Crescimento da Produção de Etanol de Milho em Mato Grosso
Diante do forte aumento na produção de etanol de milho no estado de Mato Grosso, as autoridades locais estão avaliando a viabilidade do uso de madeira proveniente da supressão vegetal para abastecer as caldeiras das usinas. Em resposta a essa questão, a secretária de Meio Ambiente do Estado, Mauren Lazzaretti, anunciou um plano que visa estimular a produção de biomassa para uso industrial.
Debate sobre Uso de Vegetação Nativa
No início do mês, foi realizada uma audiência pública onde o estado discutiu a utilização de vegetação nativa nos “Planos de Suprimento Sustentável” (PSS) para grandes consumidores de matéria-prima florestal. Essa discussão emergiu após o Ministério Público abrir um inquérito no ano passado para investigar potenciais ilegalidades relacionadas ao consumo de madeira nativa por indústrias, incluindo usinas de etanol de milho.
O uso de madeira nativa como uma das matérias-primas para a geração de energia nas caldeiras das usinas levanta importantes questões ambientais. Esse combustível é considerado sustentável e está em rápida expansão no país.
Legislação e Legalidade
As autoridades do estado alegam que não há ilegalidade nos processos em questão, em parte porque o produtor agrícola possui o direito legal de desflorestar parte de sua propriedade, o que gera uma oferta de biomassa. Uma parte significativa da biomassa utilizada nas usinas de etanol é proveniente de madeira de eucalipto plantado, que é considerada uma prática mais sustentável e que um plano estadual recente pretende ampliar.
Aumento da Demanda por Biomassa
A secretária Lazzaretti destacou que, diante do aumento exponencial da demanda por biomassa, é evidente que a supressão de madeira nativa não será suficiente para atender à necessidade atual e futura. Ela enfatizou a necessidade de planejar de forma diferenciada para não comprometer o crescimento das indústrias no estado. O plano, anunciado no final de março, estabelece um horizonte até 2040 para aumentar a oferta de madeira plantada destinada ao setor industrial.
Objetivos do Planejamento
A proposta de planejamento tem como objetivo expandir a área de florestas plantadas de 200 mil hectares para 700 mil hectares até 2040. Este crescimento é uma parte fundamental dos esforços para garantir um suprimento sustentável de madeira para as usinas.
Atualmente, Mato Grosso é o maior produtor de etanol de milho do Brasil e conta com dez usinas em operação, além de vários projetos para construção de novas usinas nos próximos anos.
Interpretação do Código Florestal
Ao ser questionada sobre o uso de madeira nativa nas caldeiras das usinas de etanol, a secretária comentou que a interpretação da Procuradoria-Geral do Estado é de que o Código Florestal brasileiro não é específico em relação ao uso dessa biomassa pelas indústrias de etanol. No entanto, ela reconheceu que é estratégico deixar de consumir madeira de origem nativa associada à supressão de vegetação. Para isso, o estado de Mato Grosso estabeleceu um plano, atualmente em fase de discussão de transição.
Fase de Transição e Descarbonização
Esse plano inclui ações que estarão ligadas a outros programas voltados para descarbonização, visando a eliminação da supressão de vegetação até o ano de 2035. A secretária ressaltou a importância dessa transição, uma vez que, mesmo que ainda existam áreas de vegetação que possam ser suprimidas no futuro, essas áreas estarão em quantidade insuficiente para contribuir de forma significativa com a biomassa necessária para a indústria.
Potencial de Manejo Florestal Sustentável
Mauren Lazzaretti afirmou que o plano de estímulo à produção de biomassa é implementado mesmo que o estado ainda tenha 60% de seu território preservado, o que oferece a capacidade de gerar produtos florestais e biomassa por meio de manejo florestal sustentável. Ela elucidou que há uma grande disponibilidade de áreas para o manejo sustentável, tanto em florestas quanto no Cerrado, além de áreas degradadas ou com capacidade produtiva reduzida que apresentam potencial para reflorestamento.
Fonte: www.moneytimes.com.br


