Medicamentos têm alta de preço em fevereiro após nove meses de queda, aponta Fipe.

Medicamentos têm alta de preço em fevereiro após nove meses de queda, aponta Fipe.

by Fernanda Lima
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Aumento nos Preços de Medicamentos

Os preços de medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais no Brasil mostraram uma alta de 0,12% em fevereiro, conforme um levantamento realizado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) em parceria com a Bionexo. Essa elevação interrompe uma sequência de nove meses consecutivos de queda.

Indicador de Preços de Medicamentos

O IPM-H (Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais) indica que essa alta, embora presente, ainda é moderada. No acumulado dos 12 meses encerrados em fevereiro, o indicador apresenta uma redução de 1,96%, com retrações observadas em nove dos doze grupos terapêuticos monitorados. Durante os primeiros dois meses de 2026, o índice teve uma queda acumulada de 0,58%.

Perspectivas Econômicas

De acordo com Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe, esse resultado representa um ponto de inflexão, embora não altere o cenário de acomodação dos preços. Ele afirma: "A apuração de fevereiro marcou o retorno do IPM-H ao campo positivo, com variação muito próxima à média histórica para o mês. O resultado interrompe nove meses de queda, mas ainda não altera o quadro de acomodação dos preços de medicamentos hospitalares em 12 meses, que seguem influenciados principalmente pelo comportamento da taxa de câmbio."

Pressões sobre a Cadeia de Suprimentos

A reversão dos preços ocorre em um contexto de pressão nas cadeias globais de insumos farmacêuticos. O conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz geram incertezas no abastecimento de matérias-primas, já que uma parte significativa da indústria farmoquímica da Índia e da China, que são os principais fornecedores do Brasil, depende do petróleo transportado por essa região.

Impacto das Exportações

Larissa Gomes, gerente de projetos e marketing da Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), destaca que atualmente o Oriente Médio representa cerca de 3,11% das exportações brasileiras de dispositivos médicos. Ela acrescenta que "embora não seja o principal destino do setor, qualquer instabilidade prolongada na região pode gerar impactos indiretos sobre o comércio internacional, fretes e disponibilidade de insumos."

Monitoramento do Cenário Atual

Em um evento realizado no Rio de Janeiro, Fernanda de Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, mencionou que o governo federal está atento ao cenário. Ela declarou: "Pode haver algum impacto em termos de custo de produção e de custos logísticos, mas, por enquanto, não temos um alerta de que vai faltar medicamento."

Perda de Previsibilidade

Para a CNN Money, Solange Plebani, CEO da Bionexo, afirmou que o impacto principal no curto prazo não está relacionado à falta de produtos, mas sim à perda de previsibilidade na cadeia. Hospitais e distribuidores já reportam uma pressão maior nas renegociações e a inclusão de custos adicionais em contratos. Solange esclareceu: "O impacto é econômico antes de ser físico: primeiro vem o aumento de custo e a volatilidade, depois, eventualmente, pode haver impacto na disponibilidade."

Vulnerabilidades nos Medicamentos

Os itens mais sensíveis a essa situação incluem medicamentos de alto volume e uso contínuo, como antibióticos, analgésicos e insumos de UTI, cuja produção depende fortemente de cadeias globais. A dependência externa é considerada estrutural, uma vez que entre 90% e 95% dos IFAs (Insumos Farmacêuticos Ativos) consumidos na América Latina são importados.

Importância do Monitoramento

Herbert Cepêra, diretor executivo da Bionexo, ressalta que o monitoramento sistemático do índice é essencial para antecipar movimentos antes que se tornem mais amplos no mercado. Ele comentou: "Em um mercado fortemente influenciado por fatores como câmbio e cadeias globais de produção, ter visibilidade sobre essas oscilações é fundamental para apoiar decisões de compra mais eficientes por parte dos hospitais."

Desde o início da série histórica do IPM-H, em 2015, o índice registra uma alta cumulativa de 45,5%, o que reflete uma pressão estrutural sobre os custos do setor que antecede o conflito atual.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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