Na disputa entre os grandes bancos: uma certeza e uma dúvida.

Na disputa entre os grandes bancos: uma certeza e uma dúvida.

by Ricardo Almeida
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Abertura da Temporada de Resultados dos Bancos

A temporada de resultados financeiros está apenas no início, mas os grandes bancos já apresentaram seus números. Na última quinta-feira (12), o Banco do Brasil (BBAS3) divulgou seus resultados, seguindo os anúncios feitos pelo Santander Brasil (SANB11) e Itáu Unibanco (ITUB4) no dia 4, e pelo Bradesco (BBDC4) no dia 5.

Desempenho Financeiro e Rentabilidade

Exceto pelo Banco do Brasil, todos os outros bancos relataram aumento no lucro. A rentabilidade também apresentou crescimento, conforme detalhado na tabela a seguir. O Bradesco, assim como no trimestre anterior, foi o banco que registrou o maior avanço no lucro, com um crescimento de 20%.

De acordo com dados da Elos Ayta, o lucro líquido consolidado alcançou R$ 86,55 bilhões em 2025, marcando o maior valor nominal já registrado desde o início da série histórica em 2006. Em dois anos, o crescimento acumulado foi de 50,6%.

Mesmo considerando a correção pelo IPCA até dezembro de 2025, o número apresenta pouca variação: o lucro real desse ano é o segundo maior da série, apenas superado pelo de 2019, quando atingiu R$ 88,14 bilhões, em valores reais.

O cenário é claro: os bancos continuam a contornar a taxa Selic elevada, atualmente fixada em 15%. Outros indicadores, como eficiência operacional, diversificação de receitas e modelo de negócios, tornaram-se cada vez mais relevantes e agora fazem parte dessa análise.

Resumo dos Resultados dos Bancos

BancoLucroVariação A/AROEVariação A/A
Itaú UnibancoR$ 12,3 bilhões13%24,40%0 pp
Banco do BrasilR$ 5,7 bilhões-40%12,40%-8,4 pp
BradescoR$ 6,5 bilhões20,60%15,20%2,5 pp
Santander BrasilR$ 4 bilhões6%17,60%0,1 pp

Itaú, um Banco Consensualmente Atraente

O Itaú continua a ser considerado uma opção de compra quase unânime entre os analistas.

Para o BTG Pactual, o destaque do trimestre foi a robustez dos ativos, que apresentaram métricas superiores ou estáveis, o que permite ao banco começar o ano com um balanço financeiro saudável.

De maneira geral, o Itaú superou as expectativas definidas anteriormente. Os analistas mostraram-se otimistas quanto ao desempenho do banco, prevendo que estará bem posicionado para superar o mercado no médio prazo.

O BTG ainda classificou 2025 como “outro ano excepcional”. Ao longo do ano, o Itaú apresentou um lucro de R$ 46,8 bilhões, representando um aumento de 13% em comparação ao ano anterior. O ROE do banco alcançou 23,4%.

O UBS BB destacou tendências operacionais relevantes, especialmente na carteira de crédito, que cresceu 6,3% no trimestre (4,5% excluindo o efeito cambial).

Os analistas também observaram um avanço significativo na carteira de crédito, apesar de alguma compressão nas margens com clientes, receitas de tarifas firmes e uma leve melhoria no índice de eficiência (cost to income).

A margem financeira (NII) teve um crescimento de 1,5% na comparação trimestral, sustentada por volumes maiores, mas limitada por um mix de operações mais conservador.

O JPMorgan avaliou que os números vieram de acordo com as expectativas, mas reforçou uma visão positiva sobre a execução da estratégia, especialmente em relação às pequenas e médias empresas.

Com a divulgação do balanço, o Itaú também apresentou suas projeções de 2026. A carteira de crédito pode crescer até 9,5%, e o banco prevê um lucro médio de R$ 51,1 bilhões no próximo ano, alinhando-se ao consenso da Bloomberg, mas 2% abaixo das estimativas do próprio JPMorgan.

O Banco Safra classificou as projeções como “neutras”, chamando atenção para a alta projetada entre 1,5% e 5,5% nas despesas operacionais.

Embora as projeções de despesas operacionais indiquem uma disciplina em eficiência, o crescimento mais modesto da receita, em torno de 7% ao ano, limita uma reavaliação mais significativa.

Para o BTG, a diminuição no crescimento das despesas já reflete a agenda de eficiência prevista para os próximos anos.

Banco do Brasil, Um Cenário de Incertezas

Apesar do Banco do Brasil ter superado as expectativas, parte dos analistas adota uma postura cautelosa ao falar sobre uma possível recuperação consistente.

O Safra destacou que os resultados foram favorecidos por menores despesas de captação, pela contribuição do Banco Patagonia, pelas provisões inferiores à formação de novas perdas e pelo efeito tributário benéfico.

