Contratos em Dalian e Singapura apresentam quedas acentuadas
Queda nos preços do minério de ferro
Na sexta-feira, dia 7 de novembro, o mercado de commodities começou o dia de forma negativa, refletindo ansiedades acerca da economia chinesa e seu impacto no consumo global de matérias-primas. Os contratos futuros de minério de ferro, que são um barômetro importante para o setor siderúrgico, sofreram quedas significativas nas principais bolsas asiáticas, o que indicou uma sequência de perdas acumuladas ao longo da semana. No Brasil, essa movimentação teve um eco direto no Ibovespa (BOV:IBOV), onde as ações de mineradoras, como a Vale (BOV:VALE3) | (NYSE:VALE), enfrentaram vendas, mesmo após balanços recentes favoráveis. Os investidores globais, atentos aos altos estoques e às políticas industriais em Pequim, decidiram adotar uma postura cautelosa, priorizando ativos com características mais defensivas em um cenário de desaceleração nas atividades manufatureiras.
Desempenho das bolsas asiáticas
Durante o pregão, os preços do minério de ferro se mantiveram em uma tendência de queda, com volumes de negociação moderados que indicavam pouca disposição para compras. Na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), o contrato com vencimento em janeiro – que é o mais líquido – inaugurou o dia em torno de 775 iuanes por tonelada, oscilando de uma máxima de 778 iuanes a uma mínima de 758 iuanes, antes de fechar a 760,5 iuanes por tonelada. Essa variação absoluta resultou em uma queda de -14,5 iuanes (-1,87%). Esse declínio é um reflexo da aversão ao risco decorrente de dados fracos sobre as importações da China. Por outro lado, na Bolsa de Cingapura (SGX), o contrato benchmark para dezembro iniciou em US$ 103,90 por tonelada, alcançando um pico de US$ 104,20 e um mínimo de US$ 101,00, finalizando em US$ 101,35 por tonelada, com uma queda absoluta de -US$ 2,55 (-2,46%). A diferença de comportamento entre as bolsas evidencia a sensibilidade do SGX aos fluxos internacionais, mas ambos os mercados parecem apontar para um suporte técnico em torno de US$ 100.
Impacto sobre a Vale
Esse desempenho de mercado pressionou diretamente a Vale, a maior exportadora global de minério de ferro, cuja lucratividade depende significativamente dessa commodity. Com mais de 70% de suas receitas atreladas ao ferro, a empresa viu suas ações refletirem essa queda, ampliando suas perdas semanais e destacando como as flutuações em Pequim podem eclipsar avanços operacionais, como o aumento da produção em minas no Brasil.
Movimentações na B3
No pregão da B3, a Vale (BOV:VALE3) sofreu os efeitos negativos da commodity, encerrando o dia em R$ 64,56 após uma sessão caracterizada por uma tendência de baixa. A ação abriu em R$ 64,85, testou uma máxima de R$ 64,86 logo no início, mas posteriormente caiu para uma mínima de R$ 64,02, resultando em uma variação absoluta de -R$ 0,94 (-1,44%), com um volume superior a 20,8 milhões de ações. Esse movimento contribuiu para a realização de lucros no Ibovespa, que, apesar de registros recentes de recordes, teve seu ímpeto pausado pela fraqueza observada em materiais básicos. Analistas vêm apontando o preço atual como uma possível oportunidade de compra, citando o custo C1 da Vale, que está abaixo de US$ 20 por tonelada, como um colchão contra quedas prolongadas nos preços.
Desempenho do ADR da Vale em Nova York
Nos Estados Unidos, o ADR da Vale na NYSE seguiu o mesmo padrão de queda, encerrando o dia em US$ 12,11, apresentando uma perda de -US$ 0,12 (-0,98%). A negociação teve início em US$ 12,02, alcançando uma máxima intradiária de US$ 12,15 e uma mínima de US$ 11,94, com um volume expressivo de 31,6 milhões de ações transacionadas. Este retrocesso, embora menos intenso do que o observado no minério, reflete o apetite global por proteção contra os riscos associados à China, com o setor de materiais do S&P 500 (SPI:SP500) apresentando também uma baixa. Para investidores americanos, o ADR oferece uma exposição diversificada, embora o dia tenha reforçado a correlação com a Ásia, limitando os ganhos potenciais de diversificação em níquel e cobre.
