida de Capital Externo

A B3, bolsa de valores do Brasil, observou uma saída líquida de capital externo pelo segundo mês consecutivo em junho. Os investidores estrangeiros retiraram um total de R$ 7,785 bilhões da Bolsa, reduzindo o saldo positivo de 2026 para R$ 33,847 bilhões. Esse valor representa a metade do recorde de R$ 69,070 bilhões alcançado em 14 de abril. No entanto, ainda assim, o montante é 26% superior ao do mesmo período do ano anterior.

Fatores que Impactam a Saída de Capital

Influências Externas

O fenômeno da saída de capital pode ser atribuído tanto a fatores externos quanto internos. No cenário internacional, as negociações relacionadas ao término do conflito no Irã reacenderam o interesse nos mercados asiáticos. Além disso, houve uma maior atratividade por ativos ligados à tecnologia e à inteligência artificial (IA), áreas muito mais desenvolvidas em países como Coreia do Sul e Taiwan.

Influências Internas

"A queda pela metade está intimamente relacionada à mudança nos fluxos de investimentos, que passaram de ações de valor para ações de crescimento", explica o estrategista-chefe do BTG Pactual, João Scandiuzzi. "As ações brasileiras, em sua maior parte, são de valor: constituem empresas consolidadas, que pagam dividendos, geradoras de lucro e financeiramente sólidas. Contudo, não apresentam o mesmo apelo de crescimento que, por exemplo, o setor de tecnologia oferece", argumenta.

Desempenho do Ibovespa

Devido ao seu substancial envolvimento no setor de commodities, o Ibovespa enfrentou uma queda de 1,1% em junho. Esse movimento foi também impulsionado pela queda de 20% no preço do petróleo durante o mês, uma consequência do cessar-fogo firmado entre os Estados Unidos e o Irã, que resultou em um aumento da oferta da commodity, com a volta das exportações iranianas. Tal cenário resultou na maior perda trimestral dos preços do petróleo desde 2020.

Preocupações com a Política Monetária

As preocupações no cenário local incluem a política de juros. Ao contrário do otimismo que permeava os primeiros meses do ano, quando cortes significativos na taxa Selic eram esperados, a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe perspectivas mais rígidas, sinalizando a possibilidade de não haver cortes nos juros.

Rodrigo Geraldes, responsável pela área de Equities na Bradesco Asset Management, destaca: "No início do ano, tínhamos um cenário bastante claro, que era de um dólar mais fraco em relação ao mundo." Esse quadro foi influenciado por uma combinação de fatores, especialmente a redução de taxas de juros no mercado americano, além de preocupações constitucionais. O Brasil era visto como uma alternativa atraente por sua expectativa de cortes de juros, destacando-se como um dos mercados emergentes com o maior potencial de redução nas taxas.

Expectativas para o Segundo Semestre

Mercado Descontado

Apesar da desaceleração, o saldo de capital estrangeiro até junho de 2026 ainda ultrapassa em 26% aquele registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Para o segundo semestre, o mercado projeta algumas expectativas otimistas em relação ao Ibovespa, incluindo a possibilidade de um retorno de capital estrangeiro. Contudo, essa movimentação dificilmente alcançará o mesmo volume dos R$ 69 bilhões de abril.

Em um relatório recente, o Citi enfatizou que o Brasil parece cada vez mais barato quando comparado a mercados desenvolvidos. O banco observa que o múltiplo de 8,4 vezes o preço sobre lucro projetado do mercado brasileiro representa uma das maiores desvalorizações em relação a países desenvolvidos em muitos anos. Além disso, com a desescalada do conflito com o Irã, a normalização do petróleo e a possibilidade de cortes nas taxas de juros pelo Banco Central, a relação risco-retorno começa a se mostrar mais favorável.

Divergências nas Expectativas de Juros

Entretanto, o mercado permanece dividido a respeito do futuro da política de juros. "As negociações para o término da guerra no Irã proporcionam um certo alívio, mas não devem resultar em mudanças drásticas, tanto aqui quanto fora", ressalta Scandiuzzi, do BTG. "Aqui, enfrentamos um cenário que se complica, com a presença do fenômeno El Niño, além de surpresas relacionadas à inflação, na alimentação e nas indústrias. Uma questão importante é entender quais serão as condições adequadas e quando estarão mais propensas para o ciclo de afrouxamento dos juros, o que, em nossa visão, deverá ocorrer provavelmente no próximo ano."

Incertezas no Horizonte Eleitoral

Uma nova variável a ser considerada é a aproximação das eleições brasileiras em outubro. "Ninguém estará disposto a mostrar apetite por ajustes e observamos uma série de estímulos voltados para a economia, que têm mantido a atividade mesmo em um contexto de juros elevados", afirma Geraldes, da Bradesco Asset. "Embora não acreditamos que o fluxo anual chegue a um ponto de estagnação, também não prevemos mudanças que façam a situação retornar ao nível do início do ano."

Com a colaboração de Camila Vech, Vinícius Novais e Darlan de Azevedo.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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