A medida do governo para renegociação de dívidas do setor agropecuário também proporcionou alívio. Os R$ 22 bilhões renegociados elevaram o Índice de Capital Principal em 144 pontos-base.

Ainda assim, o sentimento com a ação pode melhorar apenas gradualmente. Investidores reconhecem que o banco ganhou tempo para lidar com ativos problemáticos antes do ciclo de afrouxamento monetário previsto para março.

A XP ressaltou que o lucro foi elevado por um efeito tributário positivo de R$ 1,8 bilhão, enquanto os custos de crédito permanecem altos, em R$ 18 bilhões.

Os analistas observaram que o índice de cobertura continua em queda e que as tendências no setor agropecuário seguem pressionando.

O Bradesco BBI apontou para fraquezas nas tarifas e uma deterioração na qualidade dos ativos, com a inadimplência acima de 90 dias alcançando 5,2%.

As provisões mantiveram-se em linha, mas verificou-se uma queda de cerca de 20 pontos percentuais na cobertura, pressionada por um caso corporativo específico.

O JPMorgan, por sua vez, adotou um tom mais otimista, destacando que o lucro antes de impostos superou as expectativas. Embora o ROE de 12,6% não seja excepcional, o resultado foi considerado construtivo, tendo em vista as expectativas mais baixas.

Para o BTG, mesmo com a melhoria pontual, a normalização da exposição ao setor agropecuário, tanto em termos de prazo quanto de rentabilidade, ainda é incerta.

O resultado pode sustentar as ações no curto prazo, especialmente porque os papéis têm demonstrado resiliência, mas uma normalização dos lucros deve ocorrer gradualmente, envolta em incertezas no crédito rural.

A CEO Tarciana Medeiros reconheceu o cenário desafiador para os anos de 2025 e 2026.

Bradesco, Sentimentos Mistos

No Bradesco, os sentimentos são ambivalentes. Apesar de um consenso de que o banco apresentou resultados positivos, o guidance para 2026 frustrou as expectativas.

O Citigroup reduziu suas estimativas de lucro para 2026 e 2027 em 3% e 4%, resultando em projeções de R$ 27,8 bilhões e R$ 31,2 bilhões, respectivamente. O ROE projetado está em 15,4% e 15,8%. Porém, manteve a recomendação de compra e elevou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 24.

Apesar de o guidance indicar cautela no crédito, o Citi considera que existem vetores estruturais que sustentam o avanço gradual do ROE.

O JPMorgan também cortou suas projeções, prevendo um lucro de R$ 27,5 bilhões em 2026, que é 4,5% abaixo do consenso do mercado.

Embora o Bradesco seja considerado uma opção atrativa, com um dividend yield em torno de 7,6% e uma expectativa de crescimento do lucro de cerca de 12% nos anos de 2026 e 2027, o JPMorgan prefere outras opções, como o Itaú, que justificariam um prêmio maior.

Enquanto parte do mercado acredita que as ações (BBDC4) atingiram um teto após um aumento de 70% em 12 meses, o UBS BB tem uma perspectiva diferente e elevou seu preço-alvo de R$ 25 para R$ 27.

O banco está sendo negociado a 1,2 vezes seu P/VP e 7,6 vezes o lucro, e o resultado de R$ 6,5 bilhões mostrou-se em linha com o consenso de mercado.

A qualidade dos ativos foi um aspecto positivo, com a inadimplência inicial ( entre 15 e 90 dias) e as NPL acima de 90 dias se mantendo estáveis, em 3,4% e 4,1%, respectivamente, desde o primeiro trimestre de 2025.

Santander, Incertezas sobre a Qualidade

No Santander Brasil, os resultados foram conforme as expectativas, mas a qualidade desses resultados gerou questionamentos.

De acordo com o Safra, o lucro antes de impostos (EBT) ficou 5% abaixo das expectativas do mercado, enquanto o lucro antes das provisões caiu 7% em relação às estimativas, pressionado pela redução do NII e pelo aumento das despesas operacionais.

A redução de 10% nas provisões acompanhou a queda na cobertura. Embora parte da movimentação seja atribuída a uma mudança para exposições menos arriscadas, o cenário ainda sugere cautela.

Houve uma piora nos NPLs, especialmente entre pequenas e médias empresas, com um aumento nos atrasos entre 15 e 90 dias. No segmento de pessoas físicas, os NPLs acima de 90 dias subiram 40 pontos-base no trimestre.

O Citi também destacou a qualidade dos ativos como um desafio essencial, tanto para clientes individuais quanto para empresas. A inadimplência continua a subir, as renegociações se tornaram mais abrangentes e as recuperações diminuíram.

Em termos gerais, os resultados demonstram uma certa estabilidade em receitas e rentabilidade. No entanto, a postura cautelosa em meio a um ambiente desafiador pode restringir novas expansões do ROE em curto prazo, conforme ressaltado pelos analistas.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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