Análise do Impacto da Decisão Antitruste sobre Alphabet e Apple
Contexto da Decisão
Analistas de Wall Street acreditam que a recente decisão favorável de antitruste que a Alphabet obteve pode beneficiar ainda mais a Apple. Isso ocorre porque a Apple, fabricante do iPhone, poderá licenciar produtos de inteligência artificial generativa fora do ecossistema do Google. Em um processo judicial no ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA alegou que o Google mantinha um monopólio ilegal em seu mercado principal de busca na internet. Como resultado, sugeriu que a Alphabet revivesse alguns de seus ativos, incluindo a venda de seu navegador Chrome. Contudo, a empresa conseguiu evitar cenários mais drásticos na terça-feira, quando um juiz de um tribunal distrital dos EUA decidiu contra algumas das consequências mais severas propostas, como uma possível divisão da empresa.
Detalhes da Decisão Judicial
Na decisão, o tribunal informou que a Alphabet não será forçada a vender o Chrome, mas será barrada de firmar contratos de exclusividade que condicionem pagamentos ou licenciamento. Em resposta a esse veredicto, o mercado financeiro enviou as ações da Alphabet e da Apple para cima, com os investidores percebendo a decisão como uma vitória ainda maior para a fabricante do iPhone. Durante a negociação inicial do dia, as ações de ambas as empresas apresentaram ganhos que variaram de 3,5% a 8,5%.
Perspectiva de Análise da Morgan Stanley
Em um relatório divulgado na quarta-feira, a Morgan Stanley descreveu a decisão do juiz como um resultado próximo do melhor cenário possível. O banco destacou que a Apple ainda pode receber custos de aquisição de tráfego da Google (GOOGL), desde que sob certas condições, e pode renegociar a posição de busca padrão anualmente. Esses fatores superam o que o banco havia anteriormente projetado em seu "Cenário 4", resultando em um impacto financeiro que pode ser considerado imaterial ou potencialmente positivo.
Implicações para o Google e a Apple
Embora o Google tenha que interromper os pagamentos de exclusividade pela utilização de sua função de busca, a empresa ainda poderá compensar a Apple pela distribuição em iPhones, incluindo a posição de mecanismo de busca padrão, conforme analisado pelo Baird. O banco estimou que os pagamentos anuais do Google à Apple são em torno de US$ 20 bilhões, representando cerca de 20% da receita de Serviços da Apple — cerca de 5% de sua receita total.
Os analistas também ressaltaram que a perda de exclusividade da Alphabet atuará como um importante fator catalisador para a Apple, visto que isso permitirá à empresa licenciar outros produtos de IA que não sejam do Google, mesmo com os pagamentos do Google continuando. "As soluções de não-exclusividade permitem que a Apple licencie produtos GenAI que não sejam do Google, como o OpenAI", afirmou a TD Cowen.
Aposentando Concernências
A TD Cowen também apontou que os pagamentos de receita conforme a divisão do Google podem servir de referência valiosa para a negociação de futuros acordos de compartilhamento de receita de diversas parcerias com IA generativa, especialmente quando a Apple começar a planejar a oferta de uma opção de busca com inteligência artificial em seu navegador Safari. A relevância dessa decisão tende a crescer à medida que chatbots se tornam uma alternativa popular à experiência tradicional de busca na internet.
A decisão positiva da última terça-feira ajudou a consolidar a perspectiva otimista de Wall Street em relação às ações da Apple, com a maioria dos analistas mantendo suas classificações de compra. A seguir, estão as opiniões de alguns dos maiores bancos de investimento após a decisão.
Reações dos Bancos
Bank of America
O Bank of America elevou seu preço alvo para as ações da Apple, passando de US$ 250 para US$ 260, o que implica um potencial de valorização de aproximadamente 13%. O banco afirmou que, embora os detalhes e nuances da decisão e suas implicações para a Apple ainda precisem ser definidos, não percebem uma alteração material imediata na relação atual entre Apple e Google, nem na estrutura de pagamentos. A longo prazo, o compartilhamento de dados com outros motores de busca e provedores de IA generativa pode representar desafios para a Apple devido à diminuição dos pagamentos de TAC do Google.
Morgan Stanley
A Morgan Stanley indicou que o que foi aprendido com o juiz na noite anterior deveria ser considerado como o melhor resultado para a Apple, superando o ‘Cenário 4’ mais provável apresentado anteriormente. A firma ressaltou que a Alphabet poderá continuar a pagar à Apple pela distribuição da busca e que a Apple ainda terá a capacidade de definir um motor de busca padrão e receber pagamentos relacionados.
Baird
O banco Baird acredita que a Apple pode continuar a receber pagamentos significativos pela distribuição do Google e que, ao longo do tempo, poderá avaliar oportunidades com plataformas emergentes como OpenAI, Perplexity e outras à medida que elas desenvolvem plataformas publicitárias mais amplas.
TD Cowen
A TD Cowen avaliou que os remédios legais são amplamente favoráveis para os negócios de serviços publicitários da Apple, considerando que acordos de licenciamento de terceira parte com o Google representam cerca de 20% das receitas de Serviços e aproximadamente 10% do lucro bruto total da empresa. Afirmou ainda que a partilha de receita com o Google pode estar na faixa dos US$ 20 bilhões, apesar da queda nas consultas de busca do Google no navegador Safari.
Goldman Sachs
O Goldman Sachs mencionou que, dada a continuidade dos pagamentos de custo de aquisição de tráfego do Google para a Apple, a decisão é positiva para a Apple, que deve ter recebido quase US$ 23 bilhões em receita de TAC no exercício de 2024. A decisão do tribunal também oferece uma visão geral dos Acordos Comerciais de Gemini, que preveem pagamentos do Google para OEMs de smartphones e operadoras de wireless pela distribuição de experiências Gemini em seus dispositivos.
Citi
O Citi indicou que a decisão antitruste sobre o Google remove um risco de sobrecarga e baixa que pairava sobre as ações da Apple. O Google poderá continuar a pagar taxas de TAC à Apple para que esta seja estabelecida como o motor de busca padrão, desde que o acordo não seja exclusivo. Isso permitirá que a Apple promova outros mecanismos de busca e faça alterações quando necessário, além de proporcionar a oportunidade de renegociar o acordo anualmente.
UBS
O UBS destacou que, como parte dos remédios propostos pelo Departamento de Justiça, o Google está proibido de entrar ou manter "acordos de distribuição exclusivos" relacionados ao Google Search, Chrome, Google Assistant, e seus produtos de GenAI com parceiros, incluindo a Apple, em qualquer dispositivo. No entanto, o Google não será impedido de fazer pagamentos ou oferecer outras considerações aos parceiros de distribuição para pré-instalação ou posicionamento de produtos do Google, permitindo a continuidade dos pagamentos estimados entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões anualmente à Apple.
Evercore ISI
De acordo com a Evercore ISI, o Google paga à Apple entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões por ano para ser o motor de busca padrão no Safari, sendo que cerca de 50% desses pagamentos são originados nos EUA. A empresa observou que há um componente "fixo" e um "variável" nesse acordo de compartilhamento de receita, cuja proporção exata é desconhecida. A crescente popularidade das opções de busca por IA levanta preocupações sobre uma possível diminuição na receita desse acordo, especialmente considerando que a Apple indicou que o volume de busca no Safari caiu em abril pela primeira vez. No âmbito da IA, a Apple recebe pagamentos da OpenAI por seu status padrão em modelos de linguagem.


