A curva de juros futuros e a situação atual
A curva de juros futuros fechou a sessão nesta quarta-feira, dia 15, com leve estabilidade, refletindo uma diminuição nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, popularmente conhecidos como Treasuries. Essa mudança ocorreu após a divulgação de novos dados sobre a inflação nos EUA, que mostraram índices abaixo das expectativas dos analistas.
Expectativas de corte na taxa Selic
Com o clima de otimismo no mercado externo, os investidores se mantiveram na expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, implementará mais um corte na taxa básica de juros, a Selic. Caso essa redução se confirme, será a quarta consecutiva no contexto de afrouxamento monetário iniciado em março.
No decorrer da tarde, a curva a termo indicava praticamente 100% de chance de uma diminuição de 25 pontos-base na Selic, prevista para o próximo mês de agosto. Atualmente, a taxa encontra-se em 14,25% ao ano.
Além disso, os investidores também começaram a considerar a possibilidade de uma leve redução na Selic em setembro. Ao final da tarde, a probabilidade precificada na curva era de 30% para um quinto corte consecutivo, reduzindo a taxa para 13,75% ao ano, em contraste com 70% de chance de manutenção do atual nível.
Taxas de Depósito Interfinanceiro
Hoje, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que é de curto prazo, fechou em 13,890%, ligeiramente abaixo da taxa de 13,895% registrada no fechamento anterior. Por outro lado, a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações com um valor de 14,025%, comparado a 14,020% do fechamento anterior.
A taxa de DI para janeiro de 2036, que é de longo prazo, finalizou o dia em 14,320%, um aumento em relação à taxa de 14,280% do fechamento da última terça-feira, dia 13.
Movimentações nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de dois anos – considerado mais sensível às decisões de política monetária – estava operando a 4,137%, em comparação a 4,193% do ajuste anterior, aproximadamente às 18h30, horário de Brasília.
Paralelamente, o retorno do título de dez anos, que serve de referência para empréstimos imobiliários e financiamentos de veículos, registrou uma queda para 4,551%, descendo de 4,585% da última segunda-feira, dia 13, no mesmo horário.
Inflação e suas repercussões nas expectativas de juros
No âmbito geopolítico, a atenção voltou-se para a recente decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, que recuou sobre a cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. Entretanto, a grande notícia do dia foi a apresentação de um novo dado sobre a inflação nos Estados Unidos.
Os preços ao produtor, conhecidos pela sigla PPI em inglês, apresentaram uma queda de 0,3% no último mês, seguindo um aumento de 0,6% em maio, cujo número foi revisado para baixo, de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. Economistas consultados pela Reuters previam estabilidade nos preços para o mês.
No acumulado de 12 meses até junho, os preços ao produtor aumentaram 5,5%, após um incremento de 6,0% em maio.
Esse resultado está em consonância com o índice de preços ao consumidor (CPI), que foi divulgado um dia antes e mostrou uma deflação de 0,4% em junho, o que representa a maior queda mensal desde abril de 2020 e também ficou abaixo das previsões do mercado.
Embora o PPI não seja a referência inflacionária utilizada pelo Federal Reserve (Fed), ambos os índices ajudam o mercado a ajustar suas previsões sobre a trajetória da taxa de juros. Assim, os investidores aguardam com interesse o índice de despesas de consumo pessoal (PCE), que é o principal indicador para o Fed e será divulgado no próximo dia 30.
Expectativas para as decisões futuras do Fed
Próximo ao fechamento do pregão, a ferramenta FedWatch, do CME Group, sugeria uma probabilidade de 89,8% de que o Fed manterá os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, na reunião agendada para o final deste mês, especificamente no dia 29. Antes da divulgação do PPI, essa probabilidade era de 84%.
De maneira semelhante, para a reunião subsequente, que ocorrerá em setembro, o mercado ajustou suas expectativas para a manutenção da taxa de juros, configurando uma chance de 51,9% para que os juros permaneçam inalterados. Anteriormente, a visão dos traders era de 52,1% para uma alta nas taxas.
Atualmente, o mês de outubro surge como o período mais provável para uma nova elevação nas taxas, com uma probabilidade de 57,3%, conforme indicado pela ferramenta do CME.
Fonte: www.moneytimes.com.br