Denúncia do Ministério Público
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou uma denúncia que envolve 11 indivíduos, todos supostamente ligados a um esquema de organização criminosa que tinha como foco a cobrança de propina de grandes empresas. O objetivo era facilitar, inflar e conseguir aprovar créditos de ICMS junto à Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo.
Envolvimento de Pessoas Chave
Entre os denunciados, destacam-se nomes conhecidos, como o fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira, o ex-auditor fiscal estadual Artur Gomes da Silva Neto e o diretor fiscal e contábil da Ultrafarma, Rogério Barbosa Caraça.
Papel de Sidney Oliveira
Conforme aponto o MPSP, Sidney Oliveira era o responsável por tomar decisões estratégicas relacionadas ao esquema criminoso. Ele cuidava diretamente da aprovação dos valores que deveriam ser pagos como propina para os auditores fiscais corruptos.
A Atuação de Rogério Barbosa Caraça
Rogério Barbosa Caraça tinha um papel operacional dentro do esquema. Ele ficava encarregado de enviar aos auditores fiscais toda a documentação necessária para a formulação dos pedidos de ressarcimento, além de cobrar o deferimento dos valores envolvidos.
Artur Gomes da Silva Neto como Articulador
Artur Gomes da Silva Neto foi identificado pelo MPSP como o articulador central da organização criminosa. Ele mantinha contato direto com os representantes das empresas contribuintes e lhes oferecia serviços ilegais. Além disso, ajustava o valor da propina e supervisionava todas as etapas do esquema.
Montante Envolvido e Método de Operação
As investigações revelaram transferências que ultrapassaram R$ 81 milhões para empresas vinculadas ao núcleo financeiro do grupo, junto com movimentações societárias de valores bilionários que dificultaram o rastreamento dos recursos.
Os pagamentos eram realizados através de contratos simulados com uma empresa de consultoria tributária, que posteriormente possibilitavam operações para a lavagem de dinheiro. Essa empresa estava formalmente registrada em nome da mãe de Artur, Kimio da Silva, embora o ex-auditor fosse quem de fato coordenava suas operações.
Estrutura da Organização Criminosa
O grupo atuou de maneira estruturada entre os anos de 2021 e 2025, conforme evidências coletadas pelas investigações. Existiram indícios sobre a formação de quatro núcleos distintos dentro da organização:
- Agentes Públicos: Composto por auditores fiscais incumbidos de viabilizar os créditos tributários.
- Técnico-Operacional: Formado por consultoras que eram responsáveis pela preparação da documentação e pelo protocolo dos pedidos de ressarcimento.
- Financeiro: Esse núcleo tinha como função principal ocultar e dissimular a origem ilícita dos valores recebidos.
- Empresarial: Composto por representantes de companhias que eram beneficiadas pelo esquema criminoso.
Evolução Patrimonial
O MPSP também apontou que Kimio da Silva teve um aumento patrimonial notável, saltando de cerca de R$ 411 mil para mais de R$ 2 bilhões em apenas dois anos.
Situação dos Acusados
Dos 11 indivíduos acusados, quatro estão atualmente presos de forma preventiva, incluindo Artur Gomes da Silva Neto. Alberto Toshio Murakami, um ex-auditor fiscal, está foragido desde agosto de 2025 e foi inserido na lista de procurados pela Interpol.
Contato com as Partes Envolvidas
A tentativa de contato por parte do CNN Money com a Ultrafarma está em andamento, e a empresa aguarda um posicionamento. A reportagem também busca estabelecer contato com Artur e Kimio da Silva, mantendo o espaço aberto para resposta.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br