Ações da Raízen em Queda na Bolsa
As ações da Raízen (RAIZ4) se destacaram negativamente na Bolsa durante o pregão desta segunda-feira (27), refletindo reações a novas informações sobre negociações entre a empresa e seus credores.
Por volta das 16h30 (horário de Brasília), os papéis apresentavam uma queda de 5,77%, com o valor a R$ 0,49. Durante o dia, a mínima foi registrada em R$ 0,48, o que representou uma queda de até 7,69% no valor das ações. Acompanhe o tempo real.
Análise do Cenário de Endividamento
Flávio Conde, que lidera a área de ações da Levante Investimentos, destaca que o desempenho negativo das ações está ocorrendo em um contexto de alto endividamento e tensões nas negociações com os credores.
“Atualmente, os acionistas exigem que Shell e Cosan contribuam com R$ 8 bilhões. A proposta inicial contempla um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell e R$ 500 milhões por Rubens Ometto, enquanto a Cosan não participaria. Dessa maneira, é necessário observar como será estruturada essa transação, mas o valor é considerado baixo,” comenta.
Além dos R$ 4 bilhões mencionados, está em discussão a captação de um valor adicional que varia entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões. No entanto, o analista alerta que ainda não se sabe a origem desse novo capital e se efetivamente será alcançado o total de R$ 8 bilhões.
“Independentemente do caminho adotado, essa situação exigirá nova emissão de capital. Isso implica que os acionistas atuais sofrerão diluição. Portanto, a Raízen, que já está em queda, pode enfrentar novas quedas,” conclui Conde.
Conforme a avaliação do analista, as ações devem continuar em desvalorização e a recomendação é que se abstenha de investir na Raízen, já que há desdobramentos em andamento que podem impactar ainda mais o desempenho das ações.
Novas Propostas na Mesa
A Raízen apresentou uma proposta alternativa aos seus credores enquanto continua a trabalhar nos termos de uma reestruturação de dívida totalizando R$ 65 bilhões. A informação foi divulgada pela Bloomberg News no domingo (26), citando fontes próximas às negociações.
Conforme a reportagem, a companhia comunicou aos credores na noite de sábado (25) que está empenhada em captar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em novo capital, que se somaria aos R$ 4 bilhões que Shell e Rubens Ometto já se comprometeram a investir na empresa.
Por sua vez, até o presente momento, os credores ainda não receberam uma resposta positiva da Raízen em relação à exigência de mudanças na gestão do conselho da companhia, uma das condições estipuladas pelo grupo que está em negociação com a empresa de energia.
A reportagem também menciona que a empresa sinalizou que poderia aceitar a criação de um comitê de credores para supervisionar mais de perto a governança. Contudo, Rubens Ometto ainda resiste a deixar a presidência do conselho.
Contexto da Recuperação Extrajudicial
A Raízen, uma joint venture formada entre a Cosan e a Shell, solicitou a recuperação extrajudicial em março deste ano, lidando com uma dívida de R$ 65 bilhões. A companhia está em busca de um acordo com os credores a fim de evitar a recuperação judicial.
A recuperação extrajudicial é um processo distinto da recuperação judicial. No primeiro caso, as empresas renegociam parte de suas dívidas diretamente com determinados credores, visando à obtenção de novos prazos ou condições de pagamento mais favoráveis, com o intuito de reorganizar suas finanças e evitar o risco de falência.
As dificuldades que a empresa enfrenta para administrar sua dívida surgem após um período de altos investimentos, aliado a condições climáticas desfavoráveis e incêndios em canaviais, que prejudicaram as colheitas e diminuíram os volumes de processamento de cana.
Fonte: www.moneytimes.com.br


