Líbano busca esclarecimentos sobre “sinais mistos” de cessar-fogo enquanto ataques persistem

Conflito em Líbano e Ceasefire Incerto

Fumaça sobe após um ataque israelense nos subúrbios do sul de Beirute, em meio a uma escalada entre o Hezbollah e Israel, no contexto do conflito entre os Estados Unidos e aliados israelenses com o Irã, em 9 de março de 2026.

Mohamed Azakir | Reuters

Busca por Clareza sobre a Trégua

O Líbano está buscando urgentemente clareza sobre sua inclusão na trégua que está pausando a guerra do Irã, conforme declarado pelo ministro da economia do país, em entrevista à CNBC. Ele acrescentou que o Líbano está recebendo “sinais mistos.”

Israel, que tem realizado ataques a alvos do Hezbollah, que é aliado do Irã, dentro do território libanês, afirmou que a trégua de duas semanas não se aplica ao Líbano. Na quarta-feira, foi emitida uma ordem de evacuação para a cidade de Tiro, localizada ao sul do país, em antecipação a possíveis ataques.

“Estamos recebendo sinais mistos, ou relatórios contraditórios,” disse Amer Bisat, o ministro da economia libanês, durante a entrevista. “Alguns estão sugerindo que o Líbano faz parte de uma trégua, outros, incluindo fontes de Israel, afirmam que não é o caso. Precisamos confirmar isso nas próximas horas. Obviamente, nossa esperança e demanda sempre foi acabar com as hostilidades,” comentou ele ao repórter Dan Murphy da CNBC.

Status do Líbano na Trégua

A posição do Líbano em relação à trégua parece incerta após o anúncio do acordo, realizado na noite de terça-feira. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que ajudou a mediar o acordo, anunciou em uma plataforma de mídia social chamada X que os Estados Unidos, Irã e seus aliados regionais “concordaram com uma trégua imediata em todos os lugares, incluindo o Líbano e outras regiões.”

No entanto, o escritório do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu contradisse essa afirmação, postando no X na manhã de quarta-feira que “a trégua de duas semanas não inclui o Líbano.”

Consequências Devastadoras

O Líbano e sua capital, Beirute, foram alvos de ataques conduzidos por Israel contra o Hezbollah, considerado uma proxy do Irã, ao longo das últimas cinco semanas. As forças terrestres israelenses invadiram o sul do país como parte de uma campanha paralela contra Teerã.

Relatos indicam que o Hezbollah interrompeu o fogo contra o norte de Israel e as tropas israelenses no Líbano no início da quarta-feira. Espera-se que o grupo emita uma declaração formal sobre a trégua em breve, conforme a Reuters. O presidente francês Emmanuel Macron também se juntou aos apelos para que o Líbano fosse incluído no acordo de trégua.

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que mais de 1,1 milhão de pessoas foram deslocadas no Líbano em sua tentativa de fugir dos ataques israelenses, que resultaram na morte de mais de 1.200 pessoas no país.

O ministro Bisat afirmou à CNBC que Beirute se sentia “forçada a entrar nessa guerra por partes que estão fora de seu controle” e que, embora “o fim desta guerra seja evidentemente extremamente positivo, a esperança é que, em algum momento breve, o Líbano faça parte disso.”

Impacto na Economia Libanesa

O ministro da economia considerou que o conflito representou um “grande retrocesso” para o Líbano e sua economia, que já enfrentava dificuldades, ressaltando que o país está pagando um “preço devastador por esta guerra.”

“Em 2025, começamos a observar um pequeno sinal de recuperação, um início de ressurgimento após anos de crise. Mas essa guerra representou um enorme retrocesso. O retrocesso é significativo em diversos níveis. No nível humanitário, com 1,2 milhão de deslocados em uma população de cinco milhões de pessoas, e também um impacto econômico que o PIB do país sofreu,” afirmou Bisat, estimando que cinco semanas de guerra custaram ao Líbano “cerca de 5 a 7% do PIB nesse curto período de tempo.”

“Toda a recuperação que vimos no ano passado desapareceu em menos de um mês,” acrescentou.

Viabilidade do Acordo

Os mercados globais tiveram um desempenho positivo após a notícia do acordo, que ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar obliterar o Irã, a menos que este reabresse o trânsito pelo Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo também diminuíram, caindo abaixo de 100 dólares por barril, trazendo alívio para consumidores e empresas em todo o mundo.

No entanto, ainda existem dúvidas sobre a durabilidade da trégua, visto que Israel e vários países do Golfo já relataram a ocorrência de mísseis e drones em suas regiões na quarta-feira.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, em uma declaração postada na plataforma X na manhã de quarta-feira, afirmou que “se os ataques contra o Irã forem encerrados, nossas Forças Armadas Poderosas cessarão suas operações defensivas.”

Teerã também acrescentou que a passagem segura pelo Estreito de Ormuz “será possível por meio de coordenação com as Forças Armadas do Irã e levando em consideração as limitações técnicas”, sinalizando que pode haver algumas ressalvas ao acordo.

Fonte: www.cnbc.com

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