Crítica da Oposição sobre a Estratégia Econômica do Governo
A frase que circulou rapidamente em diferentes setores, incluindo políticos, investidores e operadores, durante o evento promovido por The Link, plataforma liderada por Rafael Ferri, foi proferida por Daniella Marques. Ela, que já foi presidente da Caixa e agora está à frente da campanha de Flávio Bolsonaro, fez uma declaração provocativa que reflete o diagnóstico da oposição sobre a estratégia econômica atualmente adotada pelo governo: “Lula está gastando uma pandemia para se reeleger.”
Contexto da Crítica
Essa afirmação ganhou destaque especialmente porque está alinhada com uma análise que parte do mercado já vinha realizando. A comparação feita pela oposição destaca os cerca de R$ 700 bilhões que foram mobilizados no chamado orçamento de guerra durante a pandemia da covid-19. Esses gastos extraordinários foram justificados na época em função do colapso sanitário e econômico que a pandemia provocou.
Levantamento de Dados Econômicos
As críticas da oposição fundamentam-se em estudos realizados pelo economista Marcos Mendes, que é pesquisador do Insper. Nos relatórios que Mendes elaborou, ele estima que os custos provocados pela expansão da chamada política parafiscal, que engloba incentivos, subsídios e programas implementados pelo governo para estimular a economia e manter sua popularidade, giram em torno de R$ 215 bilhões por ano. Dentro desse montante, aproximadamente R$ 118 bilhões anuais seriam gastos que não estariam sujeitos às restrições mais visíveis do atual arcabouço fiscal.
Críticas Direcionadas
É neste contexto que a crítica política obtém força. Ao incluir na conta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, que proporcionou uma abertura de R$ 168 bilhões além do teto fiscal no início do governo, além de outros gastos, como os aportes e garantias por meio de fundos como o Fundo Garantidor de Operações (FGO) e programas como o Pé-de-Meia, a oposição consegue aproximar o montante total a uma cifra semelhante aos R$ 700 bilhões utilizados no governo Lula III. A tentativa de aumentar o financiamento do Vale-Gás através de receitas oriundas do pré-sal e o tratamento da fatura dos precatórios também são aspectos destacados na crítica.
Apreensão do Mercado Financeiro
As mesas de operações na Faria Lima, que acompanharam o debate sobre essas questões, expressam um incômodo que vai além do simples valor financeiro. A crítica é também direcionada ao mecanismo escolhido para lidar com esses gastos. A avaliação corrente é a de que o arcabouço fiscal atual consegue controlar parte da despesa primária que é amplamente divulgada, mas simultaneamente abre espaço para o aumento do endividamento por outros meios.
Comparação com o Passado
A diferença apontada, que tem gerado um certo descontentamento entre os operadores de mercado, é tanto política quanto econômica. Em 2020, os gastos extraordinários foram apresentados como uma resposta a uma emergência de saúde pública; por outro lado, a oposição atualmente critica o governo por utilizar instrumentos excepcionais para sustentar programas sociais, promover crédito subsidiado e apoiar bases eleitorais em um período de pré-campanha eleitoral. A consequência dessa abordagem, segundo os críticos, se traduz em um aumento nos juros futuros, o que representa uma preocupação significativa para a economia do país.
Fonte: veja.abril.com.br