Os juros elevados nas principais economias oferecem oportunidades para que investidores brasileiros diversifiquem suas carteiras no exterior. Essa análise é de Arley Matos, head de Advisory do Santander, durante entrevista concedida ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
De acordo com Matos, os bancos centrais continuam a adotar uma postura cautelosa em relação à inflação, mesmo em um contexto global de crescimento mais otimista e atividade econômica resiliente, especialmente no caso dos Estados Unidos.
“O combate à inflação progrediu, mas para que esse controle continue, é necessário manter uma taxa de juros elevada”, explicou.
O executivo observou que o cenário atual alterou a perspectiva dos investidores brasileiros sobre o mercado internacional. Durante anos, a renda fixa internacional apresentou taxas próximas de zero. Entretanto, com a elevação das taxas em economias, como a dos Estados Unidos, essa classe de ativos voltou a despertar o interesse dos investidores.
“Surge uma oportunidade de alocação e de diversificação ao falarmos sobre uma carteira de investimento no Brasil”, afirmou Matos.
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Renda fixa, ações e ouro
Segundo o executivo, os investidores que começam a diversificar seus investimentos fora do país frequentemente associam o mercado internacional apenas à renda variável. Entretanto, ele ressalta que há oportunidades em diversas classes de ativos.
No campo da renda fixa, Matos mencionou a importância de considerar títulos soberanos e papéis de crédito de alta qualidade. Em relação à renda variável, destacou a relevância de investir em empresas internacionais, especialmente aquelas vinculadas à inovação tecnológica.
Além disso, o especialista citou ativos reais, como o ouro, que podem servir como proteção para o portfólio de investimentos.
“O ouro pode atuar como uma blindagem, oferecendo proteção para a carteira de investimentos”, afirmou.
Outro aspecto relevante que Matos mencionou foi a exposição ao câmbio. Ele destacou que o dólar permanece uma moeda forte e pode fazer parte da estratégia de diversificação patrimonial.
“Sempre dizemos a importância de ter uma carteira com uma composição que inclua moedas fortes, como o dólar”, concluiu.
Riscos no exterior
Dentre os principais riscos mencionados, Matos destacou a concentração de mercados em poucos ativos, empresas com alta alavancagem financeira e regiões que enfrentam desafios estruturais de crescimento.
O executivo alertou que a concentração em poucas empresas pode distorcer a percepção de valorização em determinados setores. Além disso, empresas que apresentam um nível elevado de endividamento requerem atenção especial, especialmente em um ambiente de juros altos.
Matos também enfatizou o risco de tomar decisões financeiras unicamente com base no desempenho histórico dos ativos.
“A análise deve ir além do histórico de retornos, pois isso não garante que os resultados futuros serão semelhantes”, afirmou.
Ele destacou a necessidade de considerar fatores como prazo, objetivo, região, qualidade dos ativos e perfil de risco do investidor na hora de fazer uma análise mais abrangente.
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Carteira global exige estratégia
Matos destacou que a construção de uma carteira de investimentos global deve iniciar a partir da definição do prazo e do objetivo do investidor. Ele argumentou que estratégias de longo prazo podem ter mais espaço para amadurecer e aproveitar oportunidades do mercado.
Ele também mencionou que investir no exterior ajuda a ampliar as opções disponíveis e a reduzir a dependência de ativos brasileiros.
“Há um leque de oportunidades fora do Brasil que pode potencializar os retornos, ao mesmo tempo em que reduz o risco de uma carteira que está excessivamente concentrada em ativos domésticos”, afirmou Matos.
Além disso, ele ressaltou a relevância de contar com suporte especializado, principalmente para aqueles investidores que não acompanham as dinâmicas do mercado financeiro de maneira constante.
Matos observou que o acesso a investimentos internacionais se tornou mais facilitado nos últimos anos. De acordo com suas observações, atualmente existem fundos no Brasil que permitem aplicações iniciais baixas e oferecem exposição total ao exterior, além de contas internacionais que se tornaram mais acessíveis.
“Hoje, o investidor pode encontrar uma variedade de opções que facilitam esse investimento no exterior”, disse.
Fonte: timesbrasil.com.br

