Mais Probabilidade de Alta do que Queda Rápida

Mais Probabilidade de Alta do que Queda Rápida

by Ricardo Almeida
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Condições do Mercado do Petróleo Brent

O petróleo Brent é amplamente reconhecido como um dos principais indicadores do mercado, utilizado para avaliar o apetite e a aversão ao risco dos investidores. Atualmente, seu preço varia entre US$ 90 e US$ 100 o barril, em um contexto marcado por incertezas a respeito da resolução do conflito no Oriente Médio.

Desempenho do Preço do Petróleo

Durante as sete semanas de conflito no Irã, o Brent, que serve como referência no comércio internacional, saiu de um valor de US$ 72 o barril e registrou uma alta que ultrapassou os US$ 100 em 17 ocasiões diferentes, de acordo com dados fornecidos pelo Investing.com. Na quinta-feira, 23 de março, o contrato mais negociado do Brent para junho fechou em US$ 105,07 o barril na Intercontinental Exchange (ICE) em Londres.

Analistas do mercado indicam que as intensas flutuações nos preços do Brent devem persistir até que haja progressos significativos nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã.

Perspectivas de Acordo e Impactos

“Até agora, apenas promessas e sinalizações de um possível acordo foram observadas. Se um consenso for alcançado amanhã e os conflitos terminarem, com a reabertura do Estreito de Ormuz, seria esperado um recuo inicial nos preços do petróleo, que poderia se tornar gradual ao longo do tempo”, comentou Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Banco Daycoval, em entrevista ao Money Times.

Segundo Oliveira, “a tendência é que a situação persista ou que as tensões aumentem”.

Importância do Estreito de Ormuz

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais cruciais para o transporte de petróleo, que está sob controle do Irã, se tornou o principal foco de atenção do mercado. Aproximadamente 20% do consumo global do petróleo passa por essa via, que conecta grandes produtores do Oriente Médio como a Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.

Expectativas Futuras para o Petróleo

A expectativa é de que o preço do petróleo continue sob pressão no curto e médio prazos, mesmo diante de um cenário de paz duradouro, devido ao tempo necessário para restabelecer os fluxos no Estreito de Ormuz e para a recuperação da infraestrutura petroleira no Oriente Médio.

Otávio Oliveira, do Banco Daycoval, não prevê uma queda drástica no valor do petróleo no curto prazo, enquanto o conflito não apresentar uma solução concreta.

Ele afirma que, em caso de um acordo que resulte em uma paz duradoura, o petróleo poderia recuar lentamente para US$ 90 o barril, visto que a instabilidade atual mantém os investidores cautelosos em relação à commodity.

“Se a situação se mantiver, os preços do petróleo poderão subir mais rapidamente do que cair, e devemos nos estabilizar nos cerca de US$ 100”, assinala o gerente da tesouraria.

Recentemente, o Bradesco BBI revisou suas estimativas para o Brent, prevendo que o preço do barril chegue a US$ 85 em 2026, um aumento em relação à previsão anterior de US$ 63. Para 2027, a projeção subiu de US$ 67,50 para US$ 80.

Em análise, os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do BBI, destacaram que o conflito deve provocar mudanças duradouras na dinâmica de oferta e demanda. Isso inclui a recomposição de estoques após a guerra, aumento da complexidade e custos para reativação de poços e mudanças nas rotas globais de suprimento, o que pode beneficiar produtores na América Latina.

Por outro lado, a visão do Goldman Sachs em relação ao cenário atual demonstra uma percepção de risco menor para o petróleo.

Impactos da Guerra no Oriente Médio

O aumento nos preços da energia pode impulsionar a inflação, dificultar a margem para cortes nas taxas de juros e desacelerar a atividade econômica global, conforme avalia Otávio Oliveira.

No contexto atual, Oliveira não descarta a possibilidade de que os juros nos Estados Unidos, definidos pelo Federal Reserve (Fed), se mantenham na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano até o fim de 2026, em contraste com expectativas anteriores de um corte de 0,75 ponto percentual.

O mercado já está precificando que os juros permanecerão inalterados ao longo deste ano e observa uma possibilidade de cortes apenas a partir do segundo semestre de 2027.

No Brasil, a expectativa do Banco Daycoval é de uma diminuição mais lenta no ritmo de cortes na Selic. “A previsão para a redução da taxa de juros pelo Banco Central em março era de 0,50 ponto percentual, mas o resultado foi de apenas 0,25 ponto percentual”, observou o tesoureiro do banco.

“O Banco Central pode adotar um ritmo mais cauteloso para os cortes. Os dados sobre a inflação são concretos, enquanto o restante é especulativo. É importante ressaltar que a tendência do petróleo é aumentar mais rapidamente do que cair”, acrescentou.

O Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) do Fed e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central devem anunciar novas decisões em sua política monetária na próxima semana. As chances de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano são de 99,5%, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.

No Brasil, a probabilidade de que o Copom opte por uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14,75% (atual) para 14,50% ao ano, é de 79,50% de acordo com a mais recente atualização datada da última segunda-feira (20).

Efeitos na Balança Comercial

Analisando além da política monetária, a alta nos preços do petróleo também possui implicações na balança comercial, trazendo um efeito positivo para o Brasil, uma vez que o país é um exportador da commodity.

De acordo com Iana Ferrão, economista do BTG Pactual, “entre as maiores economias, com PIB superior a US$ 500 bilhões em 2025 – Brasil, México, Turquia, China, Indonésia, Índia e Coreia do Sul –, o Brasil é o único com um saldo líquido positivo. Isso é considerado considerando o percentual do comércio de petróleo e derivados e de fertilizantes, o que reforça seu posicionamento relativamente mais favorável neste contexto de choque geopolítico.”

Além disso, o Brasil detém, entre as nações analisadas, o mais alto colchão em dólares, com previsão de US$ 16,4 bilhões em 2025. Relativamente, a Colômbia sobresai, alcançando 1,55% do PIB, enquanto o Brasil registra 0,72% do PIB.

“Assim, o Brasil entra em uma posição relativamente melhor do que a quase totalidade dos emergentes comparáveis”, finalizou a economista.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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