Juros futuros disparam até 45 pontos-base diante do alerta de inflação.

Juros futuros disparam até 45 pontos-base diante do alerta de inflação.

by Ricardo Almeida
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Aumento na Curva de Juros Futuros no Brasil

A curva de juros futuros brasileira experimentou um aumento significativo nesta última sexta-feira, dia 20, com elevações que chegaram próximas a 45 pontos-base nos vértices de médio prazo. Essa movimentação reflete uma nova onda de aversão a risco no cenário global, onde os investidores estão particularmente preocupados com possíveis choques inflacionários e seus efeitos nas trajetórias de juros ao redor do mundo.

Dados das Taxas de Depósito Interfinanceiro

Por volta das 15h, no horário de Brasília, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, considerada de curtíssimo prazo, subiu para 14,255%, em comparação ao ajuste anterior que era de 14,095%. Em um momento anterior, a taxa alcançou uma máxima de 14,310%, uma alta total de 18 pontos-base.

A taxa do DI para janeiro de 2029, que se refere ao prazo médio, operava em 13,985%, em contraposição ao fechamento anterior, que era de 13,675%. Na máxima intradia, o DI chegou a 14,130%, apontando um aumento de 45 pontos-base.

No que diz respeito ao DI para janeiro de 2036, que é de longo prazo, este estava em 14,010%, comparado a 13,910% no fechamento do dia anterior, após uma alta que também atingiu 23 pontos-base, chegando a um máximo de 14,135% durante o dia.

Movimentações Externas e Juros nos Estados Unidos

Esta tendência de alta local também é observada no exterior. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro, conhecidos como Treasuries, igualmente estão em alta. O yield do Treasury de dois anos – sensível às mudanças na política monetária – subiu para 3,894%, em relação aos 3,833% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos, que serve como referência global para as decisões de investimento, foi de 4,386%, comparado a 4,285% registrado no dia anterior.

Impacto do Conflito no Oriente Médio

Desde o dia anterior, 19, o mercado tem reavaliado as expectativas relacionadas à trajetória dos juros nas principais economias do mundo. Isso ocorre em um contexto de crescente preocupação com novos choques inflacionários, que podem surgir em virtude do conflito no Oriente Médio, que ainda não mostra sinais de um cessar-fogo.

A inquietação dos investidores é reforçada por alertas provenientes dos Bancos Centrais. Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra (BoE) destacou que o conflito na região pode acarretar um aumento da inflação no curto prazo. Alguns membros do Comitê de Política Monetária já têm discutido a possibilidade de um aumento nas taxas de juros em um futuro próximo.

O Banco Central Europeu (BCE) segue uma linha semelhante, informando que o aumento nos preços da energia elevou suas projeções de inflação para a zona do euro em 2026 a 2,6%, ultrapassando sua meta de 2%. Contudo, o BCE adverte que o impacto a longo prazo ainda é incerto.

Expectativas para o Futuro dos Juros nos EUA

Em resposta a esses fatores, o mercado diminuiu as expectativas de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed) neste ano. No início da tarde do dia 20, os traders começaram a considerar julho de 2027 como a data mais provável para um eventual retorno à flexibilização monetária. Antes disso, pela manhã, a previsão era de que setembro do próximo ano seria o período mais adequado.

Com relação à próxima reunião do Fed, que ocorrerá em abril, as apostas ainda indicam a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Entretanto, a ferramenta do CME Group já indica uma possibilidade de 12,4% para um aumento de 0,25 ponto percentual, o que elevaria o Fed Funds para um intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano.

No cenário brasileiro, a curva a termo indicava, na manhã do dia 20, uma probabilidade de 84% para um novo corte de 25 pontos-base na Selic, contrastando com 16% para a manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano. Contudo, alguns participantes do mercado ouvidos pela Reuters expressaram que um corte mais incisivo, de 50 pontos-base, não está inteiramente descartado, especialmente devido à grande incerteza sobre o desenvolvimento da guerra e seus impactos potenciais nos países envolvidos.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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