Queda do Ibovespa em Maio
O ditado de Wall Street “sell in May and go away” parece ter se confirmado para o mercado brasileiro neste ano. Com a pressão de uma inflação persistente, tensões políticas e o cenário externo desfavorável, o Ibovespa deve finalizar o mês de maio com uma queda estimada em torno de 6%.
À exceção de uma mudança drástica que ocorra antes do fechamento desta sexta-feira (29), essa será a maior baixa mensal do índice Ibovespa desde o início de 2023. O mercado já começa a direcionar suas atenções para as expectativas para o mês de junho.
Quais fatores puxaram o Ibovespa para baixo?
De acordo com Ruy Hungria, analista de ações na Empiricus Research, quem seguiu rigidamente o “velho mandamento” do mercado financeiro seguramente teve um desempenho mais satisfatório em comparação àqueles que mantiveram ações brasileiras em suas carteiras durante este mês.
O desempenho do Ibovespa foi afetado por uma combinação de fatores que, segundo Hungria, serviram como um grande teste para a confiança na tese de investimento brasileiro.
No período de menos de um mês, ele elenca os principais pontos que influenciaram esse desempenho:
- Divulgação de duas leituras desfavoráveis do IPCA e do IPCA-15, os principais indicadores de inflação no Brasil, apresentadas pelo IBGE no início e no final do mês de maio;
- Revisões negativas nas projeções de inflação e na taxa Selic conforme apontado no Boletim Focus;
- Ruídos políticos significativos, incluindo resultados de pesquisas eleitorais e discussões sobre o fim da escala 6×1, que podem impactar os custos de diversas empresas listadas;
- Resultados robustos apresentados por empresas de tecnologia, que são principalmente internacionais, as quais passaram a aparecer como mais atraentes em comparação com companhias de nações emergentes, principalmente em meio a um contexto de guerra;
- Saída acentuada de capital estrangeiro da bolsa de valores brasileira.
Além desses fatores, a pressão e a incerteza em relação a um possível acordo sobre o término do conflito entre Estados Unidos e Irã, que afetam o preço do petróleo e geram inflação em diversos setores da economia, também tiveram um impacto considerável na queda do índice.
Diante de todas essas circunstâncias, Hungria menciona que “o quadro não é muito animador” e sublinha a importância de se voltar aos fundamentos, lembrando que ações não devem ser consideradas meramente como pedaços de papel com valores arbitrários.
Embora o humor do mercado influencie os movimentos diários dos ativos, o analista enfatiza a relevância de manter o foco nas empresas que estão por trás de cada ticker. “Essas companhias oferecem aos seus acionistas uma participação nos lucros e, no caso das compounders, em seus planos de crescimento ambiciosos”, afirma.
Num relatório de sua carteira de ações, Hungria apresenta como, mesmo em um cenário complicado, a maioria das empresas recomendadas conseguiu apresentar resultados bastante satisfatórios no primeiro trimestre de 2026.
É evidente que o analista está ciente de que não é razoável esperar um “grande alívio” no mercado enquanto não houver um sinal mais claro sobre o término do conflito no Oriente Médio, o que poderia reverter o fluxo de investimentos estrangeiros nos mercados emergentes.
“Enquanto isso, continuamos acompanhando empresas que mantêm uma boa performance e se posicionam para aproveitar uma eventual recuperação. No final das contas, a decisão de vender em maio pode ter sido razoável neste ano, mas não ficaria afastado por muito tempo”, conclui.
Para o mês de junho, o analista Ruy Hungria destaca que as expectativas permanecem intensamente focadas na evolução do conflito. “Se a guerra chegar ao fim, o mercado se recupera rapidamente, com a queda no preço do petróleo e a expectativa de redução da inflação, levando a ajustes para baixo nas previsões para a taxa Selic, o que poderia trazer o fluxo de investidores estrangeiros de volta ao mercado”, ressalta Hungria.
Diante de um cenário de curto prazo ainda desafiador, ele observa que os fundamentos de diversas empresas continuam sólidos. É com essa perspectiva que ele desenvolve as carteiras recomendadas pela Empiricus Research, as quais podem ser consultadas a seguir.
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Fonte: www.moneytimes.com.br