Juros futuros encerram em queda na expectativa da Super Quarta

Juros futuros encerram em queda na expectativa da Super Quarta

by Ricardo Almeida
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A Curva de Juros Futuros

A curva de juros futuros encerrou as negociações nesta terça-feira, 28, em queda, contrastando com o desempenho dos títulos nos Estados Unidos. Esse movimento ocorreu no contexto da ausência de avanços nas negociações entre os EUA e o Irã e das expectativas para o dia conhecido como “Super Quarta”.

Taxas de Depósito Interfinanceiro

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que se refere a um prazo de curtíssimo prazo, apresentou uma redução de 20 pontos-base, finalizando em 14,115%, comparado aos 14,135% do ajuste anterior.

Por outro lado, a taxa de DI para janeiro de 2029, correspondente ao médio prazo, encerrou as negociações com um valor de 13,580%, em relação a 13,615% registrado no fechamento anterior.

Por fim, a DI para janeiro de 2036, que abrange o longo prazo, terminou o dia em 13,600%, em comparação aos 13,650% do fechamento da última segunda-feira, apresentando uma queda de 5 pontos-base.

Movimentos no Mercado dos EUA

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro, conhecidos como Treasuries, registraram alta. O rendimento do Treasury de dois anos, que é mais sensível à política monetária, chegou a 3,838%, superando os 3,805% do ajuste anterior. Em contraste, o retorno do título de dez anos, visto como uma referência global para decisões de investimento, caiu para 4,348%, em comparação a 4,336% do fechamento anterior.

Os investidores continuaram a considerar o cenário geopolítico nos preços da curva de juros futuros. Em uma declaração à Reuters, uma autoridade dos Estados Unidos revelou que o presidente Donald Trump expressou insatisfação com a proposta mais recente apresentada pelo Irã a fim de solucionar a guerra que persiste há dois meses.

Além disso, Trump comentou que o Irã se encontra em um estado de colapso e solicitou que os Estados Unidos reabram o Estreito de Ormuz o mais rapidamente possível.

Reação do Mercado Brasileiro à Inflação

No Brasil, o mercado demonstrou reações, mesmo que de forma secundária, ante a prévia da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu para 0,89%, após ter registrado um aumento de 0,44% em março, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta foi a taxa mensal mais alta desde fevereiro de 2025, quando a inflação atingiu 1,23%.

Entretanto, esse resultado ficou abaixo das expectativas de mercado. A surpresa na queda foi concentrada em itens voláteis, com destaque para as passagens aéreas. Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, destacou que essa movimentação é considerada temporária.

Ela ressaltou que “a principal surpresa baixista concentrou-se em passagens aéreas”, acrescentando que é esperado um movimento de reversão parcial em virtude da guerra e seus efeitos sobre o querosene de aviação.

Lais Costa, analista de renda fixa da Empiricus, comentou que “pela manhã, foram observados dois motores: o cenário global e o IPCA-15, que influenciaram as taxas do DI para cima. Porém, a falta de novos impulsos à tarde levou à acomodação da curva”.

Super Quarta

O dia 29 é denominado “Super Quarta”, um momento marcado por decisões relevantes sobre política monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Nos EUA, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que corresponde ao Federal Reserve, deverá manter os juros inalterados pela terceira vez consecutiva.

Conforme a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado atribui uma probabilidade de 100% para a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% desde a véspera. O mercado aguarda alguma sinalização do Fomc sobre o potencial choque inflacionário ocasionado pela guerra no Oriente Médio, especialmente com a escalada nos preços do petróleo.

Além disso, essa reunião será a última decisão sob a liderança de Jerome Powell, cujo mandato se encerra em 15 de maio, após oito anos na presidência do Banco Central norte-americano. Até o presente momento, a indicação de Trump para o cargo, Kevin Warsh, ainda não foi sabatinada pelo Senado.

No Brasil, as expectativas se concentram em um novo corte na Selic de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa básica de juros de 14,75% para 14,50% ao ano, conforme decisões esperadas do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

As ações do Copom negociadas na B3 precificavam uma probabilidade de 90,5% para um corte de 25 pontos-base na próxima semana, em comparação a uma chance de 2,5% para uma redução de 50 pontos-base, segundo a atualização mais recente, realizada na última segunda-feira, 27.

Esta decisão será feita, de forma excepcional, por Gabriel Galípolo, presidente da autarquia, e pelos demais cinco diretores. O diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, participará da decisão em virtude do falecimento de um familiar próximo. Além disso, há duas cadeiras vagas no Banco Central: as diretorias de Política Monetária e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, após o término dos mandatos de Diogo Guillen e Renato Dias de Brito Gomes em janeiro.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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