Os juros futuros observaram uma diminuição nesta sexta-feira, dia 3, com uma queda mais acentuada nas taxas intermediárias e longas. Essa sessão foi marcada por um baixo volume de negócios devido ao feriado antecipado do Dia da Independência nos Estados Unidos.
O movimento de queda foi impulsionado pela desvalorização do dólar, por dados que apontam um desempenho mais fraco da indústria brasileira e por declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, que mencionou uma possível nova intervenção do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos.
No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 apresentou uma queda, passando de 14,043% no ajuste anterior para 14%. O DI com vencimento em janeiro de 2029 recuou para 14,25% na mínima do dia, comparado a 14,398% anteriormente. Por sua vez, o DI para janeiro de 2031 caiu de 14,51% para uma mínima intradia de 14,385%.
Ainda que a queda tenha sido notável na sexta-feira, a curva a termo registrou uma inclinação ao longo da semana, repleta de preocupações fiscais e a percepção de que as chances do atual governo na disputa presidencial de 2026 estão aumentando.
Baixa liquidez amplifica movimento
Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital, ressaltou que parte da diminuição dos juros nesta sexta-feira se deve à baixa liquidez e ao retorno da alta observada na véspera.
“É complicado tirar qualquer conclusão do dia de hoje. A liquidez está reduzida a cerca de um quarto do que é habitual, e ontem a curva apresentou uma abertura significativa”, declarou Campos.
O gestor também chamou a atenção para as declarações de Rogério Ceron, que afirmou à Folha de S.Paulo que o Tesouro está pronto para intervir no mercado, caso essa ação se mostre necessária para preservar a liquidez.
Quando questionado sobre as taxas elevadas dos títulos públicos atrelados à inflação, conhecidos como NTN-Bs, Ceron comentou: “Se for necessário realizar uma recompra significativa, não há problemas. O Tesouro está preparado”.
“Essas declarações direcionam o mercado a se preparar para uma possível intervenção de recompra, o que impacta de maneira positiva o humor do mercado e contribui para a diminuição das taxas”, acrescentou Campos.
Discussão sobre recompra
Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, analisa que o principal desafio atual está situado na curva de juros prefixados, em vez da curva de juros reais.
“O que se percebe é que o apetite por posições em juros está em um nível baixo. Portanto, a atenção deveria se concentrar na curva prefixada. Antes de considerar novos leilões de recompra, o Tesouro deveria apresentar ofertas de prefixados em torno de US$ 500 mil de DV01, e não de US$ 800 mil como ocorreu ontem”, argumentou Goldenstein.
Além das declarações de Ceron, Goldenstein mencionou que ajustes em resposta à pressão de alta do dia anterior, o comportamento favorável do câmbio e os dados da produção industrial que mostram uma desaceleração contribuíram para a redução das taxas de juros.
Fonte: timesbrasil.com.br