Voo de Repatriação de Mumbai a Dubai
Contexto do Voo
Recentemente, realizei um voo de repatriação da Emirates de Mumbai para Dubai, sendo um dos vários voos operados nas últimas 24 horas e um dos primeiros retornando ao país desde que os Estados Unidos e Israel realizaram ataques no Irã no final de semana. A maioria dos voos para e provenientes dos Emirados Árabes Unidos foi suspensa, resultando em centenas de cancelamentos e milhares de pessoas presas, tanto dentro quanto fora do Oriente Médio. A escalada dos conflitos no Irã teve um impacto global significativo no tráfego aéreo.
No dia seguinte, a Emirates e a Etihad anunciaram uma quantidade limitada de voos de repatriação para cidadãos e residentes dos Emirados, além de alguns destinados à evacuação de turistas que estavam temporariamente presos no país.
Mudanças de Rota
Com cerca de 30 minutos restantes da viagem de 3,5 horas de Mumbai para Dubai, o capitão do voo — a bordo de um Airbus A380, que estava apenas cerca de metade lotado — informou aos passageiros que teríamos que retornar devido a mísseis disparados pelo Irã em direção aos Emirados.
Aproximadamente 15 minutos depois, recebemos a notícia de que o espaço aéreo havia sido reaberto e que tínhamos autorização para aterrissar em Dubai, onde chegamos a um aeroporto praticamente deserto. O painel de chegadas estava em branco, mas um pequeno número de passageiros parecia estar partindo em voos de repatriação de volta ao Reino Unido.
Situação na Índia
Quando a guerra teve início, eu estava passando férias em Goa, na Índia, com meu parceiro, com retorno programado para domingo, mas nosso voo direto para os Emirados foi cancelado. Sugestões de meus supervisores levaram à ideia de que eu fosse para o escritório da CNBC em Cingapura, onde poderia aguardar a resolução do conflito e trabalhar de lá. Assim, fomos ao aeroporto de Goa na noite de segunda-feira para pegar nosso voo, que faria uma escala em Mumbai antes de seguir para Cingapura.
Check-in em Mumbai
Ao chegarmos ao aeroporto de Mumbai, verificamos o painel de partidas e avistamos um voo da Emirates programado para Dubai às 2h20 da manhã. Tinha mantido contato com a Emirates, a Etihad e os Aeroportos de Dubai durante todo o fim de semana para minhas reportagens, mas fiquei surpreso ao ver um voo disponível. Dirigimo-nos ao balcão da Emirates para obter mais informações.
Para minha surpresa, fomos informados de que poderíamos reservar os voos caso fôssemos residentes ou cidadãos dos Emirados. Pediram que fizéssemos a reserva na hora, usando o aplicativo da companhia aérea, e que apresentássemos nossa Emirates ID, um documento de identificação nacional para residentes.
Decisão em Meio ao Conflito
Considerando a situação, fomos levados a refletir se deveríamos voltar para um país em guerra ativa. Conversei com a equipe de segurança da CNBC e, juntos, decidimos que seria melhor retornar para casa. Minha equipe já estava há dias reportando e trabalhando nos Emirados, e eu não poderia recusar a oportunidade de voltar. Meu parceiro e eu concordamos que talvez não tivéssemos outra chance tão cedo.
Ao embarcarmos no voo, que estava surpreendentemente vazio, conversamos com outros passageiros, uma mistura de cidadãos Emiratis e expatriados residindo em Dubai. Muitos deles tentaram, nos dias anteriores, embarcar em voos para a Arábia Saudita ou Omã, na esperança de conseguir entrar nos Emirados a partir desses países.
Fui informado de que os taxistas em Muscat estavam cobrando mais de 3.000 dirhams, o que equivale a pouco menos de $200, por uma corrida de quatro horas e meia até a fronteira. A maioria dos passageiros a bordo disse estar animada para voltar para casa, embora o clima a bordo fosse tenso.
Reviravolta no Voo
O voo decolou e nós acabamos adormecendo. Era madrugada e eu havia trabalhado intensamente nos últimos três dias em reportagens de última hora. Trinta minutos antes de aterrissar, o capitão nos acordou para informar que o espaço aéreo dos Emirados estava fechado e que o avião teria que retornar a Mumbai. Estávamos tão próximos.
O ambiente a bordo foi marcado por silêncio e choque. Ao meu lado, uma mulher britânica expressou seu desespero ao ouvir que não veria seus dois filhos em Dubai. Através da conexão Wi-Fi do voo, tomei conhecimento, por meio da minha equipe, que uma série de mísseis havia sido disparada em direção aos Emirados, e que eles ouviram várias explosões altas, que o governo dos Emirados confirmou como sendo a interceptação de mísseis pelas defesas aéreas do país.
Fiquei atônita e comecei a fazer planos de retornar à minha ideia original: ir para Cingapura. Cerca de 15 minutos depois, a voz do capitão retornou, trazendo a inesperada notícia de que tínhamos autorização para aterrissar em Dubai e que estávamos a cerca de uma hora do destino. Todos os passageiros aplaudiram e celebraram.
Aterrissagem em Dubai
Conforme nos aproximávamos de Dubai, avistei o conhecido panorama do Golfo Pérsico pela janela, com petroleiros espalhados pela costa dos Emirados, parecendo pequenas estrelas. A tripulação nos informou que estávamos sendo acompanhados por dois jatos de caça ao entrarmos no espaço aéreo dos Emirados. Apesar de não poder ver nada da minha janela, após a aterrissagem, a Emirates não confirmou essa informação, apenas mencionando que o voo "foi redirecionado seguindo as instruções do controle de tráfego aéreo" e que aterrissou de forma segura em Dubai com uma hora de atraso.
Após o pouso, era logo após às 6h da manhã de terça-feira. A falta de movimento era um lembrete sombrio da sensação prevalente durante a pandemia de Covid-19, quando também experimentei a sensação de um Dubai deserto. O painel de chegadas estava vazio, as esteiras de bagagens paradas, e as filas de táxis inexistentes.
A sensação de retornar para casa era boa, mesmo que fosse um alívio inesperado, já que eu esperava ficar fora por semanas. Para mim, neste momento, a sensação no UAE é de um lugar seguro.
Fonte: www.cnbc.com


