Banco do Brasil: Resultado do primeiro trimestre de 2026
O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, o que representa uma queda de 53% em comparação ao mesmo período de 2025, conforme documento encaminhado ao mercado nesta quarta-feira, dia 13.
Apesar da redução no lucro, o resultado ficou dentro das expectativas do mercado, com o consenso da Bloomberg prevendo um lucro de R$ 3,42 bilhões.
Fatores Impactantes
Dentre os fatores que contribuíram para essa redução, destacam-se a deterioração da inadimplência no agronegócio e a nova resolução da CMN nº 4.966/2021, que endureceu as normas e obrigou os bancos a aumentarem as provisões para inadimplências. Essas circunstâncias transformaram a imagem do banco, que antes era considerado uma estrela do mercado, em uma grande interrogação.
Desde o terceiro trimestre de 2024, o banco tem enfrentado os efeitos de atrasos nos pagamentos dentro do agronegócio, setor que tem visto um aumento considerável no número de recuperações judiciais.
Para ilustrar esse cenário, o segmento de agropecuária registrou o maior número de empresas em recuperação judicial em 2025, segundo dados da Serasa Experian, sendo responsável por 30,1% (743) dos CNPJs em situação de recuperação judicial.
“O lucro do primeiro trimestre evidencia a forte capacidade de geração de negócios do Banco do Brasil, ao mesmo tempo em que reflete um ambiente mais desafiador para o risco de crédito, especialmente com maior pressão sobre a carteira de agronegócios”, afirmou a CEO Tarciana Medeiros.
Banco do Brasil: Indicadores de Rentabilidade
O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) sofreu uma queda significativa de 9,4 pontos percentuais, encerrando o trimestre em 7,3%. Em contrapartida, o consenso da Bloomberg previa um ROE de 6,2%.
Nas semanas recentes, analistas revisaram negativamente as projeções para o Banco do Brasil. A administração do banco já havia alertado que a inadimplência no agronegócio continuava em patamares elevados. “O primeiro semestre tende a ser mais desafiador — isso já vínhamos discutindo desde o ano passado”, destacou a CEO.
Assim, o banco passou mais um trimestre com rentabilidade inferior a 20%, um patamar que é considerado crucial pelo mercado. O resultado ficou abaixo do Itaú (ITUB4), que terminou o período com um ROE de 24%, Santander (SANB11), que ficou com 16%, e Bradesco (BBDC4), que alcançou 15,8%.
O Banco do Brasil aprovou R$ 465,7 milhões em juros sobre o capital próprio. Devido à queda dos lucros, o banco foi forçado a reavaliar suas projeções de forma negativa.
Inadimplência e Despesas do Banco do Brasil
Uma das maiores preocupações entre os analistas refere-se ao indicador de inadimplência, que encerrou em 5,05%, marcando um aumento de 1,42 ponto percentual em relação ao ano anterior.
A inadimplência na carteira do agronegócio também se destacou, atingindo 5,05%, com um incremento de 1,42 ponto percentual no ano.
Além disso, as perdas esperadas relacionadas ao risco de crédito — que servem como proteção para os bancos contra calotes — aumentaram para 18,4%, em comparação ao ano anterior, embora tenham permanecido estáveis em relação ao trimestre, com um acréscimo de apenas 0,2%.
“Entre as medidas que estamos tomando para enfrentar o ciclo de agravamento da inadimplência no agronegócio, ampliamos e evoluímos no uso de garantias por meio de alienação fiduciária, além de revisar as estratégias de cobrança”, explicou a CEO.
Segundo ela, nos primeiros meses de 2026, o número de ações judiciais realizadas já dobrou em relação ao total de todo o ano anterior, refletindo o direcionamento do banco em buscar a recuperação de seus ativos.
O custo do crédito disparou 85% no ano, chegando a R$ 18,5 bilhões. Diante dessa realidade, o Banco do Brasil revisou suas projeções de custo de capital, que anteriormente eram estimadas entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões, para uma nova faixa de R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.
Para Maria Estela Ferraz de Campos, head de crédito da Integral Group, o custo de crédito atingiu níveis alarmantes. “Todo o ganho com receita e margens foi consumido pela piora do agronegócio”, conclui.
Outros Indicadores do Banco do Brasil
A margem financeira bruta apresentou um crescimento de 14,8%, destacando-se pelas receitas financeiras, que aumentaram 12,3%. O total dessa linha alcançou R$ 27,4 bilhões. No entanto, a margem financeira líquida registrou uma queda drástica de 37,6% no ano, somando R$ 8,5 bilhões.
As receitas provenientes da prestação de serviços totalizaram R$ 8,8 bilhões no trimestre, mantendo-se estáveis em comparação ao trimestre anterior. No acumulado do ano, houve um crescimento de 5,5%, impulsionado principalmente pelos serviços de Administração de Fundos (+8,6%) e operações de crédito (+52,3%).
A despesa administrativa ficou em R$ 10 bilhões, com uma alta de 1,3% em relação ao trimestre anterior e de 5,5% se comparado ao mesmo período do ano passado.
“A evolução da margem financeira é resultado do crescimento do crédito, especialmente nas linhas que oferecem melhor risco e retorno, concentrando-se no crédito pessoal consignado e consignado privado. As despesas permanecem sob controle, sem comprometer nossos investimentos em tecnologia e em capital humano”, destacou a CEO.
Carteira de Crédito em Expansão
Mesmo diante da deterioração dos indicadores, o Banco do Brasil conseguiu aumentar sua carteira de crédito em 2,2% em 12 meses, atingindo R$ 1,3 trilhão.
A maior alta ocorreu no segmento de clientes pessoa física, que alcançou R$ 361 bilhões, o que representa um crescimento de 7,8% em um ano, impulsionado principalmente pelo crédito consignado.
O crédito consignado privado, lançado no ano passado, é uma das principais iniciativas do governo para incentivar a concessão de crédito.
Por outro lado, a carteira de pessoa jurídica teve uma contração, alcançando R$ 449 bilhões, com uma diminuição de 1,3% no trimestre e de 2,4% no ano, influenciada pela redução das carteiras voltadas para médias, pequenas e grandes empresas.
Em relação ao agronegócio, a carteira cresceu 3% nos últimos 12 meses, totalizando R$ 418,4 bilhões. As operações vinculadas ao Programa BB Regulariza Agro alcançaram R$ 37,9 bilhões.
Novo Guidance do Banco do Brasil
Como já era esperado pelo mercado, o banco foi forçado a ajustar suas projeções para 2026, em um contexto ainda difícil para o setor do agronegócio.
A principal alteração se refere às expectativas de lucro. Anteriormente, o banco projetava um lucro entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, agora a previsão é de um lucro que varia entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, traduzindo o teto anterior em um novo piso.
O custo de capital cresceu significativamente, passando da estimativa de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões. Em contrapartida, a margem financeira foi ajustada de 4% a 8% para 7% a 11%.
Entre os analistas do mercado, havia a expectativa de que o Banco do Brasil apresentasse um primeiro trimestre tão frágil que corria o risco de não alcançar suas projeções, o que realmente ocorreu.
| Indicadores | Projeções 2026 (Anterior) | Projeções 2026 (Atual) | Realizado 1T26 |
|---|---|---|---|
| Carteira de Crédito(1) | 0,5% a 4,5% | Mantido | 1,8% |
| Pessoas Físicas | 6% a 10% | Mantido | 7,8% |
| Empresas | -3% a 1% | Mantido | -4,5% |
| Agronegócios | -2% a 2% | Mantido | 3,0% |
| Carteira Sustentável | 2% a 6% | Mantido | 7,0% |
| Margem Financeira Bruta | 4% a 8% | 7% a 11% | 14,8% |
| Custo do Crédito(2) | R$ 53 a 58 bilhões | R$ 65 a 70 bilhões | R$ 18,9 bilhões |
| Receitas de Prestação de Serviços | 2% a 6% | Mantido | 5,5% |
| Despesas Administrativas | 5% a 9% | Mantido | 5,5% |
| Lucro Líquido Ajustado | R$ 22 a 26 bilhões | R$ 18 a 22 bilhões | R$ 3,4 bilhões |
Fonte: www.moneytimes.com.br