O mundo procura alternativas ao dólar e o ouro responde — mas por que o bitcoin (BTC) ainda não é uma opção?

O mundo procura alternativas ao dólar e o ouro responde — mas por que o bitcoin (BTC) ainda não é uma opção?

by Ricardo Almeida
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Bitcoin e sua Relação com o Dólar

O mercado de criptomoedas está fervilhando e, entre os temas mais discutidos, destaca-se a mudança de paradigma em relação ao dólar. Neste contexto, o bitcoin (BTC) ainda não se consolidou como uma alternativa ao dólar. Vamos explorar esta questão mais a fundo.

Histórico do Dólar como Moeda Global

Para entender o fenômeno atual, é importante relembrar alguns marcos históricos. Em 1944, os Estados Unidos se firmaram como o fornecedor global de ativos financeiros seguros. Durante a Conferência de Bretton Woods, estabeleceu-se que apenas o dólar americano seria conversível em ouro, enquanto as demais moedas se ligariam a ele de forma indireta, através de câmbios fixos.

Esse arranjo resultou em uma dinâmica poderosa: os EUA tornaram-se o “banqueiro do mundo”, responsáveis pela oferta de ativos seguros em dólares para o restante do planeta. Naquele período, os EUA detinham aproximadamente 70% do ouro mundial e representavam 50% da produção industrial global. Para os bancos centrais, ter ouro como referência e a necessidade de dólares para a recuperação econômica tornaram-se fatores indispensáveis.

A Crítica Francesa ao Sistema Monetário

Contudo, nem todos aceitaram essa estrutura com satisfação. O presidente da França, Charles de Gaulle, via o acordo de Bretton Woods como a gênese do “privilégio exorbitante” dos EUA: a capacidade de se endividar em sua própria moeda sem um custo real. Assim, a emissão de Treasuries (títulos do Tesouro americano) transformou-se em uma forma contemporânea de senhoriagem, um imposto invisível que recaía sobre o restante do mundo.

Consultores franceses alertaram para a insustentabilidade do sistema. A necessidade global por dólares levaria os EUA a incorrer em déficits crescentes, e eventualmente, o dólar precisaria ser desvalorizado em relação ao ouro.

A Reação Francesa e o Colapso de Bretton Woods

Nos anos 1960, a França começou a converter de forma sistemática os dólares acumulados por seus exportadores em ouro, conforme a taxa oficial de Bretton Woods. A França foi além ao lançar a “Operação Esvaziar os Bolsos”, que visava trazer fisicamente o ouro de volta ao seu território. Inicialmente, esse processo ocorreu de forma discreta, mas em agosto de 1971, a França enviou um destroyer militar ao porto de Nova York para buscar cerca de US$ 200 milhões em ouro, um gesto que foi interpretado como um ataque direto ao dólar.

Logo após, Richard Nixon anunciou o fim da conversibilidade do dólar em ouro, um movimento motivado mais por questões práticas do que ideológicas, uma vez que os cofres dos EUA estavam esvaziados, consequência de déficits relacionados à Guerra do Vietnã, à Guerra Fria e ao programa conhecido como Great Society.

Dois anos depois, o sistema de câmbio fixo ruiu oficialmente, marcando o fim de Bretton Woods. No entanto, o domínio do dólar sobre o sistema financeiro global permaneceu inalterado. Mesmo sem lastro em ouro, o dólar continuou a ser a principal moeda de reserva mundial, devido a fatores estruturais, como a existência dos maiores e mais líquidos mercados financeiros dos EUA, a robusta proteção da propriedade privada e instituições consideradas confiáveis.

O Desgaste da Confiança no Dólar

O equilíbrio desse sistema começa a mostrar sinais de desgaste. Os Treasuries já não são vistos como um porto seguro automático. Instituições financeiras globais começaram a questionar a previsibilidade do governo americano, enquanto países como a China orientam seus bancos a diminuir a exposição à dívida dos EUA.

Esse cenário levanta um ponto importante: a confiança no dólar está sob escrutínio. É aqui que surgem as criptomoedas como uma solução potencial.

O Paradoxo das Criptomoedas

Após anos sendo subestimadas, os participantes do mercado de criptomoedas começam a concordar que déficits crescentes podem levar ao abuso do privilégio monetário, resultando na erosão da confiança institucional e, assim, em uma busca global por novas reservas de valor.

Contudo, houve erros em relação ao tempo de resposta do mercado. Enquanto o ouro valorizou cerca de 74% no último ano, o bitcoin sofreu uma desvalorização de cerca de 27%. O “ouro digital” não reagiu conforme muitos esperavam no momento em que a confiança no dólar é amplamente questionada.

Este comportamento do mercado não invalida a teoria sobre o bitcoin; ele simplesmente ressalta um aspecto crucial: atualmente, o bitcoin é percebido como um ativo de risco, e não como uma reserva de valor sistêmica.

A Eficiência do Bitcoin

A ascensão do dólar como moeda global não se deu apenas por sua escassez ou lastro. O dólar se tornou preferível em relação ao ouro devido à sua facilidade de uso. O bitcoin, por sua vez, é ainda mais eficiente por ser digital, não exigir a intermediação de bancos e não ter fronteiras.

A princípio, a conjuntura seria ideal para a valorização do bitcoin. Na prática, ainda não houve a percepção necessária por parte do mercado. A confiança em um ativo monetário não se edifica apenas a partir de seu código, mas exige tempo, liquidez, estabilidade política e uma ampla aceitação institucional.

Por fim, existem diversos elementos a serem considerados para entender o preço atual do bitcoin, mas esses tópicos serão abordados em futuras edições.

Forte abraço,

Marcello Calbo Cestari

Aviso Importante

Este conteúdo é meramente informativo e visa compartilhar insights e análises sobre o mercado. Não se trata de uma recomendação de investimento, e quaisquer decisões financeiras devem ser tomadas com base em análise pessoal e, preferencialmente, com a assessoria de profissionais qualificados.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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