Juros futuros sobem com término do acordo EUA-Irã, mas mercado ainda aposta em redução da Selic em agosto.

Juros futuros sobem com término do acordo EUA-Irã, mas mercado ainda aposta em redução da Selic em agosto.

by Ricardo Almeida
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A Curva de Juros Futuros

Recentemente, a curva de juros futuros apresentou uma evolução em todos os seus vencimentos, com um aumento superior a 10 pontos-base nos vértices de médio prazo. Este movimento ocorreu em resposta ao desempenho dos títulos do Tesouro norte-americano, conhecidos como Treasuries, além da significativa valorização do petróleo, que se intensificou após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o término do cessar-fogo com o Irã.

Taxa DI de Curtíssimo Prazo

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que reflete um período de curtíssimo prazo, encerrou as negociações com um aumento de 4 pontos-base, estabelecendo-se em 14,055%, em comparação com 14,015% do fechamento anterior.

Taxa DI de Médio Prazo

Por outro lado, a taxa DI para janeiro de 2029, referente ao médio prazo, finalizou o dia em 14,380%, o que representa uma alta de 10 pontos-base em relação à taxa de 14,275% registrada no fechamento anterior.

Taxa DI de Longo Prazo

Finalmente, a taxa DI para janeiro de 2036, que corresponde a um prazo mais longo, subiu 11 pontos-base, encerrando o dia a 14,440%, frente aos 14,330% do fechamento anterior.

Desempenho dos Títulos do Tesouro dos EUA

Os títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, demonstraram um aumento em sua rentabilidade, especialmente em virtude do aumento das tensões geopolíticas. Por volta das 18h, de acordo com o horário de Brasília, o yield do Treasury de dois anos, considerado mais sensível às políticas monetárias, estava em 4,22%, acima dos 4,162% do ajuste anterior.

Retorno do Título de Dez Anos

Além disso, o retorno do título de dez anos, que serve como referência para diversos tipos de empréstimos, incluindo hipotecas e financiamentos de veículos, aumentou para 4,481%, comparado aos 4,529% registrados no dia anterior.

Declarações do Presidente dos EUA

Na manhã de hoje, Donald Trump afirmou que o memorando de entendimento assinado com o Irã, que tinha como principal objetivo colocar fim ao conflito, estava “acabado”, e que o país não tinha interesse em manter negociações com Teerã. Este acordo provisório de cessar-fogo, que foi mediado pelo Paquistão, estabelecia um período de 60 dias para a negociação de um acordo definitivo.

Fim das Conversas com o Irã

Contudo, as conversas indiretas ocorridas no Catar não mostraram resultados promissores e, na terça-feira, as Forças Armadas dos Estados Unidos lançaram uma nova série de ataques contra o Irã. Na véspera das declarações de Trump, Estados Unidos haviam cancelado a licença que permitia ao Irã a venda de petróleo, após um incidente no qual três navios-tanque foram alvos de projéteis no Estreito de Ormuz.

Repercussões dos Conflitos

Em resposta, o Irã manifestou sua intenção de fechar o Estreito de Ormuz e ameaçou retaliar com ações ainda mais severas contra alvos inimigos, caso os EUA realizem novos ataques, conforme reportado pela PressTV. Essa escalada das tensões geopolíticas, juntamente com o aumento substancial nos preços do petróleo, reacendeu preocupações a respeito da inflação. Isso, por sua vez, levou os investidores a ajustarem suas expectativas quanto aos juros globais, exigindo um prêmio maior na curva de juros futuros.

Evolução dos Preços do Petróleo

O contrato mais líquido do Brent, que é a referência para o mercado internacional de petróleo, encerrou suas negociações com um aumento de 5,20%, alcançando US$ 78,02 na Intercontinental Exchange (ICE) em Londres, o maior nível desde 22 de junho. A especialista em investimentos Rebecca Nossig, da Nomad, comentou que um petróleo mais caro implica um aumento dos custos em toda a cadeia produtiva global. Isso pode levar os bancos centrais, especialmente o Federal Reserve dos Estados Unidos, a manterem os juros em níveis elevados por mais tempo, a fim de tentar conter a inflação.

Expectativas do Mercado Brasileiro

Apesar do ressurgimento das preocupações relacionadas ao conflito no Oriente Médio, os investidores ainda continuam a considerar a possibilidade de um corte de 25 pontos-base na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) programada para agosto. Na última atualização realizada na terça-feira, as opções disponíveis indicavam uma probabilidade de 78% para a redução da Selic de 14,25% para 14% ao ano, enquanto a possibilidade de manutenção era de 20,50%. Para fins de comparação, duas semanas antes, em 22 de junho, as probabilidades eram de 29% para um corte de 25 pontos-base e 67% para a manutenção da taxa.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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