Investimentos no Café no Distrito Federal
Depois da uva e do trigo, o Distrito Federal direciona seus esforços para o café, com o objetivo de aumentar a produção de grãos de qualidade. A Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF) destinou R$ 1 milhão ao edital Agro Learning, que visa validar a viabilidade comercial a longo prazo da cultura na região do Cerrado e competir com o Sudeste, que atualmente é o líder global no setor.
Área de Cultivo
De acordo com estimativas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), a área cultivada com café na região é ainda bastante reduzida, contabilizando menos de 600 hectares. Esses cultivos estão restritos a locais específicos do Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF), abrangendo regiões como Planaltina, Brazlândia e Lago Oeste.
Produtividade do Café
A produtividade do café na região é considerável, variando de 45 a 60 sacas por hectare, especialmente das variedades arábicas, como Catuaí e Bourbon. Para comparação, a média nacional brasileira é de aproximadamente 30 sacas por hectare. O próximo passo do projeto envolve a análise da qualidade dos grãos, um aspecto que é diretamente influenciado pelo financiamento que é gerido pela professora Lívia de Lacerda de Oliveira, que atua como engenheira de alimentos e é docente da Universidade de Brasília (UnB).
Consórcio Científico
O consórcio científico responsável pela pesquisa é desenvolvido em parceria com a Emater-DF e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com a expectativa de conclusão em dezembro de 2026. A pesquisadora Lívia de Lacerda de Oliveira levanta a questão de por que a região ainda não possui uma identificação sistemática da qualidade dos cafés, considerando que já apresenta uma excelente produtividade.
Protocolo da Specialty Coffee Association
A investigação segue o protocolo internacional da Specialty Coffee Association (SCA), um sistema global que estabelece preços para cafés que obtêm pontuação superior a 80 pontos e são comercializados a valores superiores aos da commodity negociada nas bolsas de valores.
O objetivo da pesquisa é correlacionar a composição dos grãos produzidos em altitudes superiores a 1.000 metros na região do Distrito Federal, explorando fatores que podem aumentar a valorização do produto final.
Dados Climáticos e do Solo
Lívia de Lacerda esclarece que o foco principal do projeto está no cruzamento de dados que envolvem clima, solo, manejo e composição química, além da avaliação sensorial do café. O ambiente geográfico do Planalto Central, que apresenta um verão seco e alta amplitude térmica, contribui significativamente para a qualidade dos grãos produzidos na região.
O controle do estresse hídrico se mostra eficiente, fazendo com que a planta concentre um maior número de sólidos solúveis, resultando em uma bebida com um sabor mais doce e complexo.
Indicação Geográfica
O aspecto comercial do estudo tem como objetivo estabelecer as bases para a criação de uma Indicação Geográfica (IG) própria e de selos de denominação de origem. No mercado internacional, grãos com certificação de origem podem alcançar preços que superam em mais de 50% o valor de leilões eletrônicos de cafés comuns.
Paralelamente, o projeto também investiga a elasticidade da demanda e o comportamento de consumidores de alta renda ao se depararem com novas marcas no mercado. Para que o Distrito Federal se consolide como um polo significativo do setor e ganhe relevância macroeconômica, será crucial que haja uma ampliação na escala de produção e na oferta constante de grãos para exportação.
Fonte: www.moneytimes.com.br


