Iniciativa do Governo Federal para Subsidiar o Gás de Cozinha
A nova iniciativa do governo federal visando subsidiar o gás de cozinha (GLP) importado pelo Brasil, anunciada recentemente, não atingirá os consumidores e também não resolve as questões que podem comprometer o programa denominado Gás do Povo, que tem como objetivo oferecer botijões gratuitos para aproximadamente 50 milhões de pessoas. Essa afirmação foi feita pela associação de revendedores de GLP, a Abragás.
Solicitação de Reajuste nos Preços de Referência
Os revendedores de gás liquefeito de petróleo (GLP) pedem uma ação rápida do governo para corrigir os preços de referência que são utilizados no pagamento do subsídio aos botijões do Gás do Povo, uma vez que os valores praticados atualmente estão aquém do necessário para remunerar suas operações. No âmbito desse programa subsidiado, o produto é entregue aos beneficiários sem custo.
Problemas com a Defasagem dos Preços
A questão da defasagem no preço de referência do programa, que já era uma crítica recorrente nos meses anteriores, foi acentuada pelo aumento nos custos enfrentados pelos revendedores. Esse aumento se deve, em grande parte, à escalada dos preços do próprio GLP e do diesel, consequência da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que limitou a oferta global de petróleo e seus derivados.
Histórico e Expansão do Programa
O Brasil possui um histórico de subsídio ao gás de cozinha para apoiar os cidadãos em situação de vulnerabilidade. No entanto, o governo Lula ampliou o programa Gás do Povo, triplicando seu alcance para abranger quase um quarto da população brasileira até o final de 2025.
Reação da Abragás
A Abragás, que representa mais de 60 mil revendedores de GLP em todo o país, declarou em uma nota divulgada na última terça-feira que “O Governo Federal parece não compreender a mensagem que estão passando as revendas. Elas estão solicitando a urgente reavaliação dos valores pagos às revendas pelo programa a fim de que consigam realizar a entrega do botijão de gás aos beneficiários. Já manifestaram inclusive a intenção de se retirar do Programa Gás do Povo”.
Dificuldades e Sustentação do Programa
A entidade destacou que o setor desempenha um papel crucial para o êxito do programa, mas se os resultados financeiros continuarem negativos, não haverá justificativa para manter a parceria, já que apenas as distribuidoras estão obtendo lucros.
Críticas ao Subsídio Proposto
A Abragás também expressou que a subvenção recente proposta pelo governo federal para a importação de GLP “não será repassada às revendas, e portanto não alcançará os consumidores como o governo espera”, já que poderá ficar retida em etapas anteriores da cadeia.
Falta de Detalhes sobre o Programa
Até o momento, o governo não disponibilizou detalhes sobre as regras do programa, tampouco se este poderá ter efeitos retroativos, dado que os impactos da guerra no Oriente Médio já estão sendo sentidos no mercado brasileiro.
Detalhes da Nova Medida do Governo
A nova medida do governo estabelece um pagamento de R$ 850 por tonelada de GLP importado, com um orçamento de R$ 330 milhões, com a finalidade de equiparar o preço do produto importado ao nacional e mitigar os efeitos da alta de preços no cenário internacional, de acordo com informações divulgadas em nota oficial.
Projeção de Impacto do Subsídio
Segundo o governo, “Na prática, o subsídio pode corresponder a cerca de 30% do valor do produto na saída das refinarias, contribuindo assim para assegurar o acesso das famílias ao gás de cozinha”.
Resposta do Ministério de Minas e Energia
O Ministério de Minas e Energia foi contatado para comentários sobre a questão, mas não respondeu de imediato às solicitações.
Dependência do Brasil em Relação ao GLP
É importante destacar que o Brasil não é autossuficiente na produção de GLP, dependendo da importação para cobrir cerca de 20% do volume consumido atualmente. A Petrobras é o principal fornecedor da substância no país, embora refinarias e unidades de processamento de gás natural (UPGNs) de propriedade privada também comercializem o produto.
Gestão de Preços pela Petrobras
Desde o final de 2024, a Petrobras manteve os preços em contratos tradicionais sem reajustes, e, desde então, tem adotado a prática de leilões cada vez mais frequentes para complementar sua oferta, uma estratégia que visa a recuperação de custos com a importação, conforme informado por especialistas e agentes do mercado.
Impedimentos e Consequências dos Leilões
O governo havia tentado cancelar o último leilão da Petrobras, realizado em 31 de março, que negociou aproximadamente 70 mil toneladas de GLP, em meio a altos ágios, em sete polos de venda da empresa. Em um dos polos, na Refinaria Duque de Caxias (Reduc/RJ), a companhia chegou a registrar um ágio superior a 100% na comercialização do produto, conforme relatado por uma fonte envolvida no leilão.
Consequências Administrativas
A realização do leilão resultou na demissão do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) está investigando o evento por supostas irregularidades relacionadas a preços elevados, que podem estar acima dos Preços de Paridade de Importação (PPI).
Fonte: www.moneytimes.com.br


