Na China, empresas internacionais enfrentam desafios enquanto marcas locais se destacam.

Na China, empresas internacionais enfrentam desafios enquanto marcas locais se destacam.

by Ricardo Almeida
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Desafios das Empresas Ocidentais na China

Para muitas empresas do Ocidente, as operações na China sofreram alterações significativas. Fatores como uma economia frágil e a baixa demanda do consumidor estão levando executivos a reavaliar suas estratégias de marca e a competir com concorrentes locais que estão em ascensão.

Pessimismo das Marcas Globais

De montadoras como a BMW ao grupo Fast Retailing, que possui a Uniqlo, e à gigante de móveis IKEA, as empresas globais apresentam um crescente pessimismo em relação às expectativas para o mercado chinês. Algumas delas já retiraram suas projeções de lucros, enquanto outras se conformaram com uma nova realidade, que denominaram de “normalização”.

Essas orientações pessimistas refletem como o mercado na China, que é impactado pela guerra comercial, pela acirrada competição de preços, pelo nacionalismo em crescimento e por consumidores que estão cada vez mais preocupados com custos, está se configurando como um obstáculo considerável para muitos negócios, que já enfrentam desafios devido a tarifas mais altas impostas pelos Estados Unidos.

“Precisamos encontrar maneiras mais inteligentes de produzir para que os preços se tornem ainda mais competitivos, e precisamos aprender a ser ainda mais relevantes para o mercado chinês”, declarou Jon Abrahamsson Ring, CEO da Inter IKEA, a franqueadora da marca IKEA. Ele ainda destacou que a confiança do consumidor na China continua sendo uma barreira a ser superada.

Impacto nas Montadoras

As montadoras estrangeiras, como a BMW, Mercedes-Benz e Porsche, estão entre as mais afetadas pelas guerras de preços e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, contabilizando uma queda nas vendas no maior mercado automotivo do mundo, em meio a uma grande concorrência.

Reavaliação Estratégica

A Nestlé, que é a maior empresa de alimentos embalados do planeta, enfatizou a necessidade de se concentrar mais em estimular a demanda dos consumidores. A ASML, que é a principal fornecedora mundial de equipamentos para a fabricação de chips, alertou sobre uma queda “significativa” na demanda da China no próximo ano, descrevendo a diminuição nas vendas na região como uma “normalização”.

Além disso, uma mudança nos padrões de consumo está afetando os varejistas globais. Os consumidores mais econômicos estão migrando para plataformas online, como o Taobao, da Alibaba, em busca de preços mais acessíveis.

Resultados da Fast Retailing e Nike

Na Fast Retailing, controladora da Uniqlo, as vendas e lucros caíram na China, seu maior mercado, que conta com 900 lojas, mesmo com um aumento de 24% na receita na América do Norte. A Nike já informou uma redução nas vendas pelo quinto trimestre consecutivo no mercado da Grande China, enfrentando forte concorrência de marcas locais como Anta e Li Ning. Recentemente, a Nike enviou estrelas do basquete, como LeBron James e Ja Morant, para a China, com o objetivo de atrair consumidores.

Desafios no Setor de Bebidas Alcoólicas

No segmento de bebidas alcoólicas, a empresa australiana Treasury Wine Estates revisou sua previsão de lucros para 2026, devido às vendas insatisfatórias de seus vinhos Penfolds na China, atribuindo essa situação a mudanças nos hábitos de consumo de álcool e à diminuição da realização de banquetes em larga escala. A fabricante francesa Pernod Ricard também registrou uma queda de 27% em suas vendas na China.

Desempenhos Positivos em Setores Específicos

Veteranas na indústria, algumas empresas, especialmente no setor de luxo na China, têm se mostrado mais resistentes. Esse segmento é responsável por aproximadamente um terço das vendas globais. A LVMH anunciou vendas no terceiro trimestre que superaram as expectativas, impulsionadas por uma recuperação na demanda chinesa. A empresa observou que os consumidores estão respondendo positivamente a novas experiências de varejo, como a boutique da Louis Vuitton em formato de navio localizada em Xangai.

“O que notamos é que sempre que introduzimos uma nova iniciativa ou inovação no varejo, isso gera um interesse imediato, e os consumidores reagem rapidamente”, afirmou Cecile Cabanis, diretora financeira da LVMH.

As contínuas pressões deflacionárias na China fazem crescer a discussão sobre a necessidade de implementação de mais medidas políticas, uma vez que a demanda débil e as tensões comerciais seguem impactando uma economia de US$ 19 trilhões.

Expectativas de Crescimento e Números Relevantes

Na próxima segunda-feira, dados sobre o crescimento do PIB e vendas no varejo da China, além de uma série de balanços de empresas globais, fornecerão novas informações aos investidores sobre a saúde da segunda maior economia do mundo.

A Ascensão das Marcas Locais

Além das dificuldades enfrentadas por marcas globais, um fator que agrava a situação é a rápida ascensão de alternativas locais, que estão se tornando mais baratas e competitivas em diversas categorias, incluindo automóveis, café e moda. As marcas chinesas representam 69% das vendas totais de carros na China nos primeiros oito meses deste ano, em comparação com 38% no ano de 2020.

Entre os exemplos de marcas de sucesso estão a Luckin Coffee, que compete diretamente com a Starbucks; a Mixue, uma rede de sorvetes e bebidas que tem desafiado a Häagen-Dazs com suas opções mais acessíveis; e as marcas de cosméticos Proya e Chando, que têm conquistado participação de mercado frente a empresas globais.

Preços Competitivos e Expansão de Empresas Locais

Os consumidores pagam em média 9,9 yuan (US$ 1,40) por um latte da Luckin Coffee, o que representa menos de um terço do custo em uma Starbucks. A participação de mercado das marcas chinesas de cosméticos deve ultrapassar a das marcas estrangeiras pela primeira vez em 2025, alcançando 50,4%, conforme estimativas da Frost & Sullivan.

A Urban Revivo, conhecida como a “Zara da China”, está entre um crescente número de empresas locais que buscam expandir suas atividades no exterior. Outra destacada é a varejista de joias Laopu Gold, frequentemente referida como o “Hermès do ouro”, cujas ações valorizaram 214% neste ano, sustentando-se fortemente no patrimônio cultural da China e conquistando o coração dos consumidores.

A Frost & Sullivan indicou que 77,3% dos clientes da Laopu também consomem produtos de marcas como Louis Vuitton, Hermès, Cartier, Bulgari e Tiffany & Co. A Nestlé reconheceu que havia se concentrado excessivamente na ampliação da distribuição na China, em detrimento da atração de consumidores. Com isso, a empresa está reavaliando sua abordagem. “Estamos corrigindo isso, consolidando nossa distribuição e tornando-a mais eficiente, enquanto fomentamos a demanda dos consumidores”, mencionou a diretora financeira Anna Manz.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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