## Desempenho da Kering e Perspectivas Futuras
Os clientes fazem compras em uma loja de luxo da Gucci em Xangai, China.
Cfoto | Future Publishing | Getty Images.
### Queda nas Vendas da Kering
A Kering anunciou que espera um retorno ao crescimento neste ano, mesmo após registrar mais um trimestre de queda nas vendas na terça-feira. A marca Gucci, principal motor de vendas da empresa, continua arrefecida durante o primeiro trimestre do novo CEO Luca de Meo. A companhia, que também possui as marcas Yves Saint Laurent, Bottega Veneta e Balenciaga, informou que as vendas no quarto trimestre caíram 3% em comparação com o ano anterior, totalizando 3,9 bilhões de euros (aproximadamente 4,64 bilhões de dólares), resultado ligeiramente melhor do que as estimativas da FactSet.
O rótulo Gucci apresentou uma queda de 10% em vendas em comparação com o ano anterior, também um desempenho levemente superior ao esperado. As outras marcas do portfólio da Kering tiveram crescimento moderado ou estabilidade nas vendas ano a ano. Durante uma teleconferência sobre os resultados financeiros, Luca de Meo declarou: “2025 não foi o ano que desejávamos. Não refletiu o pleno potencial da Kering, e todos sabemos disso.”
### Desempenho Financeiro e Reação do Mercado
No ano de 2025, as vendas da Kering caíram 10%, totalizando 14,7 bilhões de euros. O lucro operacional recorrente teve uma queda de 33% em relação ao ano anterior, com a margem operacional também diminuindo para 11,1% no período, reflexo das vendas mais fracas. Apesar disso, as ações da Kering chegaram a subir até 14% e estavam com uma alta de 11% ao final do pregão, embora os papéis tenham se desvalorizado em quase 14% até o momento neste ano.
Esse sentimento positivo teve impacto em todo o setor de luxo, beneficiando a Burberry, que ganhou 3,4% nas negociações iniciais, a Hermès, que subiu 3%, e a Brunello Cucinelli, que adicionou 2,7%. As ações do conglomerado francês LVMH aumentaram 1,4%, enquanto a Richemont, da Suíça, teve uma alta de 2%.
### Os Desafios do Setor de Luxo
Assim como a Kering, a LVMH e outros players da moda enfrentaram desafios nos últimos anos, que ocorreram após um período de alta demanda durante a pandemia de Covid-19. Esse crescimento levou a aumentos de preços que acabaram por afastar consumidores. Além disso, a fraca demanda dos consumidores na China, que anteriormente era um dos principais motores de crescimento do setor, e alguns erros estratégicos acabaram impactando negativamente as perspectivas da Kering e de outras empresas.
A nomeação de Demna como diretor artístico da Gucci visa impulsionar as vendas e recuperar a reputação da marca. Sua primeira coleção, intitulada “La Famiglia”, foi lançada no ano passado.
### Mudanças de Liderança e Futuras Direções
O mercado está atualmente atento a sinais de que as tentativas de De Meo — o primeiro CEO externo da Kering, recrutado do setor automotivo após a sua surpreendente nomeação no ano passado — para reverter a situação da empresa estão começando a trazer resultados. Ele conta em sua experiência passagens significativas, como a reestruturação da montadora Renault no início da década.
#### Possibilidades de Retorno ao Crescimento
“Esses resultados indicam uma leve melhora em todas as áreas do portfólio e atividades da marca Kering”, afirmou o analista da Bernstein, Luca Solca. “Se isso pode ser um precursor para uma inflexão, movimentando marcas como a Gucci em direção ao crescimento no exercício financeiro de 2026, como o consenso atualmente antecipa, será a principal discussão sobre investimentos.”
A Kering anunciou que vislumbra um “retorno ao crescimento e à melhoria das margens” em 2026, embora tenha fornecido poucos detalhes adicionais sobre suas perspectivas. A empresa deve apresentar um plano de longo prazo e diretrizes no dia de Mercados de Capitais, marcado para abril deste ano.
### Ações de Reestruturação e O Futuro da Kering
“Desde a segunda metade do ano, posso afirmar que temos agido de maneira decisiva para colocar o grupo de volta na trajetória certa,” disse De Meo, acrescentando que o grupo ainda está “longe de” onde deseja estar. Uma de suas medidas incluiu a redução da alavancagem no balanço da companhia e a venda de seu segmento de beleza para a L’Oréal por 4 bilhões de euros, como parte de sua estratégia de lidar com a alta dívida líquida do grupo e focar no seu negócio principal de moda.
“Nosso objetivo é claro: reaquecer a desejabilidade e preparar o próximo ciclo de crescimento, casa a casa, produto a produto, cliente a cliente,” afirmou De Meo. O novo CEO também observou que a Kering está se preparando para entrar no segmento de bem-estar e longevidade, “um espaço em que queremos atuar e onde sabemos que valor e crescimento serão gerados.” Além disso, foi mencionado que a estratégia de joias da empresa será mais detalhada em abril.
O analista da Jefferies, James Grzinic, comentou que “[as etapas finais de 2025 da Kering confirmam a redução gradual das pressões em um momento de condições de mercado mais favoráveis.” Os investidores estarão ansiosos para ouvir mais sobre as primeiras impressões de De Meo, “com um potencial considerável de economia de custos, que será inevitavelmente uma área de foco,” completou o analista.
Fonte: www.cnbc.com