CDI é superior aos títulos atrelados ao IPCA? Descubra qual investimento realmente protege contra a inflação.

CDI é superior aos títulos atrelados ao IPCA? Descubra qual investimento realmente protege contra a inflação.

by Ricardo Almeida
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Durante um longo período, muitos investidores optaram por aplicações atreladas ao CDI como uma estratégia para se protegerem da inflação, deixando de lado os títulos do Tesouro que estão vinculados ao IPCA. Contudo, um recente relatório elaborado pela TAG Investimentos sugere que essa abordagem pode estar comprometendo o patrimônio dos investidores, especialmente ao longo do tempo.

O argumento central desse relatório aborda uma questão que parece simples à primeira vista: as despesas recorrentes, como contas de supermercado, mensalidades escolares e planos de saúde, sofrem reajustes com base no IPCA, enquanto não são afetadas pelo CDI. O documento ressalta: “O ativo livre de risco é aquele que paga essas contas. O restante representa liquidez com marketing”.

Segundo o relatório, para aqueles que têm a intenção de custear a educação dos filhos ou garantir uma aposentadoria adequada, é fundamental priorizar a preservação do poder de compra em vez de apenas salvaguardar a quantia nominal de dinheiro.

A equipe da TAG Investimentos observa que indivíduos com objetivos financeiros concretos no futuro, como aposentadoria, educação dos filhos e manutenção de um padrão de vida, devem considerar o risco em termos de poder de compra, e não em relação à volatilidade dos investimentos. Dentro dessa métrica, os investidores enfrentam um risco significativo ao se basearem no CDI: o risco de reinvestir todos os dias a uma taxa real futura desconhecida, sem qualquer proteção contratual contra a inflação.

IPCA X CDI

Os analistas que participaram do estudo afirmam que, em determinados períodos, o CDI pode não superar a inflação, enquanto os títulos indexados ao IPCA oferecem uma proteção mais adequada para metas de longo prazo.

Além disso, argumentam que o patrimônio de quem pretende se aposentar em um período de 20 anos, por exemplo, deve não apenas crescer próximo ao CDI, mas também acompanhar o custo de vida no futuro.

O relatório destaca, no entanto, que não é recomendável abandonar completamente os investimentos baseados no CDI. Para a TAG, ativos vinculados às taxas de juros continuam a ser úteis para a formação de uma reserva de liquidez e para atender necessidades financeiras de curto prazo, mas não devem ser considerados a principal estratégia de investimento para objetivos de longo prazo.

Ajustes de curto, médio e longo prazo

Retornando a uma análise mais ampla, o estudo argumenta que países como o Brasil, que enfrentam altos níveis de dívidas fiscais, ficam mais vulneráveis à inflação em um determinado período de tempo, devido à necessidade de ampliação da oferta monetária para cobrir essas dívidas.

Os analistas observam que, nos Estados Unidos, o efeito do aumento da oferta de moeda sobre a inflação é percebido após um intervalo de 21 a 26 meses. Em contrapartida, no Brasil, esse período é estimado em cerca de 15 meses.

Assim, os especialistas concluem que a inflação brasileira não resulta apenas de choques esporádicos, como fatores climáticos ou oscilações nos preços de alimentos, mas também de uma expansão monetária que é persistente.

“Desde 2002, no Brasil, a agregação monetária M2 cresceu em média 14,09% ao ano, enquanto o IPCA apresentou uma média de 6,42%. Nosso agregado monetário opera com variações de dois dígitos há mais de 20 anos”, afirmam os analistas.

Para eles, o déficit fiscal atual representa a base para uma expansão monetária futura, e essa expansão monetária impactará o IPCA em um prazo de aproximadamente 15 meses.

*Com supervisão de Renan Sousa

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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