Queda nos Juros Futuros
Os juros futuros fecharam em queda na maior parte da curva nesta segunda-feira, 6 de outubro, em um pregão de baixa liquidez, marcado pela redução das expectativas para a inflação de 2026 e pelo recuo do dólar. Enquanto os vencimentos médios e longos apresentaram quedas mais acentuadas, os contratos de curto prazo permaneceram praticamente estáveis, com um leve viés de baixa.
Expectativas do Mercado
De acordo com participantes do mercado, a sessão foi caracterizada pela ausência de gatilhos econômicos relevantes, tanto no Brasil quanto no exterior. Mesmo assim, a melhora nas projeções para a inflação proporcionou uma maior confiança de que o Banco Central poderá usufruir de um espaço adequado para calibrar a taxa Selic nos próximos meses. A valorização do real em relação ao dólar, que apresentou uma queda de 0,71%, juntamente com o comportamento favorável dos títulos do Tesouro americano, também contribuíram para aliviar a curva de juros.
Dados do Mercado
Na B3, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrou a sessão cotado a 13,985%, uma ligeira queda em relação aos 13,998% do ajuste anterior. Para janeiro de 2029, o DI recuou para 14,03%, enquanto o vencimento de janeiro de 2031 caiu para 14,29%. O Boletim Focus revelou uma leve melhora nas expectativas de inflação, com a mediana das projeções para o IPCA de 2026 passando de 5,33% para 5,30%. Para os anos subsequentes, as estimativas tiveram pouca alteração, com previsão de 4,18% para 2027 e 3,70% para 2028. As previsões para a taxa Selic permaneceram inalteradas, fixando-se em 14% para 2026, 12% para 2027, 10,5% para 2028 e 10% para 2029.
Análise de Especialistas
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, observou que indicadores de atividade econômica mais fracos, inflação sob controle e a queda nos preços do petróleo ampliam as chances de um novo corte da Selic em agosto. Contudo, ele destacou que parte do mercado continua cautelosa devido às expectativas de inflação ainda superiores à meta e às incertezas fiscais que persistem.
Volume de Negociações
O volume reduzido de negociações também chamou atenção dos analistas. Segundo Cohn, o mercado ainda estava refletindo o impacto do feriado da Independência dos Estados Unidos, comemorado na última sexta-feira, 4 de outubro, o que contribuiu para uma sessão de menor movimentação.
Expectativas em Relação ao Tesouro
As declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, a respeito de uma possível atuação do Tesouro no mercado de NTN-B perderam força nesta segunda-feira. Na semana anterior, Ceron havia afirmado que o governo estava preparado para realizar novos leilões de recompra de títulos públicos, se necessário, para estabilizar o mercado.
Leilão Programado
Para o leilão programado para esta terça-feira, 7 de outubro, a expectativa é de que o Tesouro mantenha uma oferta reduzida de títulos indexados à inflação, uma estratégia conhecida como “cancelamento branco” entre operadores, com o objetivo de evitar pressões adicionais sobre o mercado.
Cenário Internacional
No cenário internacional, os rendimentos dos Treasuries apresentaram queda novamente nos papéis de dois e dez anos após o feriado nos Estados Unidos. Essa retração reflete uma revisão das expectativas para a política monetária americana, que foram impactadas pela divulgação de dados de emprego abaixo do esperado.
Fonte: timesbrasil.com.br