Mercado mantém otimismo quanto à redução de juros, mesmo diante da inflação persistente

Mercado mantém otimismo quanto à redução de juros, mesmo diante da inflação persistente

by Fernanda Lima
0 comentários

Cenário Inflacionário de Janeiro

Os preços apresentaram alta em janeiro, seguindo um ritmo superior ao esperado por diversos agentes no mercado financeiro.

Entretanto, a análise feita por economistas sugere que “uma avaliação mais detalhada indica que o resultado foi menos preocupante do que parece“, conforme apontam os analistas do Santander em um relatório macroeconômico.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), usado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para medir a inflação oficial do país, registrou um aumento de 0,33% em janeiro, mantendo-se no mesmo índice observado em dezembro. O esperado, conforme as medianas apuradas pela Reuters, Broadcast e Bloomberg, era uma alteração de 0,32%.

No acumulado de 12 meses, no entanto, o IPCA em janeiro subiu para 4,44%, em comparação aos 4,26% de dezembro. Este nível permanece próximo do teto de 4,5% da meta de inflação de 3% estabelecida pelo BC (Banco Central).

Segundo Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, “mas, prospectivamente, não foi um número que causou preocupação. Isso, de fato, abre oportunidades para o início da flexibilização monetária”. Ela destaca que os números devem continuar a cair nos meses seguintes.

Expectativas pelo Corte de Juros

Um dos aspectos que o Copom (Comitê de Política Monetária) tem avaliado em suas decisões sobre juros é a pressão inflacionária no setor de serviços.

O relatório de Alberto Ramos, diretor do grupo de pesquisas macroeconômicas para a América Latina do Goldman Sachs, salienta: “As pressões inflacionárias no setor de serviços continuam a ser intensas, incluindo alguns indicadores-chave”.

Ramos elenca uma série de fatores, afirmando que “um cenário de dinâmica inflacionária ainda desafiadora, expectativas de inflação de curto e médio prazo sem ancoragem, hiato do produto positivo, mercado de trabalho restrito, medidas contínuas de estímulo fiscal e de crédito, e projeções de inflação acima da meta no horizonte relevante demandam uma calibração conservadora da política monetária”.

Apesar da análise parecer preocupante, economistas consultados pela reportagem ressaltam que uma análise mais aprofundada dos indicadores proporciona sinais iniciais de alívio.

Fábio Romão, sócio da Logos Economia, observa que “detecta-se uma evolução positiva nos preços dos alimentos, com focos de pressão em itens pontuais e discricionários, de maneira particular no transporte público, o que indica que não se trata de uma pressão estrutural nos preços”. Ele acrescenta que essa situação, combinada com a esperada descompressão do IPCA em 12 meses quando os dados de fevereiro forem divulgados, sugere o início do processo de cortes na taxa Selic a partir de março.

A inflação no setor de serviços também apresentou uma flexibilização notável, conforme avaliado por Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos. O indicador que estava em 6% no final de 2025, agora recuou para 5,3%.

Ela afirma: “Este é um primeiro recuo; ainda não é seguro afirmar que se trata de uma tendência. Contudo, a interpretação é de que a contração monetária está, de fato, cumprindo seu papel. Os dados do IPCA de janeiro abrem espaço para um corte nas taxas de juros em março”.

No cenário atual, se a próxima reunião do Banco Central ocorresse neste momento, os analistas destacam que os dados do IPCA não comprometeriam a expectativa de que a flexibilização da Selic, taxa básica de juros do Brasil, começaria com um corte de 0,5 ponto percentual. Atualmente, a Selic encontra-se em 15% ao ano, um patamar que representa o maior nível observado nos últimos 20 anos e que está mantido desde junho.

Na última decisão sobre a taxa de juros, o Copom indicou que deverá realizar um corte na Selic na próxima reunião, desde que o cenário continue conforme o esperado.

Conforme avalia Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da consultoria Eytse Estratégia, “as flutuações atuais no mercado de juros foram moderadas, com as taxas sendo gentilmente pressionadas pela composição do IPCA, que revelou a resiliência dos serviços subjacentes. Contudo, a maioria dos participantes do mercado mantém a expectativa de que o Copom corte a taxa em 50 bps em março, expectativa que compartilhamos. É importante notar que o mercado de opções para a próxima reunião do Copom precifica uma probabilidade de 75% para uma redução da Selic, pelo menos, em 50 bps”.

Entretanto, Kawauti adverte que, até a nova reunião do Copom, programada para os dias 17 e 18 de março, novas divulgações de inflação ocorrerão, sendo necessário acompanhar se a tendência desinflacionária se consolidará.

O comportamento do câmbio também é um ponto de atenção, uma vez que ajudou a amenizar a inflação nos resultados recentes. Se surgirem problemas internos que afetem as cotações, Kawauti alerta para a possibilidade de a desinflação não se consolidar plenamente.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy