Tarifa e o Mandato de Donald Trump
Poucas questões foram tão significativas para Donald Trump durante seu segundo mandato como as tarifas, que simbolizam sua abordagem autoritária à presidência. O presidente aumentou e diminuiu as tarifas conforme desejava, alterando as regras do comércio global e desafiando a qualquer um que tentasse detê-lo.
Limite Imposto pela Suprema Corte
A situação mudou em uma sexta-feira, 20, quando Trump enfrentou uma surpreendente reprovação da Suprema Corte. Após mais de um ano expandindo seu poder, o presidente encontrou um limite raro que resultou em uma derrota que ele não aceitou facilmente. Trump declarou que buscaria alternativas legais para aplicar tarifas diferentes e afirmou que o término dessa disputa judicial traria “grande certeza” para a economia.
Entretanto, a decisão da Suprema Corte abriu um novo capítulo nas questões tarifárias de Trump e suscitou dúvidas sobre sua capacidade de cumprir promessas relacionadas à recuperação econômica. Essa determinação provavelmente prolongará a incerteza no comércio internacional até as eleições de meio de mandato, deixando muitos questionamentos sobre os próximos passos do presidente e sobre o futuro dos cerca de US$ 175 bilhões em impostos de importação que foram anulados pela corte.
Reação de Donald Trump
Como é habitual, Trump desdenhou do patriotismo das pessoas que discordaram dele. Ele classificou a decisão como “profundamente decepcionante” e “ridícula”, expressando estar “absolutamente envergonhado” pelos seis juízes da Suprema Corte que decidiram contra ele, por supostamente não terem a coragem de agir de forma justa para o país. O presidente se referiu a esses juízes como “tolos e lacaios”, sendo “muito antipatriotas e desleais” à Constituição.
Trump anunciou que planejava assinar uma ordem executiva que lhe permitisse contornar o Congresso para impor um imposto de 10% sobre todas as importações globais. Ele também decidiu que seu governo realizaria investigações de segurança nacional para estabelecer novas tarifas sobre produtos específicos. Embora as tarifas de 10% tenham um limite legal de 150 dias, Trump ignorou perguntas sobre esse limite, afirmando: “Temos o direito de fazer praticamente o que quisermos”. Essa estratégia implica que as novidades tarifárias de Trump provavelmente coincidirão com as eleições de meio de mandato que definirão o controle da Câmara e do Senado.
A Questão das Tarifas e a Opinião Pública
As tarifas têm se revelado politicamente impopulares. Trump soube da decisão da Suprema Corte durante uma reunião privada com governadores, onde recebeu uma nota. Segundo relatos de pessoas que estavam presentes, ele descreveu a decisão como “uma vergonha”. Durante essa reunião, o presidente também mencionou que era necessário “agir em relação a esses tribunais”, e a reunião foi encerrada logo em seguida.
Pairando sobre essa situação jurídica conturbada está a insatisfação dos eleitores com as tarifas, que têm sido associadas ao aumento de preços e à desaceleração nas contratações. O presidente, mesmo diante de evidências contrárias, tem consistentemente distorcido a questão, afirmando que os governos estrangeiros arcarão com os custos e que as receitas geradas seriam suficientes para pagar a dívida nacional além de garantir cheques de dividendos para os contribuintes.
Em abril do ano anterior, quando Trump anunciou tarifas globais, uma pesquisa da AP-NORC revelou que 76% dos americanos acreditavam que essas políticas aumentariam o custo dos bens de consumo, o que é um sinal de preocupação para um presidente que foi eleito prometendo combater a inflação. Outra pesquisa, feita em janeiro, apontou que cerca de 60% dos americanos achavam que Trump tinha ultrapassado os limites ao impor novas tarifas a outros países.
A Reação de Legisladores Republicanos
A dinâmica das tarifas implementadas por Trump causou inquietação em muitos legisladores republicanos, que se viram forçados a justificar o que essencialmente configurava um aumento de impostos para os cidadãos e empresas dos Estados Unidos. Durante o segundo mandato de Trump, ao menos sete senadores republicanos expressaram suas preocupações. Recentemente, seis republicanos na Câmara se uniram aos democratas para votar contra as tarifas aplicadas por Trump ao Canadá.
Historicamente, o livre-comércio tem sido uma plataforma central do Partido Republicano antes da ascensão de Trump ao cargo. O senador Mitch McConnell, do Kentucky, qualificou a alegação de Trump de que ele poderia contornar o Congresso para implementar tarifas como “ilegal”, elogiando a decisão da Suprema Corte.
A Visão de Mike Pence e a Reação Democrática
Mike Pence, ex-vice-presidente durante o primeiro mandato de Trump, comemorou a decisão, afirmando nas redes sociais que “as famílias e as empresas americanas pagam as tarifas, não os países estrangeiros”, e que essa decisão proporcionou um alívio necessário.
Os democratas também se apressaram em aproveitar a decisão da Suprema Corte para afirmar que Trump violou a lei e que suas tarifas causaram sofrimento a famílias de classe média. A deputada Suzan DelBene, de Washington, declarou que Trump “não é um rei” e que suas tarifas “sempre foram ilegais”. Ela criticou os republicanos por não terem enfrentado a crise econômica que impactou as comunidades, enquanto as famílias e pequenas empresas enfrentavam altos preços.
Tarifa como Tema Central no Discurso Econômico de Trump
Trump tem enfatizado que suas tarifas foram cruciais para a diferença entre a prosperidade nacional e a pobreza extrema, um tema que ele reiterou em um discurso na Geórgia. O presidente mencionou a palavra “tarifa” 28 vezes em seu discurso em uma empresa siderúrgica, creditando os impostos de importação pela competitividade de seus produtos em comparação aos da China. Ele insistiu: “Sem as tarifas, este país estaria em apuros agora”.
Além disso, o presidente expressou frustração por ter que justificar suas tarifas na Suprema Corte, afirmando: “Estou esperando por essa decisão. Estou aguardando há um longo tempo, e a linguagem é clara de que tenho o direito de fazer isso como presidente”. No entanto, por 6 votos a 3, a Suprema Corte decidiu que ele não possui esse direito.
Fonte: www.moneytimes.com.br