Mercado de mineração na Austrália
Movimentações das mineradoras australianas
Na Austrália, o mercado de mineração, que é um dos principais responsáveis pela oferta global de ferro, registrou quedas moderadas. A BHP Group (ASX:BHP) encerrou o dia cotada a A$ 42,50, resultando em uma desvalorização de -0,74%. A empresa, que é uma importante concorrente da Vale, experienciou oscilações em suas ações durante um pregão instável, pressionada pela mesma dinâmica de demanda enfraquecida da Ásia. Por sua vez, a Rio Tinto (ASX:RIO), que possui uma forte presença na região de Pilbara, registrou uma queda de -0,63%, com suas ações cotadas a A$ 120,80. Este cenário evidencia como os exportadores australianos estão absorvendo impactos semelhantes aos da Vale, mas com custos de produção superiores.
Desempenho das listagens em Londres
Em Londres, as listagens duals de mineradoras australianas também refletiram o pessimismo no mercado. A BHP (LSE:BHP) encerrou o dia cotada a £ 41,20, com uma queda de -1,28%, enquanto a Rio Tinto (LSE:RIO) teve uma desvalorização de -0,63%, terminando o dia em £ 5.226,00. O índice FTSE 100 (LSE:UKX) sentiu o impacto na sua subclasse de recursos básicos, com traders apontando o acúmulo de estoques na China como o principal fator influenciador. Essas empresas, que diversificam seus portfólios com alumínio e cobre, conseguiram mitigar perdas relativas à Vale, mas o dia ainda evidenciou a inter-relação global do setor.
Desempenho das siderúrgicas nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o foco nas operações de siderurgia integrada resultou em variações de desempenho mistas. A Cleveland-Cliffs (NYSE:CLF), com forte exposição ao mercado de aço automotivo, viu suas ações despencarem -3,17%, encerrando o dia em US$ 10,41. Essa performance foi pior que a da Vale, refletindo margens comprimidas em um mercado de demanda volátil. Em contrapartida, a ArcelorMittal (NYSE:MT) destacou-se com um aumento de +3,43%, encerrando o dia cotada a US$ 39,16, beneficiada por estratégias de hedge e um foco maior em produtos de maior valor agregado, demonstrando como a integração vertical pode alterar a tendência em comparação à mineração pura.
Resiliência da ArcelorMittal na Euronext
Na Euronext, a ArcelorMittal (EU:MT) também apresentou um avanço de +1,41%, terminando o dia cotada a € 33,75. Essa performance positiva contrasta com outras participantes do setor de mineração puramente, destacando o valor das apostas em reciclagem e eficiência como formas de mitigar os impactos negativos da queda nos preços do ferro.
Fatores que influenciaram os preços do minério de ferro
- Excesso de oferta na China: Os estoques recordes nos portos e a relutância das siderúrgicas em recomprar material pressionaram os contratos, ampliando o desbalanceamento em um mercado já saturado.
- Restrições na siderurgia: Medidas no norte da China para reduzir a capacidade e conter a deflação diminuíram o apetite por matérias-primas, refletindo a fraqueza no setor imobiliário e nas infraestruturas.
- Perspectiva do mercado: Instituições financeiras como o JPMorgan indicam uma “fadiga natural” no setor, com a qualidade do minério apresentando um declínio em níveis globais, o que pode ser um trunfo para a Vale, cuja produção premium se destaca a longo prazo.
Desempenho das principais empresas de mineração mundial
As grandes mineradoras globais enfrentaram um dia de consolidação mista, com ênfase em melhorias na eficiência operacional. A BHP (ASX:BHP) e a Rio Tinto (LSE:RIO) conseguiram limitar suas perdas em torno de 0,7 a 1,3%, em parte devido a hedge em metais utilizados em baterias, como o lítio. A ArcelorMittal (NYSE:MT) sobresaiu, apresentando um aumento de +3,43%, impulsionada por margens em produtos de aço especiais. Por outro lado, a Cleveland-Cliffs (NYSE:CLF) viu suas ações caírem -3,17%, devido a incertezas relacionadas às tarifas comerciais. No Brasil, a CSN Mineração (BOV:CMIN3) recuou -0,85%, encerrando o dia em R$ 5,81, acompanhando a Vale, enquanto empresas menores, como a Atlantic Lithium (LSE:ALL), enfrentaram uma queda de -4,05%, evidenciando os riscos associados a exploradoras de menor porte.
Fonte: br.-.com


