Líderes do G7 afirmam que a guerra no Irã é uma ‘catástrofe’, mas os EUA não estão ouvindo.

Impact do Conflito no Irã na Economia Global

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou ao cúpula do G7 em Kananaskis, Alberta, Canadá, no dia 16 de junho de 2025.

Kevin Lamarque | Reuters

Os efeitos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã estão provocando um impacto catastrófico na economia global, conforme advertiram os membros europeus do G7 antes de uma importante cúpula marcada para esta quinta-feira. Os ministros das Relações Exteriores do grupo, que reúne as principais nações industrializadas, com membros centrais como EUA, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão, se reunirão na França para um encontro de dois dias, onde os conflitos no Irã e na Ucrânia estarão no topo da pauta.

Líderes e ministros europeus expressaram preocupações sobre as consequências da guerra na véspera do encontro, onde é esperado que incentivem os Estados Unidos a buscar uma saída negociada com o Irã. Este momento surge em meio a um aparente impasse em relação a um possível cessar-fogo, além de uma potencial escalada com a ameaça de envio de tropas de terra.

“Para deixar bem claro, essa guerra é uma catástrofe para as economias do mundo,” advertiu Boris Pistorius, ministro da Defesa da Alemanha, na manhã de quinta-feira. Ele adicionou que “os parceiros europeus e a Alemanha destacaram desde o início que não fomos consultados antes. Ninguém nos perguntou. Não é a nossa guerra,” declarou aos repórteres durante uma visita à Austrália.

Os preços internacionais de energia dispararam desde que o conflito foi iniciado pelos EUA e Israel no final de fevereiro, com a infraestrutura energética no Irã e nos estados vizinhos do Golfo sendo destruída ou danificada em decorrência dos bombardeios aéreos realizados por EUA e Israel, além dos ataques retaliatórios do Irã. A quase total interdição do Estreito de Hormuz por Teerã, um passage vital marítimo pelo qual normalmente flui um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás, restringiu severamente o fornecimento global de energia, com o líder da UE alertando que a situação é “crítica.”

Desafios e Consequências Estruturalmente Danos

O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, afirmou na quarta-feira que o mundo agora enfrenta um conflito “que mudou de natureza, e, portanto, as consequências econômicas também mudaram.” Lescure apontou que “hoje, de 30 a 40% da capacidade de refino no Golfo está danificada ou destruída. Conversei com o ministro de Energia do Catar [Saad Sherida Al Kaabi, que afirmou que] 17% da capacidade de produção de gás foi destruída após os ataques a essas instalações, o que levará anos — estamos falando de três anos — para ser restaurada.”

Mesmo assim, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, conhecida como uma das pessoas próximas a Trump, descreveu a crise no Oriente Médio, na quarta-feira, como um assunto que “envolve todos e, se continuar ao longo do tempo, pode claramente causar consequências econômicas e sociais que acabarão afetando mais nações, as mais vulneráveis, começando pelo continente africano.”

Busca por Soluções de Saída em Washington

A mais recente reunião do G7 — que incluirá representantes da UE, além de delegações convidadas da Arábia Saudita, Brasil, Índia, Coreia do Sul e Ucrânia — acontece enquanto Washington parece estar procurando uma saída do conflito. O presidente Donald Trump e a Casa Branca insistiram nesta semana que os EUA estão mantendo conversas com altos funcionários iranianos — cuja identidade não foi revelada — e afirmaram ter proposto um plano de paz a Teerã por meio de intermediários.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, teria informado a mídia estatal na quarta-feira que os oficiais estavam revisando a proposta americana para acabar com a guerra, mas afirmou que Teerã não tem intenção de dialogar diretamente com os EUA. Araghchi acrescentou que uma troca de mensagens entre os dois países por meio de mediadores “não significa negociações com os EUA,” segundo a Reuters.

A mídia estatal iraniana, na quarta-feira, relatou que a República Islâmica rejeitaria uma oferta de cessar-fogo dos EUA, propondo em seu lugar uma lista de cinco pontos que concederia a Teerã o controle sobre o Estreito de Hormuz. Além de obscurecer o panorama sobre potenciais negociações de paz, os EUA estão enviando milhares de soldados adicionais para a região, os quais podem ser rapidamente mobilizados para uma possível ação militar, incluindo a captura do porto de petróleo da Ilha Kharg ou a reabertura do estreito, caso as negociações fracassem.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, comentou na quarta-feira em uma plataforma social que informações de inteligência sugerem que “os inimigos do Irã” estariam planejando ocupar “uma das ilhas iranianas” com o apoio de um país não nomeado da região.

Em grande parte excluídos dos esforços de paz, os membros do G7 parecem ter muito pouco poder de influência sobre a posição e as intenções de Washington em relação ao Irã, especialmente depois que Trump criticou alianças por não ajudarem os EUA em suas operações militares. “Acho que a OTAN está cometendo um grande erro. E eu já disse há muito tempo que me pergunto se a OTAN algum dia estará ao nosso lado. Portanto, este foi um grande teste, porque não precisamos deles, mas eles deveriam ter estado presentes,” declarou Trump a jornalistas no Salão Oval na semana passada.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, aparentemente causou desconforto entre os europeus ao elogiar Trump em uma entrevista à CBS no último fim de semana e sugerir que os aliados europeus da OTAN deveriam “se unir” para “responder ao chamado do presidente, garantindo a navegação livre através do Estreito de Hormuz.”

Líderes europeus sinalizaram uma relutância em se envolver no que consideram uma guerra por escolha, e não por necessidade. A alta representante da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, resumiu esse sentimento quando afirmou na semana passada que “não é a guerra da Europa. Nós não iniciamos a guerra. Não fomos consultados.”

Fonte: www.cnbc.com

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