## Bloqueio Iraniano no Estreito de Ormuz
A de fato bloqueio imposto pelo Irã no Estreito de Ormuz gerou preocupações sobre a maior interrupção na oferta global de petróleo da história, à medida que o conflito no Oriente Médio se aproxima de sua terceira semana. O bloqueio resultou em uma drástica redução no tráfego de navios, com apenas 21 petroleiros transitando pela rota desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, de acordo com dados da S&P Global Market Intelligence. Antes do conflito, mais de 100 embarcações transitavam diariamente pela região.
### Situação das Embarcações
A maioria das embarcações parece estar mantendo suas posições fora do Estreito de Ormuz, com milhares de marinheiros presos a bordo de suas embarcações no Golfo. Alguns estão considerando mudar para portos alternativos. Aproximadamente 400 navios foram avistados operando no Golfo de Omã, enquanto uma enorme fila de embarcações aguarda próximo ao ponto crítico, conforme relatado pela empresa de inteligência marítima Windward no domingo.
Embora o Irã tenha mantido um controle rigoroso sobre o estreito, um pequeno número de outras embarcações conseguiu transitar sob circunstâncias variadas, indicando que o Teerã está selecionando quais cargas de petróleo não iranianas podem passar, em viagens seguras negociadas, conforme analisado por especialistas marítimos.
### Países com Embarcações Transitando
Aqui está uma visão de alguns dos países cujos navios conseguiram transitar pela rota energética crítica desde o início da guerra.
## China
Teerã tem evitado, na maioria das vezes, atacar navios associados à China. Dezenas de embarcações transmitindo a identificação automática de navios (AIS) indicaram que pertenciam ou tinham tripulação chinesa enquanto operavam no Golfo, de acordo com a Windward.
Analistas da Windward afirmaram em um relatório na semana passada que “esse padrão sugere a possibilidade de um filtro de acesso informal, onde embarcações sinalizando propriedade ou tripulação chinesa podem estar tentando indicar neutralidade ou evitar alvos no atual ambiente de conflito.”
Pequim estaria em negociações com o Irã para permitir a passagem de petroleiros de petróleo bruto e gás natural liquefeito do Catar pelo estreito. O Irã continuou a enviar milhões de barris de petróleo bruto para a China desde o início da guerra.
Entre 1 e 15 de março, um total de 11 embarcações ligadas à China transitaram pelo Estreito de Ormuz, conforme indicado pelo Lloyd’s List Intelligence, principalmente navios de carga geral, enquanto petroleiros operados por proprietários chineses convencionais ainda evitavam a rota. No início deste mês, a Cosco Shipping, estatal chinesa, suspendeu todas as novas reservas para rotas para e a partir de portos no Oriente Médio.
Entretanto, um navio que transmitia sua afiliação chinesa nem sempre garantia uma passagem segura. Um navio de bandeira chinesa que indicava “Proprietário da China” via AIS durante a travessia foi atingido por estilhaços enquanto navegava do Golfo do Oriente Médio em direção a Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos, em 12 de março, um evento que desde então desincentivou novas travessias chinesas, conforme relatado pelo Lloyd’s List Intelligence.
## Grécia
Os armadores gregos, liderados pela Dynacom Tankers Management, com sede em Atenas, foram alguns dos primeiros operadores convencionais a testar a rota. O Shenlong, um petroleiro Suezmax com bandeira da Libéria, gerenciado pela Dynacom, transitou pelo estreito por volta de 8 de março, transportando cerca de um milhão de barris de petróleo bruto saudita, com chegada ao ancoradouro de Mumbai.
Outro petroleiro, o Smyrni, carregado com petróleo bruto saudita, também navegou pelo estreito na semana passada e ancorou em Mumbai. Não está claro se o Smyrni foi autorizado a passar em segurança devido ao seu carregamento destinado à Índia, segundo o Lloyd’s List Intelligence.
## Índia
O ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, descreveu as conversas diretas do país com Teerã como produtivas. “Estou, neste momento, envolvido em conversas com eles e minhas conversas renderam alguns resultados”, afirmou ao Financial Times na semana passada. “Se está dando resultados para mim, naturalmente continuarei a acompanhar isso.”
Além disso, dois navios indianos que transportavam gás liquefeito de petróleo (LPG), sob a bandeira da Companhia Nacional de Navegação da Índia, também foram autorizados a transitar, sendo um deles já chegado no domingo e outro esperado para chegar na terça-feira. Aproximadamente 22 embarcações carregando petróleo bruto, LPG e gás natural liquefeito continuam ancoradas no estreito, aguardando a confirmação de passagem segura, conforme apurado pela CNBC.
## Paquistão e Turquia
Recentemente, um petroleiro Aframax com bandeira do Paquistão, carregado com petróleo cru de Abu Dhabi, tornou-se o primeiro navio de carga não iraniano a transitar pelo ponto crítico enquanto transmitia sua localização, segundo a unidade de inteligência de rastreamento de navios, Kpler. Isso demonstra que “envios selecionados podem estar recebendo passagem segura negociada.”
Autoridades turcas também confirmaram que um navio de propriedade turca foi autorizado a transitar após chamar em um porto iraniano, embora 14 embarcações turcas adicionais permaneçam na região aguardando liberação.
## Ataques ‘Aleatórios’ e Rotas Alternativas
No entanto, o Estreito de Ormuz permanece efetivamente fechado ao fluxo global de energia, já que Teerã continua a realizar ataques esporádicos a embarcações. Os ataques a navios no Golfo aparentam ser “aleatórios” e carecem de um padrão claro, visando semear confusão e interrupção, ao invés de alvos específicos de perfis nacionais ou tipos de embarcações, afirmaram analistas marítimos.
Pelo menos 16 embarcações foram atingidas em águas próximas ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, ao porto Khor Al Zubair no Iraque, e no Golfo de Omã, de acordo com a Organização Marítima Internacional. Várias embarcações que foram alvos tinham conexões ocidentais ou com estados do Golfo, incluindo ligações com os EUA, UAE e Reino Unido através de propriedade ou registro estatal, conforme disse a Windward.
Outras embarcações afetadas também incluíram navios vindos da Tailândia, Vietnã e Brasil, indicando um “alvo amplo de rotas comerciais densas, ao invés de um foco restrito em uma nacionalidade ou classe de operador”, afirmaram os analistas da Windward. Os ataques não seguiram um padrão discernível, conforme exposto por Bridget Diakun, analista sênior de risco e conformidade do Lloyd’s List Intelligence, o que “torna as coisas difíceis para quem tenta planejar qualquer transito, pois não conseguem entender qual é o raciocínio para um navio ser atingido em detrimento de outro.”
Armadores também têm se apressado para garantir rotas alternativas, portos de contingência ou redes de transporte terrestre, provocando uma cascata de congestionamento nos portos secundários da região. Quando a guerra começou, cerca de 81 navios porta-contêineres estavam a caminho de portos ao longo do Estreito de Ormuz, conforme a Kpler. Desde então, 43 mudaram de rota para outros portos do Golfo, com o restante evitando a região completamente. As cargas foram redirecionadas para portos fora do estreito, notavelmente Fujairah e Khor Fakkan nos Emirados, e Sohar, em Omã, antes de serem transportadas por caminhão para seus destinos.
— CNBC’s Seema Mody contribuiu para este relatório.
Fonte: www.cnbc.com